terça-feira, abril 20, 2010

Ponto Geográfico

Por calendários perturbados da educação, ano passado fiquei no ócio, já no fim. Fui procurar o que fazer. A escola tinha que ir até um determinado endereço para coisas de escola das quais não entendo. O secretário iria ao tal lugar, fui junto, alias, fui com meu carro mesmo, um mil.
Tarefa de escola urbana é diferente que em escola rural. Logo umas oito da manhã, saímos. Dia bonito, paisagem perfeita, bucólico. Passamos por casa de jornalista de fofoca, médico famoso, assombrada. Estrada do Guaxindiba, saída por detrás do cemitério. Paramos no caminho para perguntar se estávamos certos (longa estrada), estávamos, seguimos.
Chegando lá, tinha uma baita descida depois de uma porteira tão falada branca. Olhei, analisei, perguntei para o secretário e fui. Fui, fui. Parei, ele fez o serviço dele e não voltei. Fiquei no meio da descida, agora subida.
O secretário não sabe dirigir, por isso fui junto, ele presisava de um motorista, mas um oficial, que soubesse pegar o barranco. Eu fiquei! Inconformada, longe de socorro, sem sinal no celular, tentei, coloquei tapete, desci e subi denovo, repetidamente, sem atropelar na ré o secretário que tentava empurrar e o carro mil teimava a voltar, e tentei, acelerei, o carro sambou, pneu patinou e eu subi.
Suando, rindo, subi, cheguei na estrada normal de terra. Veja bem, na noite anterior havia chovido pouco, mas forte. A sub estrada de terra, ficou molhada. Mas até aí, só mais um estrada de terra.
Dois dias depois, o secretário tinha que voltar na vizinha daquela casa que tínhamos ido. Um outro professor, instigado pela minha pseudo aventura, foi. Carro lotado, dois professores curiosos, o secretário e eu. Chegamos, descemos, fomos longe, mais do que da outra vez e ... subimos, travamos de leve, mas subimos.
Bom, vai ver que eu sou ruim de volante....
Morando aqui, ando conhecendo muita gente boa, inclusive de prosa: Messias, o faz tudo daqui de casa, é um. Vamos conversar que eu moro numa comunidade  com mais três humanos, seis cahorros, três gatos, nove cagados, uma criação de lesmas e caramujos (com estufa para ovos e tudo), muitas galinhas e uma pá de visitante. Para manter em ordem, Shirley e Messias. E o Messias mora para os lado da tal estrada, depois da porteira, que tem uma descida, que depois vira subida que eu fiquei.
Café da tarde no Emílio, estava lá também o Zé, outro personagem que terá um post só pra ele. Papo solto, todos contando histórias, o Messias começa contar de uma tal descida/subida. Ele mesmo, nascido e criado na tal estrada, já tinha caído, esgorregado, com moto no barranco, a moto continuou na mão dele, ruim foi o chão deixou a roda e foi para as costas.
No batizado do neto do Emílio, mês passado, uma pajero não subiu nem a paú, precisou de quatro homens feitos pra tirar o carro de lá. E narrou mais umas histórias que eu mal escutei porque ria muito. Já sabia que era minha subida, confirmei com descrições da porteira, para direita sobe muito é o cemitério, para esquerda é a estrada que ...enfim, contei da minha aventura. O Messias elogiou. Emílio nem estava prestando atenção, concentrado na ópera que estava rolado de som de fundo, e o Zé disse que devia estar seco, ruim mesmo foi quando ele passou com o chão molhado de fusca turbinado, travou de leve, mas subiu.
Assim descobri como só um simples lugar que eu fui tem tantas histórias por trás, deixou assim de ser um mero ponto geográfico e se tornou parte da história de um monte de gente. Se o ponto fosse gente, ia se sentir importante.

11 comentários:

PIK disse...

São tais personalidades e lugares que fazem a vida ganhar ainda algum significado.Fico contente por você minha cara .

Anônimo disse...

O ponto ia se achar mesmo...

SM

Anônimo disse...

achei que essa bosta de SM não existia mais...

SM maldito!!!!!

Frei

Maria Angélica Costa disse...

Pik, realmente estou conhecendo personagens incríveis aqui. Pessoas também!
SM, não é?! Ia se achar O tal.
Frei, meu querido e saudoso Frei. Não precisava escrever....adorei o elogio!! Prestou atenção muito no texto. Eita...pare de se preocupar com ele!!!

Alê Marques disse...

MAria, eu também já subi o Guaxindiba!Pelo menos tentei!
Subi de 4X4, e falar pra vc, precisa ter muito braço!!Quase que fiquei numa daquelas curvas, a caminhonete atolou, que vergonharde né, atolar uma 4X4? Tive que chamar o trator da prefeitura pra me tirar de lá!
Você teve muita sorte com o seu 1000 básico!Aquele morro tá na bíblia, "é choro e ranger de dentes"
O Frei, como já faz muito tempo que vc não escreve aqui, pensei que fosse vc que não existia mais!

Anônimo disse...

que texto incrível! acho que você deveria largar o magistrado e se dedicar a literatura!

veríssimo que o diga!

Fiódor Dostoiévski

Maria Angélica Costa disse...

Alê, que vergonha!! Eu atolei em uma sub estrada do Guaximtiba, a que é depois da porteira branca!!! A do Guaximtiba passa máquina e tem manutenção da prefeitura...ou seja, vc conseguiu atolar MESMO!! Aiai, imagino a cena....
Fiódor, obridaga, mas desconfiei q vc é um dos meus alunos, quer me ver longe da sala de aula!!!

Alê Marques disse...

Na verdade não foi bem uma atolada..eu joguei a caminhonete na barranceira, aí pra ela não viraR COM AS QUATRO RODAS PARA CIMA resolvi não mexer mais e chamar o trator.
A propósito:
Você agora além de professora de ciencias é juiza de direito?
"Larga o MAGISTRADO"???
Isso tá com cara do Frei, viu?

Anônimo disse...

Anta!

Marcio disse...

largar o magistrado quer dizer largar o juiz.
mas não precisa fazer isso pra continuar com a literatura né?

Alê Marques disse...

Ta namorando juiz agora Maria? quando vc falou que era doutor eu pensei que fossse médico!