terça-feira, novembro 28, 2006

“O homem que virou suco”



No começa havia uma “harmonia”, entre os homens, ou seja, não existia propriedade privada, porém não existia ganância.
O homem foi modificando o meio, tornando-o mais confortável, automaticamente impondo sua força física, e posteriormente seu poder de influência. Assim criou o estado para legitimar o poder dos mais fortes e sucumbiu toda a vontade coletiva.
Surgiu então o chamado “umbigocentrismo”.
Os séculos se passaram. Das pequenas manufaturas medievais, das corporações de ofício, surgiu no séc. XVIII, a grande revolução industrial, com ela a divisão do trabalho. Com a divisão do trabalho, o trabalho alienado.
Enquanto na Inglaterra, mudavam as paisagens urbanas, com suas chaminés, no Brasil temos o negro na condição de escravos, agora na região das Minas Gerais, fugindo da taca de ouro, do tronco. Esta situação vai até 1888, ai cria-se outro problema, no dia 14 de maio entrar em vigor a lei da vadiagem.
Até 1930, o que sustentava a economia e a grande soma de circulação de dinheiro era o café. Pequenos mascates circulavam pelas ruas dos principais centros urbanos, de Recife a São Paulo, vendendo de tudo, aves, doces, peixes, etc...
Após a década de 1930, o foco econômico era as industrias, ainda que incipiente, e com ela uma também incipiente porém corajosa, classe média. Ora a conta é simples, mais máquinas, menos mão-de-obra, automaticamente menos emprego.
Já na década de 50, a indústria ganhou adeptos, o então presidente JK, trouxe as montadoras, criou estradas, criou Brasília, com as mãos de todos brasileiros, de todas as partes do Brasil, os chamados “Candangos”.
De 50 para cá, houve um surto na industrialização no mundo, o Estado correu para dentro da casa, e se refugiou no banheiro, os resto da casa ficou nas mãos dos estrangeiros, ou melhor, do capital estrangeiro, oriundo de lavagem, fraudes, corrupções... tudo isso dentro de uma ordem bipolar.
O mundo agora é dos espiões - 007 no Rio de janeiro, Capitão América atrás do Crânio Vermelho.
"Os EUA abrem as Asas sobre nós", devoram Allende, Jango, Lamarca. Os marines e a CIA tem o aval das elites locais para entrar e fazer o que bem entenderem.
“Quando sou um bom cão, às vezes me jogam um osso.”
Vinte e um anos de filhadaputice, do caroço do frango machucando a goela, do coito interrompido, dança na corda bamba de sombrinha? O sinal vai abrir?, a banda vai tocar? Vamos imprimir o futuro?, e até o irmão do Henfil já morreu.
“Anos 80 charrete que perdeu o condutor” (Raul Seixas).
Década perdida, a não ser pelo nosso rock nacional, legiões urbanas surgem para gritar a angústia e o descontentamento, Ribamar (Sarney) assume.Nossa economia vai pro saco.
Ano 90: Collor. Quem diria, batíamos bumbo na Rui Barbosa, tragando algum conhaque vagabundo, e entoávamos o Hino: “Collor, Collor, filho da puta, narigudo e cheirador”. Ainda acreditávamos.
Voltaremos a habitar cavernas? praticar canibalismo? Mandar flores pelo tel? Renunciaremos o jogo, o copo com álcool no bar? Trataremos as pessoas como mascotes?

Como diz o Poeta: “fizemos dos olhos uma espécie de espelhos virados para dentro, com o resultado, muitas vezes, de mostrarem eles sem reserva o que estávamos tratando de negar com a boca”. José Saramago

Abraços

Rei da Vela

Um comentário:

Piqui disse...

Boa Charlão!!!!!