terça-feira, outubro 06, 2009

Desafios para o professor na era do conhecimento

Por Nilson Ares

O atual contexto da educação, em que novas tecnologias se fazem presentes cada vez mais no dia-a-dia dos alunos, com a acelerada popularização da Internet, a redução de custos para a aquisição de computadores, novos modelos de celulares com câmeras, filmadoras e tocadores de MP3, entre outros gadgets, demanda por um professor mais preparado para trabalhar em sala de aula, com o propósito de ensinar utilizando as ferramentas presentes na vida dos alunos como o chat, o e-mail, as redes sociais, os blogs, etc.
O professor precisa estar familiarizado com estas novas tecnologias, e compreender que a técnica sempre esteve presente no desenvolvimento humano desde que o homem passou a transformar a natureza através do trabalho para tornar possível sua sobrevivência; perceber que se trata de mais um estágio evolutivo, que inserido no contexto da atual era do conhecimento, obviamente vai refletir na educação e na cultura de maneira intrínseca e indissociável.
Ao mesmo tempo em que vemos a arquitetura do ciberespaço se expandido e absorvendo nossas práticas sociais, possibilitando interação e interatividade em tempo real com pessoas e máquinas respectivamente, observamos de forma gritante a resistência de velhos problemas. Conforme a distinção que faz a professora Magda (2009) entre alfabetização e letramento, temos: alfabetização: ação de ensinar/aprender a ler e a escrever; e letramento: estado ou condição de quem não apenas sabe ler e escrever, mas cultiva e exerce as práticas sociais que usam a escrita. (p.47).
Neste ambiente de alfabetização tecnológica, percebemos que o aluno passa horas do seu dia conectado, interagindo com colegas, exposto a uma sobrecarga de informação sem necessariamente estar construindo o seu saber associado ao letramento; entendido aqui como resultado da utilização da língua que extrapola o fim atribuído à comunicação para se legitimar na qualificação da informação convertida em conhecimento agregado.
Portanto, o professor é o responsável pelo crivo das informações ao utilizar tais recursos eletrônicos somados a outras inovações educativas institucionalizadas de modo a sincronizar o senso comum à experimentação científica para o ensino de língua. Torna se premissa estar aberto a inovações, abandonar seu modo cartesiano de pensar e entender esta mudança de referência de mundo, permanente e em movimento, qual na poesia de Gilberto Gil: “Quem não vem no cordel da banda larga / Vai viver sem saber que mundo é o seu”.

Referências

SOARES, Magda. Letramento: um tema em três gêneros. Belo Horizonte, Autêntica Editora, 3ª Edição, 2009.
http://letras.terra.com.br/gilberto-gil/1067973/. Acesso em: outubro de 2009.

9 comentários:

Anônimo disse...

Sarsa,

vc foi no cerne do que estamos vendo hoje. Professores totalmente despreparados para a realidade educacional que nos espera. Até mesmo lançar as notas no sistema é para a maioria dos professores um trabalho homérico, oxalá usa a parafernália tecnologica que temos.
Outra problema é que o educador em geral não ganha o suficiente para conhecer ( ter internet em casa, comprar jornal,notebook etc).
Acredito que já tinhamos uma crise na educação e agora ela será maior ainda diante desta realidade.
Outra coisa que o educador terá que lidar será com a nova linguagem que nos apresenta, novos signos de comunicação dentro da própria escrita como (vc,rs,:),:( que muitos alunos conhecem e educadores nem sabem que existem.
Nisto cabe muito bem o trecho do Gil que vc muito bem citou.

Abração,

Hemerson

Alê Marques disse...

"Acredito que já tinhamos uma crise na educação ..." Exatamete!Quando pensa-se que algo está ruim sempre existe o que se possa fazer para piorar!
Já vivi isso durante alguns anos de minha vida como professor. Não sou nenhum expert na informática, mas existe uma massa de educadores que stão toalemnte a merge dessa tecnologia, e isso gera uma desigualdade tecnico-cientifico-informacional.
Mas é preciso deixar claro, o bom professor não precisa nem ter giz, dá aula com um pedaço de carvão ou tijolo, porém não é isso que estamos falando.
O fato é precisamente o letramento, que diga-se de passagem, teve seu conceito muito bem dissecado pelo autor, a questão não é só o letramento do aluno, mas também o letramento digital do professor. Dominar o código e atécnica que lhe serve de suporte.

Marcio disse...

junto me ao coro, você pegou na veia da questão. Excelente texto!

Nilson Ares disse...

É numa dessas que eu estou querendo ser professor, será que vai dar certo?

Hemerson disse...

Sarsa,

criei um de filosofia já faz um tempo com foco em textos de ensino médio direcionado para meus alunos. Hoje meu lance é o seguinte : uso a aula de 40 minutos semanais para falar de um tema e passo o endereço para a galera correr atrás. Espero ir mais longe que isso, mas no EJA é o que dá para fazer no momento.

www.casadacoruja.blogspot.com

numa dessas podemos nos ajudar.

Hemerson

Nilson Ares disse...

Ok, vou acessar lá e te falo!

Abraço!

S. Farias disse...

grande texto e continue assim que vai dar certo sim... em minha pífia experiência como educador cheguei em sala de professor onde o assunto era o último capítulo da novela e quanto custou sua bolsa da louis vutton na 25 de março...abraços e inté.

Raphael Stein disse...

É isso aí, Nilson! Nesse ano, inclusive, adquiri um laptop e uma internet móvel. Como na escola temos um data show, ando pelas salas cutucando a internet e utilizando os foruns de debate, os blogues e inclusive o orkut. O nível de interesse e o grau de desenvolvimento é incrível. A relação do aluno com o objeto ou fonte de conhecimento já completamente outra. Enquanto alguns ainda batem apenas na tecla da intertextualidade, os alunos já vivenciam há muito tempo o hipertexto. Porém, muitos sequer saber que o Orkut que eles tanto acessam, oferece foruns de debate em suas comunidades. Nós trabalhamos com textos que eles escolhem, trabalhamos imagens e adequamos a linguagem para a situação de uso, quando necessário, passando do "internetês" para a norma padrão. O interesse é a fagulha da busca pelo conhecimento. Se a interação comunicativa real, se o contexto é necessário no ensino de língua materna, somente a internet pode trazer à escola o contato com o mundo externo.

Um grande abraço a todos os amigos!

RAPHAEL STEIN

Nilson Ares disse...

Grande Rafael!

É isso aí! Temos que aproveitar esta esteira e dropar nas novas possibilidades.

Abraço!