quinta-feira, fevereiro 18, 2010

Um Novo Prazer Entre as Pernas

Certa vez, acho que em 2008, vi pelo noticiário da televisão que um grupo de pessoas todas peladas, andavam pela cidade de São Paulo enquanto os policiais atônitos se apressavam em cobri-las. Todos além de nus tinham algo em comum, estavam de bicicleta. Tratava-se de uma manifestação contra o desrespeito dos motoristas e a falta de planejamento urbano para com os ciclistas.
Tal manifestação está ligada a um movimento mundial chamado World Naked Bike Ride, grupo que já promoveu manifestações reunindo centenas de pessoas nuas na Finlândia, México, Reino Unido e tantos outros lugares do mundo, sempre reivindicando os direitos dos ciclistas e criticas ao atual modelo de mobilidade urbana.
O fato é que além de ser um prazer pedalar, a bicicleta para muitos também é um meio de transporte que deveria ser privilegiado. Numa escala de prioridade dentro da mobilidade urbana deveria constar primeiro o pedestre, a bicicleta, veículos de transporte de massa e só depois, e por ultimo, o carro.
Calcula-se que numa via por onde passem 450 carros por hora (em São Paulo, com a ridícula média de 1,5 pessoa por veículo) caibam 4,5 mil pessoas pedalando – mas também para finalidades ambientais. Nada menos do que 14% das emissões de dióxido de carbono no planeta vêm do setor de transportes, e a bicicleta é um veículo totalmente limpo.
Para isso os movimentos pelos os direitos dos ciclistas pipocam nos centros urbanos, e aqui na cidade de São José dos Campos não é diferente. Dentre as principais reivindicações está a mais patente, a criação de ciclo vias, principalmente as segregadas, que propiciam maior segurança ao ciclista. Mas existem também aqueles (que é o caso dos World Naked Bike Ride) que acham que as ciclo vias segregadas cerceiam a mobilidade confinando as bikes neste espaço, impedindo que os ciclistas possam também trafegar livremente pelo trânsito, respeitados pelos motoristas enquanto cidadãos.
Estudos indicam que o país encontra-se como terceiro maior produtor mundial de bicicletas, atrás apenas da China e da Índia – deve fechar o ano com uma produção de 5,6 milhões de unidades. As bikes são uma oportunidade de negócio que geram empregos na industria e no comercio, hoje as bicicletarias são chamadas de bike shop e comercializam produtos com alto valor tecnológico agregado (vide o caso da Proshock, empresa que desenvolve suspensão e quadros em São José dos Campos).
A bikes são ambiental e economicamente viáveis e, não só por estarem sempre em contato com uma zona erógena, pedalar é um tesão. Para os que quiserem neste sábado faremos um pedal para represa do Jaguari. Até a ponte depois do bairro Bonsucesso.
Até lá.

9 comentários:

Nilson Ares disse...

Vou de bike, vc sabe... tava morrendo de saudade...

Nelinho 10 disse...

vou de bike, vc sabe... tava morrendo de saudade...

Alê Marques disse...

Eu gosto dos clássicos!!

Anônimo disse...

Pois é, em tempos em que se discute alternativas para a substituição da emissão de CO2 na atmosfera, a bike seria uma das grandes soluções para o nosso planeta, além dela o transporte de massa de qualidade a outra grande solução. Mas antes de tudo é necessário uma "mudança de mentalidade" do homem moderno, que vai de carro até para comprar o pãozinho na padaria da esquina.
Infelizmente no Brasil, nossas cidades, que ainda estão se urbanizando e carecem de projetos urbanos, foram e são planejadas priorizando o automóvel, ciclovias estão em último plano, geralmente estas, quando existem, ligam um ponto a lugar nenhum. SJCampos é um exemplo, aqui na Zona Sul existe a ciclovia da Estrada Velha, que liga o Jd. Vale do Sol ao Pq. Industrial, mas ela quase não é usada pelos ciclistas, 1º porque não liga lugares estratégicos, 2ºporque não está sobre um canteiro onde há uma barreira física, fazendo o ciclista se sentir mais seguro em relação aos automóveis que trafegam na citada via em alta velocidade e em muitos casos desrespeitando quem está em cima da bicicleta. Resultado: quase ninguém usa essa ciclovia.
As cidades brasileiras, além dos ciclistas, desestimulam também qualquer pedestre a caminhar pelas ruas, basta analisar como são nossas calçadas, totalmente desniveladas e esburacadas, não tem padronização nenhuma,um total desrespeito aos andarilhos, como eu, e principalmente aos portadores de deficiência física, idosos e gestantes.
Há + - 2 anos a prefeitura de São José lançou um projeto chamado Calçada Segura, onde essas seriam padronizadas com pisos específicos e niveladas, só que, infelizmente a população não deu muita importância ao programa da prefeitura, que é bom e fundamental, mas como não é obrigatório e não existe conscientização por parte da população, não vingou.
Na prefeitura de São Paulo existe o programa chamado "Passeio Livre", que segue quase os memos padrões do joseense Passeio Seguro, entretanto, lá, é de obrigação do proprietário do imóvel fazer as mudanças propostas pela prefeitura, Resulatado: o ganho para todos, que com calçada nivelada e com piso padronizado caminham num passeio seguro. Por enquanto o paulistano Passeio Livre se estente apenas a grandes avenidas e ruas principais, mas já é um bom começo.
Em relação às ciclovias, as cidades brasileiras ainda estão se alfabetizando sobre elas.
Quem sabe, no século XXII, adquiramos a noção de que é inviável termos um veículo de 1 tonelada para cada habitante no mundo, a não ser que o "reizinho das 4 rodas", tão amado por todos nós, só seja usado de maneira consciente, como em dias de chuva, casos de emergência ou para ir a balada nos finais de semana.

Falow animais da espécie humana auto destrutiva.

Luiz Malaquias

Alê Marques disse...

É isso aí Seu Malaquia!!

Anônimo disse...

boa alê, mas como vivemos no mundo da contradição promovida pelo capital, ficamos entre a cruz e a espada, nesse caso entre a força mecânica, exercida pelas pernas e o macio banco de "corvinha" do nosso fusca, ano 67. Tanto é forte essa contradição que o mundo desde o inicio do século foi pensado pelo e para os carros. No "Brazil", a GM tá vendendo carro a rodo, mais do que H2O no deserto. Diante desse visível contradição sigo os amigos comentadores, mas em vez de ir de táxi, que é muito caro, vou de "mercedão", na companhia de motorista particular, mordomo, e amigos que nem conheço. Só pra terminar, deixa eu tomar aqui minha vitamina alucinógena, meu comprimido à Huxley, meu gardenal feito de mescalina, e pra ficar legal olhando tudo passar rapidinho pela janela, do meu mercedão do mono-oligopólio municipal. E assim a gente vai levando a sorrir, como o belo samba, vendo a mocidade perdida. Abraços Anselmo, Gregório V.

Alê Marques disse...

Diz aí Anselmo, por onde andas?

Anônimo disse...

Ale, tenho andado, entre um quarto escuro e outro.

Anônimo disse...

Ale, tenho andado, entre um quarto escuro e outro.