sexta-feira, novembro 10, 2006

E o ônibus lotado...

Estamos diante de uma situação que não condiz com a realidade econômica de cidades do porte de São José dos Campos. Fazem 21 anos que o transporte público corre solto em sanja sem licitação e contratado por meia dúzia de “amigos dos amigos”.
Do outro lado estão as pessoas que utilizam o busão e não tem voz nem vez, a não ser as SAB’s que esboçam alguma tentativa mais são blocos divididos internamente por partidos mandatários da região. A quantidade da oferta de ônibus, além de não atender a demanda é de má qualidade.... e o preço tende a subir. E a galera continua voltando para casa, balançando sacola de supermercado da bunda alheia...
O pior é que a maioria das pessoas que estão lá, enlatadas, calculando qual a melhor hora para seguir em frente para descer no ponto, também querem ter carro particular. É claro...com aqueles carros reluzentes passando a toda ao lado enquanto estamos lá parados esperando o da frente andar. O transporte público é para todos. Só estamos com essa cidade mais suja, fedida e feia, cheia de asfalto, por quê os “bem sucedidos” tem na mentalidade de que o importante é não pegar o busão e cambalear entre as pessoas.
Samuel

8 comentários:

Anônimo disse...

As sardinhas se comprimem nas latas, com saudades do mar livre.
E o mar secou e todas as garrafas ficaram no chão, com seus recados agora sujos de areia. Provavelmente, será mais fácil de serem lidas, todas as cartas de amor, que alguém, algum dia lançou no mar com a esperança de serem ouvidos, ...
Ingrato mundo.

Anônimo disse...

Êta cidade,

de um lado é só carnaval
do outro a fome total

o cidadezinha desigual....Retrato da desgraça da urbanização sem planejamento.
Piquitito.

Anônimo disse...

Se fizer um estudo de origem e dstino para o transporte público nessa cidade, se descobrirá que está todo mundo perdido.

Anônimo disse...

Caro Farias...
Dificil será derrubar este monopólio vitalício.
E a gente vai andando enlatado não menos que os outros(por fora!).
Abraço!

Anônimo disse...

sorte sua que vc tem carro...

ComunaPiraquara disse...

...fazem 21 anos? Doeu!!!

Andressa Capucci disse...

Oportuna reflexão...
Esta semana, viajando à caminho de "vossa" terra (moro na vizinha ainda provinciana Jacarei, e trabalho na Zona Norte de SJC), num não menos lotado ônibus da Viação Jacareí, dou de ouvidos com um cobrador "ativista". Esta empresa, que apesar de oferecer um transporte de qualidade material (os ônibus são bonitinhos, bem diferentes daqueles da Viação São Bento, que rumam para os Altos de Santana, meu destino diário), não deixa de expor seus usuários à condições indignas, com um número excessivo de passageiros. Que outro adjetivo dar para qualificar tal viagem, além de pornográfica? Mas o foco não é esse, e sim o ativismo do cobrador.
Qual não é a minha surpresa diante de tal trabalhador, sempre por mim tão mal visto devido à obcecada conferência das carteirinhas dos estudantes, a incitar os revoltados passageiros da bonitinha mas também ordinária lata de sardinha jacariana, para que ligassem para a empresa e reclamassem das condições de transporte, pois segundo ele, nós sim não éramos impotentes.
Ele me lembrou disso: nós não éramos impotentes. E a lembrança me pegou de surpresa. A quem reclamar? A quem dizer do preço abusivo diante de tão indignas condições? A quem denunciar a tragédia anunciada que representam tantos passageiros dentro de um veículo, sem cinto de segurança, tansitando todos os dias, aos milhares, pela rodovia mais importante do Brasil, só entre o trecho de Jacareí e SJC? A quem expor as dúvidas quanto à concessão de linhas a esta empresa que monopoliza o transporte público de uma cidade de mais de 200 mil habitantes, além de outras concessões intermunicipais em outros trechos do Vale? A quem?
Estava no ônibus, de pé (odeio isso de manhã), apertada, rodeada por muitas pessoas na mesma condição, pensando que muitos deviam estar ali pensando em sáidas individuais, ou seja, comprar o seu próprio meio de transporte e se ver livre de todos aqueles outros seres desconhecidos e mesmo assim tão "próximos" (ao menos fisicamente e na dignidade afrontada). Mas pensei em mim também, atropelada pela frase do cobrador, e ainda assim me sentindo tão impotente. Queria brigar com todos aqueles que nos enganam, mas desci do ônibus e entrei no próximo, pensando em (Altos de) Santana, e (me) pegando (em) São Bento.

Anônimo disse...

Obrigado pelos comentários!
Andressa, é sobre isso tudo mesmo. Tudo corre solto nesse vale, reduto da mediocridade dos governos municipais, amparados pelo governo estadual, que quer por que quer privatizar a rodovia dos tamoios, após a duplicação. Ao invés de propor alternativas de transportes entre as cidades desde o fundo do vale até a divisa com Guarulhos, eles querem é fluidez de produtos até o porto de São Sebastião e "zelar" pelo conforto das descidas até o litoral norte.

Quando tenho oportunidade de utilizar meu carro (que não é nenhum atributo de fetiche)o utilizo da maneira que deve ser, utilitariamente, observando o desenvolvimento de minha cidade. Hoje mesmo perdi o ônibus do trabalho e peguei 2

para chegar até aqui. Gastei R$ 3,80 mais o atraso.
O que critico é o que as pessoas pensam sobre os veículos particulares. Se mais pessoas utilizam o transporte público, exigindo melhorias para todos, evitaremos o uso das vias públicas para os carros particulares, aumentando o fluxo e diminuindo as diferenças. Ninguém é melhor por que pode pagar para ter um honda fit ou outro carro do momento. Nos espaços do busão todo mundo é igual...

Ainda que eu erre, admiro o aprendizado constante da língua, ainda não morri e e continuo a aprendendo a ler e escrever. Agradeço o toque, independente do anomimato.

Samuel