terça-feira, dezembro 08, 2009

Água de Beber, Camarada


Hoje, antes mesmo de chegar à via expressa do Tietê a caminho de São Paulo tive que voltar. Ouvindo o rádio (este fundamental veículo de informação, que faz parecer que aqui em SJK não existe nenhuma emissora capaz de prestar informação de interesse público, e não do público), recebi a precisa e fundamental informação que vários pontos da marginal Tietê e Pinheiros estavam alagados. Tietê e Pinheiros, exatamente o itinerário programado para este dia.

Ironicamente o motivo pelo qual me levava a este lugar também era a água, exatamente a mesma que me fez voltar do meio do caminho frustrando a expectativa de uma reunião a respeito da mesma, na secretaria Estadual do Meio Ambiente, que fica em Pinheiros. Uma área, assim como a totalidade da cidade de São Paulo, extremamente adensada e com declividades também muito acentuadas.

Pelo pouco que conhecemos, desde criança do ensino fundamental, a água na natureza perfaz um ciclo, o chamado ciclo hidrológico, não precisa ser nenhum especialista em hidrologia urbana para intuir como a água veio parar naquele lugar. Contraditoriamente, a metrópole que necessita de cada vez mais de água, a ponto de ter em seus planos a transposição de água de nossa bacia hidrografica, estava hoje debaixo d’água.

A região metropolitana de São Paulo tem uma perda no sistema de distribuição de 40%, como se não bastasse tem um indice percapita de tratamento de efluente doméstico bem aquem do desejado. Ou seja tem pouca água, perde-se muito na distribuição e o que sobra está poluido. Mas hoje presenciei uma outra forma de desperdício, a interferência antrópica no ciclo hidrológico.

A região apresenta declividade e uma grande área impermeabilizada, esses dois componentes do alagamento, são grandezas exponênciais. Toda vez que aumentamos um dos dois dá problema, os dois ao mesmo tempo dá a maior merda. Com isso a energia sinética da água(m/s2) aumenta a quantidade de água, chegando cada vez mais em menos tempo em uma dada área(A2).

Se recordarmos nossas aulas do fundamental, vemos que o homem com isso interferiu drásticamente no ciclo hidrológico, evitando que a água percole no solo fazendo a recerga do lençol freático, alimentando os rios e restabelecendo o ciclo. Dessa maneira temos um cenário esquizofênico, nos períodos de seca faltará água, e no verão teremos alagamentos. O problema da água na região metropolitana de São Paulo são basicamente, tratamento de efluente e a lógica de uso e ocupação do solo.

Teria que se inverter pelo menos um dos dois, mas é mais barato transpor água e adiar o problema. Para o tratamento e distribuição deste bem, uma das saídas era quantificar o quociente de assimilação e de auto depuração do corpo d'água, emitir títulos ou Certificado de Lançamento Reduzido(CLR) no valor da capacidade dde auto depuração e cormecializa-los para os individuos que exercem atividades econômicas na bacia hidrográfica. Criando um vetor dentro da racionalidade técnica do mercado de Serviço Ambiental, de igual direção, intencidade mas de sentido contrário ao vetor degradador. Uma vez que forçará dentro do mercado de serviços ambientais uma queda do lançamento de efluentes in nautura, já que ficará mais caro poluir, e em contra partida poderá se criar ativos para o não poluidor.

A água que se vê nos alagamentos poderia estar nas torneiras das casas da região metropolitana de São Paulo, se não fosse os erros históricos, e a falta de planejamento tendo como base a hidrologia urbana local.

18 comentários:

Maria, Simplesmente disse...

Querido, eu não voltei, fiquei presa na entrada de São Paulo em um ônibus com mais de quarenta crianças mijonas!!!
Nem vou postar nada aqui sobre isso para não atrapalhar a leitura do seu maravilhoso texto/aula!!!
Maravilha le-lo, direto de dentro de uma nuvem cheia de água dessa bacia que anda no caminho da capital, mas isso não irá acontecer, agora q temos o senhor como futuro secretário do Meio Ambiente.
(estou dormindo em SFX para uma barreira não cair em mim, a pedra quase caiu!!!)

Marcio disse...

e tome medida paliativa. O que mais me impressionou foi ver aquela calha do Tietê cheia até transbordar. Aquela calha é enorme, quando o rio tá na vazão normal parece impossível aquilo encher, mas encheu. Como vc disse bem, se não atacar o problema de frente, é só dinheiro que vai pro ralo.

o problema da vazão do água do Tietê se repete na vazão dos carros nas suas marginais: estão transformando todos os canteiros em pista (+ impermeabilização), a marginal vai ter 20 pistas, ótimo, genial Kassab, e agora diz onde esse transito todo vai desenbocar??

pratapreta disse...

Simbora, que é tempo d'agua!

Nelinho 10 disse...

tá, o tecnicismo é explicativo mesmo, mas não concordo com parte da afirmação, afinal sabemos que o escoamento superficial é que é o responsável pela inundação urbana, uma vez que o solo está quase que totalmente impermeabilizado, contudo não percebo como o tratamento dos efluentes urbanos podem minimizar enchentes em áreas de adensamento urbano exponencial com rios canalizados.
Vê-se que as mudanças nos regimes das chuvas são cada vez mais severas e que os picinões não dão mais conta do recado. Talvez uma reformulação no sistema de águas pluviais seja necessário, mas não vejo relação entre o tratamento de efluetes e o fim das enchentes, porém quanto a transposição não há o que dizer.
SÓ O TRATAMENTO DOS RESERVATÓRIOS BILLINGS E GUARAPIRANGA, ATRELADO A RECUPERAÇÃO DAS NASCENTES E APPs URBANAS É QUE DARá CONTA DE ABASTECER A GRANDE SÃO PAULO COM O MÍNIMO DE AUTONOMIA; e que cesse a especulação de transposição do Paraíba do Sul. Isso é ridículo, apesar de economicamente mais viável que cumprir as determinações do Código Florestal, CONAMA 316 etc...

Alê Marques disse...

Caro Samuelzinho, não disse que o tratamento de efluente doméstico resolverá as enchentes, mas sim que ele é uma das saídas para o problema da água em São Paulo.
E dentro do problema da água em São Paulo a enchente é só uma parte.
A falta de água na região metropolitana parte se dá pelo uso e ocupação do solo, que causa a enchente, impactando na disponibilidade hidrica, tratamento de efluene e perdas no sistema (40%).
o texto trata da ironia de uma cidade que sofre com a escassez d'água,a ponto de querer transpor de outras bacias, e que vive alagada em época de chuva.
Parte da água que ela necessita ora está poluida ou tem o seu ciclo alterado fazendo alagamentos.

Andrézão disse...

Frequento a cidade 2 a 3 vezes por mês desde 1999. Ao contrario da década passada onde tinhamos de 5 a 10 enchentes de alta proporção por ano no local das marginais, essa foi,desde o fim das obras das calhas do tiete em 2005, a terceira vez que isso aconteceu. A melhora foi significativa, porém o mau planejamento urbano de construção e zoneamento da cidade de décadas(e até um século ou mais...)não permitira jamais uma solução.

S. Farias disse...

estava lá também...fiquei desde às 7 até as 14 no busão, cheguei no tietê, depois de ter escutado eldorado e trans por horas e o motorista não desistiu...cheguei a presenciar cenas do fim do mundo, olhando aquela quantidade enorme de lixo fazendo o percurso do rio, como cardumes de merda e plástico...sobre a aula aí em cima, tinha ouvido no sábado e foi a primeira coisa que me veio a cabeça quando estava naquilo tudo. O problema nos reservatórios citados acima ainda se agravam com uma população de 700 mil no entorno, que inviabiliza a gestão dos mananciais e também é por isso que eles querem resolver o problema com a água que verte daqui...valeu coronel.
ps: cheguei com 5 horas de atraso no compromisso e fui muito bem recebido, que demonstra certa "adaptação" dos metropolitanos àquele caos...

Maria, Simplesmente disse...

Eu gosto do projeto da China, que deixou o rio Tiete deles respirar e desviou todo transito para outro lugar longe do antigo Centro. É lógico que oq eu sei de tal projeto é oq aparece na mídia e só pra constar na China o Google é controlado!
Mas me pareceu um bom projeto.

Agora, André, só pq parou de lagar a marginal, não quer dizer que não é um absurdo deixar como esta ou continuar com o projeto atual. O mal da humanidade é o homem e seu egoísmo! Se parou de amaeçar seu carrinho e seu bem estar, dane-se o rio? Pare com isso.

Nelinho e Alê, continuem a discutir! Me dá vontade de estudar um pouco mais!Vcs porderiam na confraternização que aparentemente não vai ter fazer uma mesa redonda.
Porém eu não entendi pq o Sr. Nelinho argumentou contra o texto.
Qdo o transito para por causa da água e São Paulo paga milhões para obter água, não há ironia maior que essa.

Nilson Ares disse...

Me abstenho do debate por insuficiência intelectual.

Att.

Maria, Simplesmente disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Maria, Simplesmente disse...

A adptação ao CAOS, Samuel, para minha pessoinha é a primeira trombeta!!! Segura aí pq estamos no fim, ainda bem!!

Anônimo disse...

Nilson Ares se absteve do debate? Veja só... Deve estar trabalhando em algum poema fundamental à civilização.

S. Maia

André Luiz Rozaboni disse...

Maria, primeiro que não vou a SP de carro,uso muito bem de metro, onibus e taxi quando o bixo pega...
Segundo, seria legal se São Paulo ou mais precisamente a zona norte e a marginal que é o foco da discussão, fosse igual a 9 de julho onde desfilas sua bela bundinha de veludo, pois se trata de um lugar geograficamente menos favoravél a incidentes dessa natureza e com um planejamento urbano mais simples e planejado , até pelo menor numero de habitantes em seu entorno como foi muito bem-lembrado pelo colega Farias. Se para resolver os problemas da metrópole e do seu famoso rio fosse necessario excluir as marginais do mapa e aquele povo do seu entorno eu seria o primeiro a ir com o rastelo pra cima, pois gosto daquele lugar tanto quanto os filhos de lá!! Acho dificil, mas gostaria que o tiete de SP fosse o mesmo de araçatuba!!

Maria, Ja viu o Tiete em Araçatuba?

PIK disse...

S.Maia quando o Sr Nilson se eximiu da discussão quis dizer que não meteria o bedelho num assunto que muito bem foi mandado pelo Alexandre.
Em relação ao texto elucida muito bem e de maneira técnica o problema com o Rio.
Tive a possibilidade de pescar em Araçatuba neste rio , além de ir naquilo que eles chamam de praia , pois forma uma grande represa maravilhosa e bem límpida. Pensei, como a mãe natureza mãe é boazinha.
Agora, venhamos e convenhamos, quem realmente paga o pato é a população mais pobre que por não ter condições acabam fazendo barracos nas proximidades deste e de outros rios. Nós " SOFREMOS DENTRO DO CONFORTO", pois para nós o lance é sempre temporário.

Nelinho 10 disse...

Sra. simplesmente talvez não tenha entendido a argumentação porque talvez não tenha lido com mais atenção esse trecho do post:

[...] O problema da água na região metropolitana de São Paulo são basicamente, tratamento de efluente e a lógica de uso e ocupação do solo.

Teria que se inverter pelo menos um dos dois, mas é mais barato transpor água e adiar o problema [...].

O que leva a crêr que ao inverter pelo menos um dos dois problemas seria possível resolver o problema das enchentes, enquanto que a raíz do problema da enchente urbana na zona norte de são paulo não é a falta de tratamento de efluentes e sim uma junção de fatores como: solo adensado e impermeabilizado, deposição de resíduos sólidos e determinantes fisiográficas peculiares a áreas de várzea e taludes. acho que é isso aí!

Maria, Simplesmente disse...

Ta bom, Nelinho, lavei minha boca por não entender tu, tatu!!!

SM, para de provocar e faz um blog pra vc! Prometo acessar todo dia e deixar comentários legais!!! :)

Alê Marques disse...

Eu disse o problema da água e não o problema da enchente, panguá!!
A enchente faz parte do problema da água.

Anônimo disse...

Quem anda em bolo é fermento como ja dizia o cascão.

É apenas reação, gente. REAÇÃO!

Quando me virem começar podem xingar, mas me permitam revidar.

Abraço.

S. Maia