terça-feira, dezembro 01, 2009

PEDRINHA, a Saga. parte 1 de 3


Esta é a estória do menino Pedrinha, que sucumbiu aos tenros catorze anos de idade em plena juventude e nem tanto vigor físico assim, após ter sido virtualmente alvejado pela polícia local numa perseguição que jamais será esquecida nos arredores e cercanias daquele lugar.
Mas tudo começou mesmo alguns anos atrás, mesmo antes dele ser escarrado ao mundo pela genitália de sua progenitora.
Contextualização Familiar
A mãe: Lourdes Medeiros Silva, dezesseis anos completos, viciada em craque desde os doze, evadida escolar e grávida.
O pai – possibilidade número um – José Carlos Fonseca, dezenove anos, segurança de boate, primeiro grau completo na Escola Estadual Dr. Oswaldo Cruz, mora com a mãe num barraco na zona periférica da cidade.
O pai – possibilidade número dois – Marcelo (sobrenome desconhecido), atende pelo pseudônimo de Chamburcí, vinte e dois anos, atua na profissão de avião da boca de tráfico do Zelão, domina os rincões da Zona Sul abastecendo garotos de classe média alta com a melhor cocaína da região. Escolaridade: nenhuma.
Lourdes saia com os dois ao mesmo tempo , pois viva duvidosa entre a possibilidade de um relacionamento fixo com um homem de bem, trabalhador e honesto – caso da possibilidade paterna número um – e o fornecimento de droga gratuito, além do reconhecimento popular e uma pseudo segurança no lar – possibilidade paterna número dois . Acabou engravidando e nem ela, nem os pretendentes ao título de “pai do ano” sabiam a quem pertenceria a criança que estaria por vir.
Desesperada, Lourdes procurou Zelão e pediu que lhe fornecesse toda droga que o dinheiro que ela tinha no bolso de traz da calça jeans Lee – presente da possibilidade paterna número dois – pudesse comprar. Tomou o caminho de casa com a maior quantia de craque já tinha visto um dia. Pipou tudo sozinha. Ao terminar, já alucinada, provocou uma discussão com um mendigo, ofertando-lhe sexo gratuito e negando-o em seguida.
Ao enfurecer o rapaz veio o pedido: – Esmurre essa barriga! A criança que vive aqui precisa morrer antes de sair! E a cada soco que levava, Pedrinha revidava lá de dentro. Assim foi germinando sua tendência aos comportamentos violentos que seriam observados ainda na creche, quando não pedia lanche aos colegas, mas furtava lancheiras e agredia com voracidade aqueles que tentassem ou mesmo pensassem em delatá-lo a tia responsável pelo maternal II.
Ao nascer, Lourdes teve de cuidar dele, pois apesar de não desejá-lo não teve coragem de matá-lo, jogá-lo no lixo ou simplesmente abandoná-lo em qualquer greta ou sarjeta das alças brancas da cidade.

Continua...

créditos da imagem: O Ilustrador: oilustrador.blogspot.com


P.S.: Gostaria de pedir a colaboração dos comunas para NÃO PUBLICAREM textos entre hoje, amanhã e quinta, pois pretendo postar no blog a continuação da estória.

6 comentários:

Alê Marques disse...

Vamos ver onde isso vai dar.
Go on!

PIK disse...

Nelinho,
seu lateral viadinho, vai que sua.
PIK.

Anônimo disse...

Aí Pedrinha, depois de fazer um curso do SENAI, torna-se torneiro mecânico, arruma emprego numa empresa qualquer, arranca um dedo numa prensa - que é o melhor custo x benefício da tabela do INSS - e vira líder sindical.

*Agraciado com o prêmio do festival internacional de cinema da serra da canastra. O famoso prêmio "Queijo de Nozinho".

Maria, Simplesmente disse...

Cade a continuação? Fiquei curisosa se o Pedrinho morre mesmo ou é um flashforwd que volta do momento em que ele leva os tiros, mas daí ele sobrevive.

pratapreta disse...

Pedrinha virou Antônio Conselheiro ou o Joaquim Preto?

Morreu de soluço, ou sapecado num canto da São Geraldo?

Que nada esse aí é o pixote (sem pedra, é claro, em 80 não tinha), cadê a Marília Pera?

Anônimo disse...

sinto muito ter entrado só agora de ler a segunda...ótimo caro chará...ótimo!!! S. Farias.