terça-feira, março 17, 2009

The Show Must Go On

Não tivesse eu, esta manhã, feito o exercício rotineiro dos sentidos, daqueles que buscam o ideal ascético do perfeito e do belo e que expõem o paradoxo da imaginação e da coisa imaginada. Ou tivesse eu, nessa ascese, parado com as cobiças libidinais, de beber e fumar e girado as vísceras no fractal caleidoscópio de deus, que tudo vê. Tivesse eu, podido manter seu foco em mim esse tempo todo, cuidando de outras coisas ao mesmo tempo. Tivesse eu, em tecnicolor na sua infinita ocular, mostrado o nada que emerge das figuras, como um fundo que se torna a imagem, e de novo, a inocular em outros fundos outras imagens. Tivesse eu, o dom de evocar tal profusão do nada. Ou mesmo, a possibilidade de vê-la, como um conto universal, que narrasse desde os primeiros grunhidos dos falantes, das suas imagens na pedra, de suas imagens de pedra e sua adoração por elas, sempre a invocar os mesmos grunhidos na língua dos anjos. Estivesse eu, neste laboratório fonoaudiológico feito cobaia do espírito santo. Tivesse eu, no alpendre de casa, um Instituto de Pesos e Medidas para saber que todos os espíritos, desde os mais santos, são como uma mala ou uma cadeira. Tivesse, mesmo assim amiúde, o espetáculo não cessaria em minha mente.

4 comentários:

Anônimo disse...

Tivesse eu falado a língua dos Anjos, não recorreria a Torre de Babel.

Tivesse eu na minha casa os alpendres para através de um Voyerismo fuçar a vida alheia, quem sabe não teria TV.

De repente num ato de descrença, emprestaria meu corpo aos guias lá do terrero do pai jacó, e envocaria meus ancestrais.

Quem sabe encontraria o perfeito.

belo texto Trautman

abraços

Pratapreta

Anônimo disse...

Como sempre trabalhando com propriedade a palavra. Pensei muito em que conversamos ao telefone. Por que haveríamos de parar .

Tito.

La Nave Va disse...

perdi bastante coisa por aqui hein? vou levar algumas semanas pra recuperar o passivo comunástico.

Anônimo disse...

Por onde andavas Vanusa..rsrs

Tito