terça-feira, outubro 31, 2006

Ciência

Minha ciência conta com tecnologia precária
Para converter a fluidez torrencial da arte em poesia,
A escrita.
Transita à velocidade da saliva
Num nanosegundo em que o paladar processa o sabor.

Provocando arritmia num coração
Disparando versos a cada descompasso
Expelindo a palavra como dos poros, o suor
Um sopro de vida.

Um vendaval interior
Que não se exaure de lembrar o beijo
O gosto da saliva...

Como se frisasse do tempo,
Um momento
Uma pausa constante
Desesperadamente tentando parar a vida.

Num esforço em vão
Que se desgasta
Ávido por superar a precisão do tempo.
Mas o tempo sinaliza com a indiferença de quem não volta,
De quem não pára

E que já passou...

(2003/Nilson Ares - Todos os direitos reservados)

3 comentários:

Olhos Verdes disse...

"O desejo é infinito por natureza e a maioria passa a vida tentando saciá-lo". Aristóteles.

Anônimo disse...

o tempo sinaliza com a indiferença de quem não volta , huum, juro que vi o seu depois que postei o meu.

Máscaras Óbvias disse...

lembro quando sarça me mostrou esse escrito quando estávamos na casa da tia penha, lá em santana. havia algumas correções feitas com tinta de caneta... sarça estava num momento de "turbulência emotiva", inquieto, precisando falar, despejando, então, esse ótimo escrito. na primeira leitura que fiz lá, fiz uma leitura "por alto", superficial. havia gente zanzando por ali, e, perante essa ambientação, não consigo ler coisa alguma concentrada-mente. re-lendo agora, achei-o ( êêê!... ) excelente.