domingo, março 20, 2011

Ensaio nº1 - Bixiga

"Poderia falar quantos degraus são feitas as ruas em forma de escada, 
da circunferência dos arcos dos pórticos, de quais lâminas de zinco são recorbertos os tetos,
 mas sei que seria o mesmo que não dizer nada. 
A cidade não é feita disso, mas das relações entre as medidas 
do seu espaço e os acontecimentos do passado..."

Ítalo Calvino, em Cidades Invisíveis







Mais informações sobre o Bixiga aqui e aqui
Clique nas imagens para ampliá-las.

5 comentários:

PIK disse...

Tão moderna e tão antiga onde se encontra a beleza do Bexiga.
Nos meus 23 anos estive numa noite do Bexiga e fiquei bastante emocionado e olha que não era o do Adoniran mais me chamava a atenção.
Lindas fotos.Vc tem talento menina .

Viviani Leite disse...

Obrigada querido!
O Bixiga é um lugar onde se encontra a tradição dos imigrantes italianos junto com a dos nordestinos bem no meio de uma metrópole como São Paulo e com tudo que envolve a vida contemporânea: mazelas e possibilidades. Isto torna o lugar cheio de idiossíncrasias...

PASSANGER disse...

Não existe espaço sem história, a representação espacial vai além do físico.
Pelas suas imagens deu pra reparar que soube captar bem o que se convecionou chamar de rugosidades do espaço; formas, estruturas, processos e função de espaços que se prestavam a determinados fins na história hoje são incorporados e vividos de outra maneira mas sem deixar de ser o mesmo espaço.
A fotografia é um dos devires da cartografia urbana, á fotografia é uma forma de subversão à inteligibilidade e a representação do espaço pela linguagem cartográfica corrente.
O interessante é perceber no espaço um veio narrativo, o lugar também conta uma história, uma história que precisamos de outros suportes para cartografa-la e a fotografia é um deles.
A fotografia desempenha um carater construtivo e autonomo na percepção do espaço que por mais que beire a verossimilhança, ela sempre é o olhar de quem fotografa, sempre sengundo um ângulo, uma luz que chega a recriar o espaço, e mostra-lo de um ângulo que ainda ninguém viu.
A cartografia tradicional não abarca a totalidade do espaço real, o carater autonomo da representação fotografica frente a percapção e a imaginação de quem fotografa e de quem vê a fotografia, é capaz de dota-lo outras possibilidaes de interpretação e sentido.
Gostaria de lhe falar pessoalmente, ando as voltas profissionalmente com a representação do espaço, mas um representação científica, matemática, de engenharia cartográfica, aquela que nos dá régua e compasso para o planejamento urbano.
Mas penso muito na fotografia, e a vejo como uma das mais potentes representação do espaço, capaz torna-lo prenhe de poesia.
Parabéns e mande mais!!

André Luiz Rozaboni disse...

Vivi, endosso as palavras do Piqui, sendo que o Bixiga é lindo de dia, lindo de noite!!!

Viviani Leite disse...

Uau!
Quanta coisa a dizer de uns cliks sem compromisso que fiz num passeio com mais dois amigos fotógrafos numa tarde de domingo, hein?
Xande, vamos lá...
Vejo a fotografia como representação do espaço social, seus costumes, o cotidiano, as relações construídas e aquelas que se já se foram, mas é importante não encará-la como mera ilustração dos fatos, até porque a partir do momento em que o fotógrafo entra em cena já interfere na naturalidade da paisagem. Penso na fotografia como instrumento de análise social, entender o que está por trás das imagens, sabe aquele dito popular que diz que a vida está nos detalhes? Então é mais ou menos isso que me importa ao olhar uma foto, interpretá-la, analisá-la em seus detalhes, enfim, ler a foto...
Lembrei agora de um conto (mas não me lembro do autor), que narra a história de um garçom que tinha por hobby fotografar diariamente o mesmo lugar, no mesmo horário, e fez isso durante muitos anos, eram centenas de fotografias do mesmo lugar. Num primeiro momento, pode ser enfadonho olhar para aquelas imagens, sempre as mesmas, mas com um pouco mais de atenção, pode se ver naquelas repetidas fotos, a ação do tempo, o ritmo da cidade, as idas e vindas cotidianas das pessoas que freqüentavam aquele local diariamente e suas expressões. Viajando subjetivamente nas angústias, mazelas e delícias vividas por aquelas pessoas que foram clicadas pela lente do garçom... Isto é cartografia, não uma cartografia exata, geográfica, numérica, mas uma cartografia humana, que atua de forma rizomática, provocando encontros que modificam os estar das coisas e propondo novas ações, que se tornarão outras e novas ações e assim por diante...
Mas isso quando sou leitora da foto, quando estou clicando o que me interessa são as linhas, as cores, a luz e a sombra. É quase intuitivo e totalmente estético, os detalhes eu só vou perceber depois, e muitas vezes eu não os percebo, percebem por mim...
Putz! Mas isso é assunto pra mesa de bar, acompanhado de uma cerveja bem gelada, que tal?
Vamos que vamos, esta coisa aqui tá inspiradora! To gostando de brincar disso!
Beijokas pra vcs todos e o lance da cerveja é sério, quem topa?