segunda-feira, junho 02, 2008

Depois do Bi

Ontem 1º de junho comemorou o bi centenário da imprensa no Brasil, há exatamente duzentos anos logo após a chegada da corte portuguesa ao Brasil, deu-se inicio a primeira impressão de um veiculo de informação, que prestava a difusão dos despachos do paço joanino fazendo valer as publicações de leis.

Este primeiro jornal era impresso na Inglaterra, não só por que não existia nenhum parque tipográfico no Brasil, mas também pelos mesmos motivos óbvios que fizeram a esquadra da marinha inglesa promover a fuga da corte portuguesa para o Brasil.

Ao tomar conta deste fato fiquei mais uma vez intrigado com a construção histórica da veiculação da informação,e sobretudo da escrita. E qual o esforço do estado joanino no Brasil de torná-la universal, mas mantendo controle sobre essa universalidade.

Isso ocorreu não só com o estado, mas também com as religiões, se percebermos a maioria das religiões que se lançam na pretensa e obstinada tarefa da universalidade têm um livro revelado, que necessariamente no seus primórdios se apoiou na revolução gutenberguiana para que qualquer um que queira praticá-la possa estar na França, EUA ou Brasil, obviamente se valendo da tecnologia lingüística da tradução.

O que não ocorre se caso o meu prezado leitor quisesse praticar uma religião Tamoio ou Yanomami, pois essas religiões não se apóiam em textos escritos mas sim em manifestações contextuais e locais, obrigando o leitor a fazer uma imersão na cultura e na localidade em que se encontra. O que torna a cultura indígena especialmente frágil, e a universalização promovida pela escrita predatória. Isso eu disse em uma aula na semana passada, mas acho que meus alunos não entenderam muito bem.

Em sociedades tribais que não desenvolveram a escrita, as técnicas de memória estava relacionadas a oralidade, ao ritmo, a narrativa, na dança, na musica e no corpo. Mas a pretensa universalidade da escrita possibilitou uma emancipação critica do homem tendo sempre a mão objetividade e o arcabouço teórico universal.

E hoje que Gutenberg já se foi, a imprensa joanina é bicentenária, vejo o que temos feito da palavra escrita dentro de narrativas que não têm mais como suporte o ritmo e corpo da sociedades tribais e nem os tipos de Gutenberg, mas sim a hipertextualidade do ciberespaço.

Como já havia dito para o Farias, Pierre Lévy reconhece a cibercultura como um único espaço propicio para uma nova contra cultura, nos moldes de 68, que hoje faz 40 anos. De certo modo concordo com ele, o que fazemos aqui, neste blog, pode-se considerar contra cultura.

Entendo que isso deva servir de premissa para nossos escritos, e tomando o mote do maio francês, Sejamos incendiários sempre!!

7 comentários:

Frei "Mainardi"! disse...

estou tentando incendiar o blog dentinho, mas o hemerson é o tipo cara que sai cedo com o Pensamento:

-hoje ,todos são obrigados a me dar bom dia!
-hoje a cozinheira da embraer não vai por pimenta na comida,

é complicado, o cara não aceita argumentos contrarios a sua opinião,pricipalmente quando defende a esquerda "falida"do Brasil(põe se curintia ai no meio).

Acho que ele é tipo o cara que lava o carro domingo cedo na rua com a torneira ligada umas 2h,mas, ele é assim , quem sabe se fosse diferente não teria nossa admiração..

La Nave Va disse...

Frei, pára com esse chororô, que porra! não tem nenhuma censura aqui, é por isso que vc ainda escreve essas merdas.

Coronel, concordo contigo, a grande imprensa brasileira ainda é joanina, veiculando despachos palacianos, independente de quem está no trono.
mas fiquei incafifado com essa da escrita predatória... não seriam outros aspectos da cultura colonizadora os predatórios? justamente a escrita?

Hemerson. disse...

Interessante pensar nisso e talvez por isso algumas pessoas negam a possibilidade da voz indígena no Brasil e alimentação o sonho de "socializar os índios", uma vez que estes não fazem parte de sua cultura.
Ainda é importante pensar que apesar de Gutenberg universalizar as letras ele também traz um novo profissional o revisor de texto que irá padronizar a linguagem e substituir o escriba que não seguia uma gramática universal, mas local e muitas vezes transformava a oralidade com suas características.

Hemerson.

Alexandre disse...

Escrever não é facil,Não quis dizer que a escrita é predatória mas o afã universalista dela sim. Também não quero negar a emanciapação crítica, moral, ética, política promovida por ela.
A escrita não determina automáticamente o universal, mas o condiciona. Sobretudo após os saltos tecnológicos dela propria e da linguística após Gutenberg. Penso isto no meu parco entendimento, que pessoas como o Pikitito e o Sarsa teriam outros mais elaborados.

La Nave Va disse...

no meu porco entendimento, acho que entendi. a escrita criou a história, e assim nos tornamos esses seres megalõmanos e adoradores de si mesmos, e demos uma banana pro universo.

Nilson Ares disse...

O debate está interessante.
Gutemberg universalizou o conhecimento com seus tipos móveis.
Aumentando o número de letrados, vozes de indignação puderam ser ouvidas nos libelos colados nos postes, ainda no século XVI.
É o caso deste blog, no qual colamos nossas insatisfações nessa infovia infinita que ainda sem repressão, pelo menos por enquanto.

Abraços,

N. Ares

Anônimo disse...

minha irmã está lendo um livro bem legal sobre tudo isso aí...1808 de um jornalista aí...
S. Farias