sexta-feira, novembro 18, 2011
Valei-me Meu Rosário
sexta-feira, outubro 28, 2011
quinta-feira, outubro 27, 2011
Metalismofagia
sábado, outubro 22, 2011
terça-feira, outubro 11, 2011
transcedência
PIK
terça-feira, outubro 04, 2011
Idade Madura
As lições da infância
desaprendidas na idade madura.
Já não quero palavras, nem delas careço.
Tenho todos os elementos
Ao alcance do braço.
Todas as frutas
e consentimentos.
Nenhum desejo débil.
Nem mesmo sinto falta
do que me completa e é quase sempre melancólico.
Estou solto no mundo largo.
Lúcido cavalo
com substância de anjo
circula através de mim.
Sou varado pela noite, atravesso os lagos frios,
Absorvo epopéia e carne,
bebo tudo,
desfaço tudo,
torno a criar, a esquecer-me:
Durmo agora, recomeço ontem.
De longe, vieram chamar-me.
Havia fogo na mata.
Nada pude fazer,
nem tinha vontade.
Toda a água que possuía
irrigava jardins particulares
De atletas retirados, freiras surdas, funcionários demitidos.
Nisso, vieram os pássaros,
rubros sufocados, sem canto,
e pousaram a esmo.
Todos se transformaram em pedra.
Já não sinto piedade.
Antes de mim outros poetas,
depois de mim outros e outros
estão cantando a morte e a prisão.
Moças fatigadas se entregam, soldados se matam
No centro da cidade vencida.
Resisto e penso
numa terra enfim despojada de plantas inúteis,
num país extraordinariamente, nu e terno,
qualquer coisa de melodioso,
não obstante mudo,
além dos desertos onde passam tropas, dos morros
onde alguém colocou bandeiras com enigmas,
e resolvo embriagar-me.
Já não dirão que estou resignado
e perdi os melhores dias.
Dentro de mim, bem no fundo,
Há reservas colossais de tempo,
Futuro, pós-futuro, pretérito,
Há domingos, regatas, procissões,
Há mitos proletários, condutos subterrâneos,
Janelas em febre, massas da água salgada, meditação e sarcasmo.
Ninguém me fará calar, gritarei sempre
que se abafe um prazer, apontarei os desanimados,
negociarei em voz baixa com os conspiradores,
transmitirei recados que não se ousa dar nem receber,
serei, no circo, o palhaço,
serei, médico, faca de pão, remédio, toalha,
serei bonde, barco, loja de calçados, igreja, enxovia,
serei as coisas mais ordinárias e humanas, e também as excepcionais:
tudo depende da hora
e de certa inclinação feérica,
viva em mim qual um inseto.
Idade madura em olhos, receitas e pés, ela me invade
com sua maré de ciências afinal superadas.
Posso desprezar ou querer os institutos, as lendas,
descobri na pele certos sinais que aos vinte anos não via.
Eles dizem o caminho,
embora também se acovardem
em face a tanta claridade roubada ao tempo.
Mas eu sigo, cada vez menos solitário,
em ruas extremamente dispersas,
transito no canto homem ou da máquina que roda,
aborreço-me de tanta riqueza, jogo-a toda por um número de casa,
e ganho.
sexta-feira, setembro 30, 2011
sexta-feira, setembro 23, 2011
domingo, setembro 18, 2011
obrigado pai
Obrigado pai
Por ter levado meu pai
Por ter trazido a doença, a fome, a lamuria, o choro e a humilhação
Obrigado pai
Pela falta de vergonha, pela preguiça, pela corrupição
Pela fila no postinho, pelo professor resignado
Pelo irmão que canta sem saber cantar
Pelo dia passado no escritório maldito
Pelo HIV, pelo câncer, pela hepatite
Pelos filhos de deus que nascem sem braços e pernas
Pelos filhos malditos de deus que nascem sem ter o que comer
Obrigado pai
Por ter levado meu pai quando eu tinha sete anos
E de me ter deixado na miséria
Obrigado pai
Por todas as guerras entres seres humanos
Feitos a sua mais perfeita semelhança
Obrigado maldito pai
Por ter me botado neste maldito mundo
Por me fazer vomitar quando bebo
Por me fazer vomitar quando vejo que o mundo é uma merda
Por ver que a vida não passa de uma novela mal contado
Sem final feliz, sem mulher feliz, sem homem feliz
Com filho na lata de lixo, dormindo na rua
Passando frio, sem pai, pedindo ao pai
Aceitando a humilhação por você pai
Aceitando fazer tudo por você pai
Obrigado pai
Hoje eu acordo com vontade de morrer
Hoje eu acordo com vontade de matar
Por você meu pai querido
Eu te amo pai
Pai, pai, eu quero segurar sua mão
Quero sua proteção pai
Quero ser seu filho pai
Pai? pai? você existe?
Ou foi estória que me contaram?
Quero respirar bem fundo pai
E esquecer que você existe
Te odeio pai
Você me tirou tudo
Você me enganou
Você, pai, foi uma estória mal contada
E não dormi com você
Você é a doença que existe neste mundo
Você é a escoria bêbada
Você pai, pai, pai
Você fez Adão e Eva do barro
Talvez da merda e do devaneio absurdo de algum idiota
Obrigado pai
Hoje eu entendo a fome irracional por sua proteção
Pai, você fez e abondonou
Você fez a doença e inventou a cura
Como um farmacêutico capitalista
Você fez o esforço parecer elogio
Mas pai, eu não consigo
Pai, eu quero dormir
Pai, eu quero ficar na cruz no seu lugar
Pai, eu quero mas não posso querer
Você criou o mundo
O destino, a vida, o amor
Mas que diabos tinhas na mente?
Pai, nada disso faz sentido
Você não exite!
Você é o côco do cavalo do bandido
Você é minha esperança
minha desesperança
pai, rezei tanto por você
pedi tanto por você
orei, pedi pelos pobres, pelos oprimidos
pelos que não tem onde dormir
e o que tenho de você?
Nada, nada
Você é um bandido
Uma enganação
Pai, segura minha mão
Eu não tenho onde dormir
Então eu vou fazer uma prece
Vai tomar no meio do seu cu seu filho da puta!
sexta-feira, setembro 16, 2011
segunda-feira, setembro 05, 2011
quinta-feira, setembro 01, 2011
Amor
Devoção e muito amor.
Cada vitória é uma festa
E a derrota um dissabor.
Até um simples empate,
Que podia consolar,
Quase sempre é conquistado
Quando é preciso ganhar.
Mas nessas poucas vitórias,
Algumas sensacionais,
A gente esquece de tudo
Não desanima jamais.
Ai, CORINTHIANS,
Cachaça do torcedor,
Colorido em preto e branco,
Sem preconceito de cor.
Ai, CORINTHIANS,
Quando és o vencedor,
Pobre fica milionário
Rindo da própria dor.
E lá se vão 20 anos,
Alimentando ilusão
Renovando a esperança,
Agüentando gozação.
Quantos domingos sombrios,
Eu, eterno sonhador,
Chegava em casa arrasado,
Maltratava o meu grande amor.
Meu São Jorge, me dê forças,
Pra poder um dia, enfim,
Descontar meu sofrimento
Em cima de quem riu de mim.
Como é bom ser alvinegro
Ontem, hoje e amanhã
Respirar o ar mistura
Do Tietê e Tatuapé!
Lá no alto a velha Penha
Anchieta e Bandeirantes
Ver São Jorge lá na lua
'Bençoando a Fazendinha
Onde mora um gigante
Tem igreja e tem biquinha!
Corinthians, Corinthians,
Meu amor é o Timão.
Corinthians, cada minuto,
Dentro do meu coração!
Corinthians, Corinthians,
Meu amor é o Timão.
Corinthians, cada minuto,
Dentro do meu coração!
Belém, Vila Maria e Moóca
E São Paulo e extensão
Mogí, Guarulhos, Itaquera
Tudo vibra coringão
É o Corinthians de nós todos
É paulista, é campeão!
Corinthians, Corinthians,
Meu amor é o Timão.
Corinthians, cada minuto,
Dentro do meu coração!
Corinthians, Corinthians,
Meu amor é o Timão.
Corinthians, cada minuto,
Dentro do meu coração!
terça-feira, agosto 30, 2011
quinta-feira, agosto 25, 2011
quarta-feira, agosto 24, 2011
poema e sequência de haicais
Naquela época
minha voz te acalmava
Eu cruzava a porta
você me abraçava
Nossas mentes e almas
Andavam coladas
E tudo que vinha
A gente enfrentava
Foram tempos
de Gullar nossos gatos
De Caetanos cifrados
De João
ouvirmos calados
De tudo fez-se nada
em nosso pós carnaval
Dito assim solto
pelo MC Marechal
quando foi que achamos
Que esse dia chegaria afinal?
Triste fim esse nosso
Dois perdidos
Em meio aos destroços
Luz
Entra e
Escancara
a ausência
Um norte
Se tiver sorte
Se esconde
No horizonte
vida entrecortada
Pela luz enquadrada
Congelo fumaça
Num haicai
Sem graça
Gravo minha dor
Pelo obturador
Divido com você
O que devia esconder
segunda-feira, agosto 22, 2011
Quanto vale ou é por quilo?
Agora que parece uma continuação do cronicamente inviável , isto sim, parece. Mais realmente vale a pena.
PIK
sexta-feira, agosto 19, 2011
Fé
Existe uma lenda – que muitos aqui devem conhecer – de que existe uma passagem que liga São Tomé das Letras à Machu Picchu. Meu tio acredita nisso piamente, a ponto de dizer que o acesso a caverna onde existe tal portal foi fechado pela prefeitura para evitar a viagem e não por segurança. Não sei nem mesmo se existe tal caverna, e se realmente foi fechada pela prefeitura.
Toda essa introdução é apenas para tentar especular sobre um mecanismo humano que a mim intriga muito: a fé. Algo que pode parecer absurdo para uns é totalmente palpável para outros. A fé é a arte de acreditar na falta de evidências, como se essa própria sentença já não fosse um contra-senso.
Sem querer fazer juízo de valor ou chacota com quem quer que seja, me permito duvidar da divindade terraqueamente representada – não por habitar o corpo, mas por procuração – pelo Papa. E para que não pese sobre minhas pobres letras a carga de “ateu fervoroso” busco embasamento na dúvida, em parte tentando livrar minha barra de “direitoso”, de Leonardo Boff e Olavo de Carvalho, amén.
quinta-feira, agosto 18, 2011
Ol’Blue Eyes is Back
quarta-feira, agosto 17, 2011
terça-feira, agosto 09, 2011
Círculos (III final)
Eles chamavam aquilo de sumo.
O resto da cerveja que ficava no fundo da garrafa; quente.
Quando o copo descolou da sua boca, o gosto implacável como o vento:
Tristeza, fúria, frustração, cocaína.
Havia na toalha da mesa círculos molhados feitos pelo fundo do copo.
Até ali, ele sabia, as coisas eram ligadas. Tudo fazia sentido.
- Sou o dasmi.
- hã?
- dasmi, porra! Midas ao contrário. Sou isso aí. Tudo que eu toco fode.
O amigo coça a barba.
A luz do bar era amarela. Em cima da mesa um lustre de sisal.
- como assim?
- nunca quis prisão. Mas sempre fui preso. Queria fazer o que quisesse, até poderia se tivesse grana, mas a grana não te deixa fazer o que quiser. Ou até deixa e eu não sei como.
- ãrrã. (Único som que podia emitir sem que o amigo percebesse que não havia entendido nada.)
- deixa eu te contar uma coisa: estava voltando da praia. Era feriado lá e aproveitei pra vir pra casa. Muito trânsito, com ajuda da chuva e da penumbra. Meu estômago embrulhado tingia de cores ainda piores a situação. Aquela fila enorme com suas lanternas acesas pareciam pontas de cigarro. Os escapamentos - bocas jogando fumaça em mim. Paranóia. De longe eu vi um cara tentando cruzar a pista. Era incrível como as pessoas continuariam paradas, como estavam, se deixassem espaço para ele passar. Foram muitos minutos assim. Quando chegou minha vez deixei espaço entre o carro da frente e eu.
Era hora de mais um gole, mas não tinha.
- e aí?
- O trânsito ocupava só um sentido. O cara passou por mim, olhou no meu olho e acenou com a cabeça, me cumprimentando. Foi nessa hora o meu toque. Ele se esqueceu de olhar o outro lado. Vinha uma moto. Barulho de lenha queimando; o corpo no chão. De braços abertos como se abraçasse o mundo.













