sexta-feira, maio 21, 2010

Vade Mecum


Faço idéia daqueles que por algum motivo se lançam na pesquisa de alguma fonte primária em arquivos públicos. Arquivo público do Estado ou mesmo daqui do Município, que diga-se de passagem, é um lugar interessante de se visitar, como o fiz após o almoço de hoje.
Quem assim o puder fazer, terá contato com uma série de publicações do início do século passado, documentos, atas, leis, até anúncios de revistas e jornais. Tive a oportunidade de ver anúncios de revistas, de “campanhas publicitárias” da chegada da energia elétrica em São José. Pelos anúncios dava pra se ver o imaginário que a eletrificação da cidade suscitava, o ideal de desenvolvimento, a emancipação, o fim das trevas, o aumento das condições de salubridade. Acho que deva ter sido a partir daí (não sou historiador), que a cidade passou a ter visibilidade da para mundo moderno, para os anseios da modernidade.
Incrível saber que existe um espaço físico onde ficam guardados registros materiais de nossa história e cultura, onde se tenta conservar esses documentos pelo maior período de tempo possível, como se pudessem ser eternos e infinitos. Qualidades que remetem a um universo que me persegue, o da Biblioteca de Babel, de Borges.
Se o Comuna Piraquara fosse publicado em algum periódico impresso na época, com certeza estaria disponível alguns exemplares no arquivo público para consulta. Hoje poderíamos saber como um grupo de pessoas há cem anos interpretavam o seu mundo, poderíamos dissecar o imaginário inerente a sua época, assim como o da eletrificação, os seus signos, suas trocas simbólicas. Seria fonte primária de pesquisa, manancial documental em que historiadores poderiam se debruçar e interpretar o nosso momento histórico.
Mas daqui a cem anos que “escafandrista” explorará estes escritos, os nossos de hoje? Em que prateleira ostentará o Comuna, este Vade Mecum de nossa pós-modernidade joseense? Existirá algum espaço que abrigará o que escrevemos aqui?
Sim, existirá! Daqui a cem anos estes escritos estarão todos na Biblioteca de Babel, onde se encontra todos os livros do mundo, de todas as línguas, inclusive das extintas e daquelas que ainda surgirão, toda alegoria, toda criptografia de documentos secretos ou de pensamentos insondáveis, onde estão todas as histórias, todos documentos, todos os sons, todas as imagens, e quem sabe..o nosso imaginário e nossa época.

9 comentários:

Anônimo disse...

Chapei!

SM

Anônimo disse...

É Trautman, quando lá pelos 12/13 anos, ouvia e lia algo sobre 2001, (coisa de HQs), achava muito distante, praticamente impossível.

Assistia Blade Runner, com um hídrido de medo e fascínio.

Pois bem, 2010 praticamente está na metade.

A ampulheta está doida, (e eu também), pois não sabemos mais quanta vezes ela inverteu sua posição.


Vai saber!

abraços

Prata

Nilson Ares disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Nilson Ares disse...

Caro Coronel,

Todos os nossos textos caberão em um disco de Blu-ray gravável que alguém vai achar nos escombros do futuro, e os transformará num e-book para ser baixado da WWW.
Mais uma coisa: Charles, 2001 se refere ao livro homônimo de Arthur C. Clarke que não tem relação com HQ´s.
Cara, outro dia assisti Blade Runner: que chuva constante, era aquela?

Ando meio replicante por estes dias.

É isso.

Maria Angélica Costa disse...

Será que somos ou seremos dignos para estarmos na biblioteca de babel?

Marcio disse...

Dignos ou indignos, tudo vai estar lá.

Alê Marques disse...

Dignos ou indignos
Apocalípticos ou Integrados
Nós já estamos lá!Pois o que é a Biblioteca de Babel se não uma metáfora da www escrita por Borges, este bruxo, há mais de 60 anos?

Anônimo disse...

Nilson, Valeu do toque!

Sempre associei 2001 e HQs, não sei porque. Acredito que vi alguma capa de algum quadrinho, ou uma série, não me lembro.

Mas vou continuar associando 2001 e HQs, me conforta, faz bem para mim.

Abraços


Prata

Maria Angélica Costa disse...

Alê, então vc acha mesmo que lá jpa estamos....? Interessante.