sexta-feira, abril 15, 2011

A insanidade do tempo

Os objetos sobre a estante causam-me repugnância

A ferrugem do portão revela que o tempo corroi a vida (a memória)

Os telhados velhos e encardidos mostram a poluição deixada pelo tempo

A casa só será novidade aos novos moradores

Eles entrarão alegres com sua juventude

Recém-casados ouvirão o arrulhar dos pombos nos telhados

Acharão graça neste detestável ruído sonoro todas as manhãs

Pobres pombinhos humanos

Mais tarde suas crianças nascidas do prazer imensurável do sexo

Brincarão no subir e descer das escadas

Achando a casa uma grande novidade

Pobres pirralhos, não vêem ainda o envelhecer

A casa de fato não envelhece

São homens, José, a humanidade

A estante, o portão , os telhados

São atemporais por natureza

PIK

2 comentários:

Nervo Ótico disse...

Mas essa foi de franco atirador hein? Achei realmente sublime!
Precisão, leveza, é de uma mansidão e ao mesmo tempo de uma desesperança..Impregnado de humanismo, de uma carga existencial..
Não sei, mas me tocou muito, penso nisso as vezes mas nunca sobe sintetizar dessa maneira.
Sem querer filosofar, mas, a questão do tempo e do Ser é transversal ao texto.

Pobres pirralhos, não vêem ainda o envelhecer
A casa de fato não envelhece

São homens, José, a humanidade

A estante, o portão , os telhados

São atemporais por natureza

BRAVÍSSIMO!!

Anônimo disse...

"o significado é o uso."
Wittgentein


Prata