quarta-feira, outubro 29, 2008

Tempo Rei



Estivemos com Carlos Nobre, autoridade em mudanças climáticas e podemos constatar o já inequívoco: mudanças climáticas e políticas de mitigação e adaptação poderão ser (serão) afetadas pela crise financeira global e o atual estado da arte sobre a produção científica do tema.
Dentro do estado da arte em ciências climáticas, podemos citar o super computador que o INPE está para receber para rodar modelos metrológicos e climáticos. O INPE, considerado um dos centros de maior excelência em previsão do mundo, com essa nova máquina reafirmará sua posição.
Os modelos serão calibrados para pesquisa de tempo e clima, coisas que são conceitualmente diferentes, e para seu estudo terão que ser modelos também diferentes. Do tempo, o modelo está ligado à resolução espacial e quanto menor a área mais dados serão gerados e mais robusta terá de ser a máquina para o tratamento dos dados. Já para o clima a resolução do modelo passa a ser temporal, pois os estudos darão conta de desenhar cenários de décadas a frente do nosso atual momento. A produção dos dados é menor que no primeiro caso, no entanto a acertabilidade da previsão é maior, pois esse modelo é mais genérico.
Referente à atual crise, existem duas conseqüências para o esforço de mitigação e adaptação a mudanças climáticas, a primeira é que com a retração dos mercados de capitais, a baixa liquidez global e o crescente empobrecimento da economias haverá menos capital para financiar pesquisas e implementar tecnologias mais limpas. Dessa maneira projetos de MDL poderão também sofrer diretamente os impactos desta crise, uma vez que transferir passivos ambientais para o capital, identificando dentro da racionalidade técnica do mercado ferramentas que promovam essas transferência de passivos, e ao mesmo tempo transferência de renda e tecnologia para o desenvolvimento sustentável em países em desenvolvimento, é criar uma estrutura inteiramente vulnerável a essas intempéries da economia global.
Essas vertigens também serão sentidas no campo do desenvolvimento econômico futuro, como por exemplo, na prospecção e conseqüente exploração das jazidas da camada do Pré-sal – este ao contrário do que se supõem, não deverá abastecer as refinarias para produção de combustíveis automotivos e sim sofrerá beneficiamento para abastecer o setor petroquímico, sendo por isso considerado fonte de energia limpa – que com a desaceleração econômica atrasará em pelo menos uma década devido as inviabilidades econômicas de extração.
A segunda conseqüência como bem exemplificou o pesquisador é a de que a retração do mercado consumidor em geral provocará também um desaquecimento da economia, o que por sua vez também fará com que a curva da demanda por energia na atividade industrial também caia diminuindo a pressão sobre o efeito estufa.

Bom, nas palavras do próprio pesquisador, o mundo terá que fazer um esforço conjunto de uma envergadura maior de qualquer outro feito desde a 2ª Guerra Mundial, para mudar a matriz energética, o consumo, a produção e a cultura em geral. E mesmo sabendo que tempo e clima são conceitos diferentes vale mote do tempo, o "Tempo rei, Transformai as velhas formas do viver".

Texto a quatro mãos de Alexandre e Nelinho 10.

11 comentários:

La Nave Va disse...

caraca, mas isso foi um artigo invetigativo! tá no modo lemondediplomatique aí?parabéns aos camaradas! (vou ter de me armar de muita coragem pra continuar escrevendo as minhas bobagens aqui!)

Anônimo disse...

não acredito que os projetos mdl tenham influência negativa com a crise, até porque existe premissas ambientais nos empréstimos estadunidense e europeu para com os bancos...estes estarão cada vez mais ligados em projetos de desenvolvimento sustentável, inclusive em países em "desenvolvimento"... no mais o baixinho ficou até com medo de se aproximar mais do Nobre que é bem alto...vamos aguardar o que vem pela frente...valeu
S. Farias

Maria, Simplesmente disse...

la nave va, imagine como eu ando com vergonha de escrever....esse moço ando muito letrado.
Peguei ele pra me ajudar, pelo menos.

La Nave Va disse...

perspicaz, Farias, perspicaz

La Nave Va disse...

ah, Maria mas aquele seu último tá uma beleza!

Anônimo disse...

Prezados, Fico feliz de ver que estão trabalhando. Não do jeito que eu pensei pois queria tê-los comigo! Saudações rubro-negras!!!SAndra

Nelinho 10 disse...

La nave va: émuita rasgação de seda rapaz, não carece tanto!

Maria: letrado aqui só o Sarsão "o homem das Letras EAD mercador acadêmico"

Farias: perspicas... valeu a contribuição

Sandríssima??? quanta honra uma acadêmica desse gabarito pelas veredas piraquaras. Pelo menos de minha parte o trabalho acontece em duas frentes: o acadêmico puro e esse aqui meio íbrido! valeu a visita!

La Nave Va disse...

rasgar seda é coisa de boiola fervida! tô fora!

é que a parada por aqui é só vitória, a peteca não cai não.

eu ainda acho que a gente deveria realmente operacionalizar o evento comuna, seria tudo mona!

Anônimo disse...

It´s great Gurdura, great!!

Anônimo disse...

sera que o Nobre tomou uma jurubeba com uma rasinha de Velho-Barreiro em seguida?

Anônimo disse...

hahahaha...bem que seria uma bela conversa de buteco hein coronel...na próxima chama ele e eu tbm...sf