segunda-feira, maio 19, 2008

A Suposta Certeza

Tome tento deslizes nunca, procure o seco.

Não se distraia. Escreva a rotina árida na sequidão diária da Caminhada.

Tome alento no trago ou na carta, mas atenção com os que roubam tento.

Já há tempo tento seguir multidões, pastores, torcedores e suas organizadas, entorpecentes das esquinas, convictos portadores de verdades sequiosas, inconfessáveis, asseclas da razão e seus desvarios; que exortam, palpitam e pulsam a aorta vazia atendo-se no provável sangue que nela ia, ou como os que vinham no porão do navio, presos como a fumaça do haxixe na ascese do pulmão cético num dia frio.

A verdade segue o cheiro amendoado das câmaras de gás, da densidade dos banhos no mar morto, das falésias escarpadas de agonia, da vazante lunar espraiada na face lívida, que se fecha numa pálpebra em carne viva cobrindo a janela da alma com algum resquício de vida.

E sigo a verdade solar que quando se põem é menos um dia, e que drena o tempo como engole a maré, o mangue e mais tudo no que nele jazia.

Há muito jaz bem lento, o olhar por traz de espectros a espiar os tentos do meu rosário cerebral com seus séquitos.

Todos ruidosos soprando baixinho nos ouvidos rotas que não se ouvia.

Coronel Dentes

4 comentários:

Anônimo disse...

O trautman, caracas pirei irmão.

é meio Coronel, Augusto, Camus,...

Anônimo disse...

pegou pesadão...das boas...
El viajante

Veraneio Vascaína disse...

xandão, vc é um viado.

Anônimo disse...

Discorreu a existência errática daqueles que não se enganam com a televisão, daqueles que se lançam na busca e procuram minimamente entender a alegoria que é a vida.

Boa!
Sarsa.