A morte veio lenta e silenciosa
Tocou-lhe o rosto de barbas falhas
Veio à noitinha, sorrateiramente
Uma ladra à meia-noite
Afagou-lhe a cabeça
Na proximidade do tumor fétido
E como uma mãe carinhosa
Beijou fortemente a face
Parada ali ao seu lado
Feito vela a clarear o quarto
Mantinha seus olhos fixos
Por toda extensão do teu corpo
Perante o sofrimento
Por piedade fraternal
Tragou-lhe o ar que ainda restava
E partiu deixando a porta aberta
PIK
5 comentários:
Faltou um jogo de xadrez!
E o Bergman, é claro!
abs
Prata
EEEEE COMUNA..TSCTSC...
MAIS UM TEXTO ALCÓLOTRO-CORTADOR-DE-PULSO...
É LER ESSA BOSTA E PERDER O RESTO DO DIA.
Não há concessões aos leitores, os escritos, via de regra, não atendem à esta demanda da vitória, dos finais felizes, do argumento comercial fácil.
O texto em questão ao tratar da morte o faz através de metáforas vivas, porém discretas, e com uma narrativa enxuta. Sem contar que o mesmo alude em suas entre-linhas a outros textos, no caso o cinema de Bergman, que como a fotografia, também é texto. Vejo que existe aqui o fenômeno do inter-texto, que leitores mais atentos são capazes de identificar, utilizando uma prática muito comum na literatura que é a literatura comparada. Dialogar com outros textos dentro do mesmo texto é algo que exige uma técnica apurada de quem o escreve e também de quem o lê, e o que torna a literatura ainda mais instigante! Prenhe de interpretações que extrapolam o texto, se desdobrando em devires de outros textos, da fotografia, do cinema e etc.
Referente ao conteúdo, existencialmente, a morte seja uma negação de sentido, já que para o existencialismo não há uma essência e o sentido só se faz em vida, no mais, é o nada emergencial. Talvez seja essa a conotação que o autor possa ter dado, muitas vezes é o não sentido, o non sense que o texto busca.
Que bom que vc perdeu o resto do dia caro leitor, temos um efeito ...Isto para mim é ótimo, apesar de ver que vc não entendeu nada ,o que é comum nos dias de hoje...
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