segunda-feira, novembro 16, 2009

100


Comecei a gostar de futebol aos 6 anos. Fazia prézinho no colégio tic-tac, na Mauro Galvão e jogava bola com os coleguinhas.
Antigamente não se dizia qual time torcia, mas sim nos batizavamos com os nome dos jogadores preferidos. Eu era o Silas, pois o Muller e o Careca ja tinham dono e estranhamente, para mim, o menino do outro time era o Biro-Biro. Sei la quem era mas o que valia era fazer gol e gritar...
-Golllllllllllllllll, do Silas para o São Paulo!!!
E o coleguinha do outro time esbravejava não menos fervoroso quando fazia gol..
-Gollllllll, do Biro Biro, é do Curintiasssss!!!!
Ainda não tinha noção total dos times e dos rivais. Me identificava mais pelo meu time por cores, escudo e jogadores. Nem meu pai se meteu nisso. Com o tempo passando, ja com 7 anos vi o São Paulo Campeão Brasileiro contra o Guarani. Lembro me bem de meu irmão pedir para meu pai deixar eu ficar acordado até acabar o jogo.
Em 1987, São Paulo e Corinthians decidiram o paulistão e o São Paulo venceu. O time era realmente melhor naquele ano e o Corinthians chegou a ser lanterna no torneio.
Terminar como vice não era de todo ruim. Também lembro bem de esse ter sido o ultimo jogo que o Dulcidío apitou. Ele passou mau e saiu de campo carregado. Igual a ele apitando jamais vi.
Não via no Corinthians um rival, não tinha colegas na escola que mexiam comigo, na minha familía não tinham torcedores do time. O meu medo era o tal do Guarani de Campinas que tinha um ótimo time e que quase havia derrotado o São Paulo naquela final passada.
Chegou 1988 e o São Paulo mudou muito o time. Tinha o Rojas, chileno, no gol e muitos, muitos meninos no time, uma tentativa de se fazer como em 1985, uma reformulação no elenco.
Mas ai teve um jogo contra o Corinthians, onde perdemos por 2 a 1 e um tal de Ronaldo, jovem goleiro do Corinthians, havia substituido Carlos( goleiro titular do time e da seleção na última copa)e defendido ja na estréia um penalti batido pelo já monstro consagrado Dario Pereyra, zagueiro uruguaio e capitão do São Paulo. Havia uma certa euforia no dia seguinte e eu pensei...
-Quem é esse Corinthians???
Passada a primeira fase do campeonato, chegou a final do Corinthians contra o Guarani(que inclusive havia eliminado o ótimo São José treinado na época por Leão).
Decidi torcer para o Guarani, afinal ele não havia vencido o São Paulo e no primeiro jogo da decisão, Neto(futuro idolo alvinegro) tinha feito um lindo gol de bicicleta.

Pensei: é Justo torcer para esse time..ele é melhor.
E o jogo começou, O Guarani pressionava, pressionava, mas parava no jovem goleiro Ronaldo.

Já o Corinthians chutava pouco ao gol e ficava mais com a bola. Coisa de time grande , se protejer, manter a posse de bola e não se abrir para contra-golpes de um time adversário empurrado por um estádio lotado.

Fim do tempo normal. Começa a prorrogação...
E um tal de Viola desvia um chute torto do Wilson Mano e pega o goleiro do Guarani, Sérgio Néri no contrapé. Corinthians 1 a 0.

Começou um foguetório que eu não entendia nada!
O São Paulo não ganhou, Porque os foguetes?

Acabou o jogo e o foguetório não aumentou, dobrou!!! Estranho que eu não estava feliz. Não achava justo o Guarani ter perdido aquela final. Achava que tinha que ter outro jogo ou mais tempo nesse, sei lá, não aceitava o resultado final.
Mas o Corinthians ganhou e foi o campeão paulista de 1988.
Ali para mim nasceu um rival, o time a se odiar, a torcer contra, a bater em quem torcia pra ele, a dar apelidos e piadas sem graça.
Imagino que para os colegas de minha idade, inclusive daqui do blog,o campeonato de 1988 foi o verdadeiro 1977.
PS: texto em homenagem aos colegas colaboradores desse blog, torcedores desse time centenário já hoje até setembro de 2010. Futuramente postarei um texto bem especial sobre o campeonato de 1990.

17 comentários:

Alê Marques disse...

Acho que você tem assistido muito " Grandes Momentos do Esporte" na TV Cultura!! Aquele que passa um "Vale a Pena Ver de Novo" do futebol.
Parece uma transcrição que vc fez vendo o programa domingo, sentado no sofá, copão de coca-cola do lado, com o prato de macarrão na mão e um bloquinho na outra pra tomar nota da fala do comentarista.
Mais enciclopédico e almanaqueiro que isso eu nunca vi!
A propósito, qual era a cor da cueca do artilheiro do São Paulo no campeonato de 88?? É uma informação estratégica. Pra mim vc pecou nisso, ao reter informações valiosas como a da cueca neste texto!

Maria, Simplesmente disse...

Neto jogadorrrrrrrrrrrrrr e salvadorrrrr de crianças afogadas.

Sou Corinthiana roxa e não sei cor de cueca de jogador brasileiro, só europeu...

Anônimo disse...

Aí, André.

Se esforçou e sua escrita melhorou.

Assumir as dificuldades e tentar superá-las não é vergonha pra ninguém.

Talvez isso tenha me chamado mais a atenção do que o próprio texto, mesmo sendo sobre o meu grande amor.

Gostei da atitude.

S. Maia

Anônimo disse...

Maia Anônimo,

como gosto de tua presença metafísica ao nosso blog,mesmo sabendo que talvez seja uma alma a pairar no ar. Penso que vc seja alguém que devemos respeito pelas qualidades de sua escrita e me prostro diante de ti por ser o juiz da qualidade de quem escreve.
Gosto da tua humildade, do ser jeito de pensar e gostaria de tê-lo sempre aqui, aliás, teus comentários são por demais enriquecedor ao blog.
O vejo como moderador de nossos contéudos e pq não dizer o Oráculo de Delfos a nos mostrar o caminho.
A benção Maia Anônimo.
Hemerson

Anônimo disse...

Gosto de ironias assim, Hemerson.

Ultimamente lançaram uma moda de escrever "ironia on" e "ironia off" para caracterizar esse discurso.

Sobre a benção, bem... Aqui sou um excomungado.

Abraço.

S. Maia

Hemerson disse...

Gostaria de te conhecer e fique sabendo que eu pessoalmente não lhe excomunguei e vc sabe disso.
Trouxe popularidade e como vc me conhece sabe o quanto gosto de disso.Desta forma, só posso lhe ser grato.Tenho é medo de me apaixonar. Este teu anônimato me desperta desejos improváveis, nonsense.

Maria, Simplesmente disse...

Maia e Hemerson, para por aí que a vida de vcs não é por aí...ironia sim, paixão não. Maia é proibido até pra mim, Hemerson, pra vc então.....afe!!!
Maia, o André é um amor, só é ogro...
Vamos no escritório sexta? Ia dar uma ótima conversa, sem contato físico, ainda mais agressivo!!

Hemerson disse...

Maria. Eu quero um aperto de mão.Agora, a paixão pode acontecer e é inevitável.Como vc conhece , pode nos apresentar.

Anônimo disse...

André, é por isso que gosto de seu conhecimento, mesmo enciclopédico...ninguém mais do que você para escrever assim.
Em 88 só me lembro de pedir para minha mãe um dinheiro para comprar o poster...ela num deu e desenhei com maestria meu primeiro escudo do Coringão, que ficou grudado até 90, quando aí sim, saímos de casa para comprarmos um poster, que saudades....valeu a homenagem e continue assim. abraços. S. Farias

Anônimo disse...

Ô louco, Hemerson.

Na boa, sem preconceitos. Mas eu estou é no campo dos apreciadores das curvas femininas. Assim... mais me agrada o convite da Maria.

S. Maia

Marcio disse...

Vocês tão precisando é de porrada! virou tudo bambi nessa joça? eu hein...

Nelinho 10 disse...

André... crie vergonha nessa sua cara lavada e retire o título e a imagem do Corinthians imediatamente desse post. O senhor tentou falar do Corinthians, ou algo parecido não foi feliz, puxando o saco e citando o sp mais uma vez! Só lamento!

Alê Marques disse...

É isso aí Maia, o Ratzinger aqui é o Hemerson, o prefeito para doutrina da fé piraquara. Se ele não te excomungou então tá liberado, vc vai pro céu!
O problema são aqueles já julgados por apostasia e heresia literária.
Esses, ele bani ou é a fogo da contra reforma.
Saiba que existe um Santo Oficio em pleno exercício neste blog, cuidado pra não terminar como seu homônimo Giordano Bruno!

Anônimo disse...

Sempre quis a companhia dos hereges. Só não me julgo merecedor. Ainda.

S. Maia

Hemerson disse...

Caro Alexandre,

me admira muito esse seu discurso falacioso que você transa com seu próprio personagem. A longo prazo, perceberá que a intolerância cabe muito dentro de sua persona. Afinal, por vc nosso André não estaria no blog, a contrário de todos que fazem parte dele.
Agora , outra coisa, o senhor como educador tratar teu amigo de sextas de iletrado, para mim , é pior do que mandar tomar no " ".Admiro muito tua escrita, tenho um respeito muito grande quando tratas a palavra. Mas agil, mesmo que não seja capaz de assumir, de maneira pedante em relação ao nosso amigo. Desta forma, o que lhe incomodou foi ter colocado uma votação em que ninguém se absteve e o senhor se achar vítima disto tudo.
É bom lembrar, novamente, que se tanto o senhor André ficou fora, foi puxado pelo Senhor.
Gosto que o André escreva aqui, pois antes de tudo , nossa amizade está acima de tudo, mais o teu teor de pedantismo o chamando de iletrado me causou bastante mal estar. Talvez minha formação não esteja dado a tal tipo de colocação, ainda preferiria o vai tomar no cú.
Hemerson

Nilson Ares disse...

Puta merda, ninguém mais comenta o texto...

Hemerson disse...

Nilson,
prometo-lhe. Isto não acontecerá mais, ao menos de minha parte.
Hemerson