terça-feira, agosto 18, 2009

Filiação a Luz

Para aqueles que têm o terno e confortável sentimento de filiação as luzes, devo dizer que a Ilustração foi apesar de tudo, a proposta mais generosa de emancipação jamais oferecida ao gênero humano. Ela acenou ao homem com a possibilidade de construir racionalmente o seu destino, livre de tirania e da superstição. Propôs ideais de paz e tolerância que até hoje não se realizaram, muito pelo contrário.
A exacerbação da razão no mais das vezes nos trouxe problemas catastróficos, os regimes totalitários foram alguns deles e também a falta de distinção entre razão e ideologia.
Nietzsche, Heidergger e Derrida querem destruir a razão incorporada na metafísica, Foucault propõe destruir a razão incorporada à historiografia ocidental, com o seu conceito de anti-história.
Já Freud com a sua descoberta do inconsciente, revela que o homem não é mais o senhor em sua própria casa, premissa defendia pela razão que acha que o quociente abarcava toda a psique humana. A maior parte da psique humana é o subconsciente, parte esta que a razão não acessa diretamente, e no mais das vezes não tem controle algum.


Depois de Marx e Freud, não podemos mais aceitar a idéia de uma razão soberana, livre de condicionamentos materiais e psíquicos. Depois de Weber não há como ignorar a diferença entre uma razão substantiva, capaz de pensar fins e valores, e uma razão instrumental, cuja a competência se esgota no ajustamento de meios a fins. Depois de Adorno, não é possível escamotear o lado repressivo da razão, a serviço de uma astúcia imemorial, de um projeto imemorial de dominação sobre a natureza e sobre os homens. Depois de Foucault, não é licito fechar os olhos ao entrelaçamento do saber e do poder. Precisamos de um racionalismo novo, fundado em uma nova razão.
ROUANET, Sergio Paulo. in As razões do Iluminismo. Pág 12

6 comentários:

Nilson Ares disse...

Precisamos de amalgamar estas frentes para a confecção de um único mecanismo humanista anti-razão.

Anônimo disse...

A razão quando feita bom uso trará a premissa Kantiana que é tirar o homem do mundo obscuro e pensar por si próprio e ela bem usad lhe dará sentido ao ser.
Penso que se colocarmos uma balança e nela dosarmos bem as duas coisas teremos um bom resultado e isso apesar de simples demanda ao homem um capricho difícil de obter.

Hemerson

Anônimo disse...

A emancipação trazida pela razão é inconteste. Inclusive começo o meu texto falando disso.
Mas os seus efeitos deletérios em nossa contemporaneidade algumas vezes não são percebidos como tais.
A moral, a ciencia, a arte, a cultura e a política têm mostrado isso.

Coronel

Anônimo disse...

Se mal o homem observa seu comportamento frente ao mundo, o que dirá do mundo.

Realmente um capricho difícil de obter.

Anônimo disse...

Os tais efeitos deletérios sempre esteve presente no homem , desde sua razão infantil, isto pode ser percebido no Egito Antigo, Grécia Antiga e lá vai. Me parece que o mal uso é ideológico também e possui escolhas baseadas na existência humana, mas talvez seja conversa para outro momento.

Hemerson

Nelinho 10 disse...

Pra mim a chaga ainda é o cristianismo ocidental filho da puta! Não que seja anti-cristo (apesar de tê-lo lido), tampouco vejo na ilustração a ponte necessária entre o fim das trevas e a moderna Lumière.
Toda a razão é erosiva quando se está a Oeste de Greenwish. Mais inda quando o poder dos trópicos amarela hepaticamente a visão racional.