quinta-feira, julho 12, 2007

MEU VALE MEU VELHO


É MEU VELHO
MEU VALE TÁ MODERNO
CARRO DE BOI EMPLACADO
E AS DÍVIDA COM OS HOMI DE TERNO

MEU VALE MEU VELHO
ESTRONDO DE PAISAGEM NATURAL
TINHA PURI, TUPINAMBÁ E TAMOIO
E BANDEIRANTE FIRMÔ CORPO NESSAS TERRA.
FOI DE AÇUCAR E BOA CACHAÇA
DO PARAÍBA ÁGUA BROTAVA SANTA
NA TRILHA DO OURO FOI DE TROPA, DE VIOLEIRO
TAMBÉM JÁ FOI DE CAFÉ, JÁ FOI TECELÃO
E DE TRILHO DO TREM QUE VEZ PASSA,
MAS MEU VELHO ESSE VALE, HOJÉ DE AVIÃO

MEU VALE ESSE VELHO
É DO CÉU E DO ESPAÇO
COSMOPOLITA COM HORIZONTE
É DE MÁQUINA MAIS DO QUE GENTE
TANTAS RUA E MUITA PRESSA
E VIA CORTANO OS MONTE

VALE A PENA MEU VELHO, VALE,
FICÁ CORRENDO ATRÁS DO TEMPO
QUE ESCAPA ENTRE OS DEDO
E COME A VIDA DOS VELHO
QUE VIÇO INDA PRESENTA,
IMBORA ROSTO DE MOÇO TÁ CHEIO
DAS MARCA QUE CHEGA COM O VENTO

AH MEU VELHO
NUM SEI SE VALE
SOMO FEITO DE RIO, DE VÁRZEA, DOS CAMPOS,
BAÚ DE PEDRA, SERRA QUE CHORA,
UMA CAMINHA PRO ALTO
E A DO MAR QUE FINDA NA BELEZA DE NOSSAS PRAIA
QUE TEM TARTARUGA, NO MATO TEM MURIQUI.
É BACIA DO RIO QUE NÓIS CARREGA NO NOME.

MEU VALE QUERO VELHO.
MEU FILHO É DO VALE
VELHO DE MEU PAI QUE LUTOU
MEU VELHO, NUM VALE
SER DE PONTA SEM TRADIÇÃO
A GENTE FICA VAZIO
INVADE UM PERTO NO PEITO
DE QUEM É CAIPIRA DE CORAÇÃO.

Samuel Farias
12, Jul, 2007






5 comentários:

Piraquara de nascença disse...

São registros assim que nos dizem lá no fundo do peito que vale!
Vale a pena nascer, viver, morrer, ser do vale!

Um abraço!

Anônimo disse...

A "evolução" do homem.

macaco mata macaco, e o urubu está com raiva do boi.

coronel dentes disse...

POrra Farias, muito bom!
O problema que vocÊ perdeu de declama-lá no REvelando! Gostei do tom coloquial do texto,do falar típico piraquara. Conteúdo e a forma desse poema são do vale, bela marcação regional.
O regionalismo não é só uma territorialidade que serve de palco para uma manifestação cultural. O espaço regional é o significado humano, a produção simbólica transfere valor material ao espaço regional e vice-versa.
A percepção das passagens do velho Vale do café ao avião, para as pessoas que passam por ele, se baliza no glamour, na velocidade e no carisma da técnica do novo vale, esquecem os outros vales dentro dessa bacia. Mas parodoxalmente, é a propria tecnica que nos legou a possibilidade de empiricizar o espaço,de inferir nele, e a união histórica e epstemológica entre espaço e tempo dentro do Velho e o novo vale.

Frei Calvão disse...

velho...vc me fez ter vontade de envelhecer em uma casa de roça com minha patroa noa alto de uma montanha com a capital do vale a vista!!!

Chassi de Grilo O>- disse...

dá uma saudade...