terça-feira, outubro 17, 2006

anos 80: nosso idílio

Anos 80: nosso idílio

Na metade da década de 80 enquanto caminhávamos sobre a ponte do rio Paraíba, para juntos escorregarmos na grama do Centro Comunitário, nas várias folhas das cadeiras (vermelhas), nossas mães desesperadas perguntava aos vizinhos, querendo saber onde estávamos.
Ora chovia, ora o sol era estonteante.
Nunca desistimos. Corríamos, pulávamos, íamos cantando fazendo firulas, comentários inocentes.
Agora pergunto,onde está nossa alegria?
Na corrida do dia-a-dia, para preenchermos nosso vazio.
Mandaremos flores por telefone, renunciaremos carne, comeremos bastante verduras, treparemos uma vez por semana, taparemos nossos desejos mais perversos, em prol de uma estadia eterna no dito paraíso.
Quando sou um bom cão, às vezes me jogam um osso.
É meu amigo, as tardes pareciam mais belas, formosas, as ruas tinham mais alegria.
Era taco, bandeirinha, pega-pega, pé na lata.
Sal na costa do sapo, amarrar besouro na linha, chacoalhar vara de pesca para atrair morcegos, roubar ameixas, esconder nos alpendres das casas obscuras, matar pombinhos, ...
Hoje, a ponte minas gerais e só um atalho que corta um rio, mudaram o rio, eu mudei, nós mudamos, ainda passamos por lá, não percebemos e nem somos percebidos.
Como dizia o Milton “o que foi feito amigo de tudo que a gente sonhou, o que foi feito da vida, o que foi feito do amor”

Abraços

Rei da Vela

Obs: ao chegarmos em casa, as varas de amora já estavam descascadas sob a mesa.
Adivinha, né?

6 comentários:

Olhos Verdes disse...

Que saudades da minha infância inocente e segura.
Esse texto me hipnotizou de tal forma que senti o rio passando por cima do meu pé e fazendo aquela cosquinha geladinha que arrepiou até o fio do cabelo...rsr
Legal Xaê, gostei muito! Saudosista.

Nilson Ares disse...

Pois é, caro amigo...
Mantemos nossa saudade abastecida pelo passado, e talvez nutrimos nossa tristeza com momentos que não voltam mais, com pessoas que se forão, assim como nós iremos um dia. E como herança ficaremos na memória de outras pessoas também.
Um grande abraço.

ComunaPiraquara disse...

By Jô

Não há problema algum confessar sua saudade dos bons tempos que passamos!
Como você tenho saudade dos batizados de boneca. Hoje não se brinca tanto de bonecas. Não se brinca de queimada, nem de amarelinhas... Muita cinza. Tudo ficou cinza.
Impossível não lembrar dos versos do poeta Casimiro de Abreu:

“Meus oito anos
Oh! Que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida,
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!

Como são belos os dias
Do despontar da existência!
- Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar é lago sereno,
O céu - um manto azulado,
O mundo - um sonho dourado,
A vida - um hino d'amor!...”

Anônimo disse...

Caro Rei,
Êta culpa danada que nos persegue. Tentamos deixá-la de lado...mas

Através de nossas lembranças nos encontramos e guardamos para nós o que realmente somos. Gente que apanha depois do desfrute da vida!
Valeu.
Samuel

Anônimo disse...

"Hei anos 80, charrete que perdeu o condutor..Hei anos 80 melancolias e promessas de amor.."
Lembra dessa???
Coronel.

sérgio disse...

A interpretação de nossa própria vivência, armazenada ela em nossa memória, e quando então relatada, talvez seja o relato MAIS AFIRMATIVO que possamos fazer da existência.
Muito bom, Charles -

Abrassu -