
terça-feira, junho 29, 2010
terça-feira, junho 22, 2010
SARAVÁ SARAMAGO!
"Provavelmente está feito de suspiros o silêncio que precede o silêncio do mundo."
"Todos os dicionários juntos não contêm nem metade dos termos de que precisaríamos para nos entendermos uns aos outros"
"Todos os dicionários juntos não contêm nem metade dos termos de que precisaríamos para nos entendermos uns aos outros"
terça-feira, junho 15, 2010
Quem é o inimigo, quem é você? Parte II: O fim da era Gutenberg.
No Brasil recentemente, muito se falou do retrocesso em termos de liberdade de imprensa. Na diminuição desta e suas maléficas consequências. Seguindo caminho parecido, alguns países têm adotado a cerceamento, a extinção não só da tal liberdade de imprensa, como também toda e qualquer amostra de livre expressão. Casos como do Irã, China são os mais visíveis, mesmo porque as ações destes governos, sejam tanto para bem, como para o mal sempre se transformam em análise geopolítica e coisas do tipo, virando subsídio nas mãos dos debatedores de plantão. Obedecendo o mesmo percurso, na américa do sul, a figura central nesta temática tem sido, ninguém mais, ninguém menos, do que ele, justamente, este que você está pensando. Hugo Cháves. Líder vitalício do Reinado Venezuelano, e da Revolução Bolivariana. Dito isto em razão deste ter fechado o último canal ou emissora de televisão livre do seu país. _ pobre país ter um líder deste.
Diante dessa onde de proibições, de cerceamento da liberdade de expressão e comunicação. O mundo pensa, ai que saudade da Bahia, não, dá américa, terra da liberdade. E para sua surpresa se depara com um processo parecido, mas sutil, belíssimo. Nesse sentido a crônica do filósofo Olavo de Carvalho, escrita no último dia 14/06/2010, vira um balde de água fria, nos corações mais democráticos. Texto este que revela outra maneira de ditadura, forma mais eficaz do ato autoritário. Em seu texto, Carvalho fala da criação do site StopBigMedia, financiado pelo famoso George Soros, que segundo o autor, site este que professa a destruição das grandes empresas de jornalismo, _ coisa boa ou ruim?, com a criação de uma super agência puro sangue estatal. Tal ação do governo americano, mostra algo mais interessante do que a simples exposição do poder nu. Deixando no ar o espectro do poder mais inteligente, maquiavélico, mais atuante e eficiente. O que representaria a mão invisível do mal.
A participação do governo Obama, numa nova agência desse porte, e com esse tipo de parceiro, expõe o caminho pelo qual as novas ditaduras democráticas agem ou vão agir. Revelando também o fato do feitiço ter virado contra o feiticeiro. Isso em razão de durante boa parte do século XX, governos e ações governa mentais, ficarem submetidos a lobistas, condicionados às grandes agências produtoras, criadoras de informação. No mundo toda a produção de informação esteve e está nas mãos de menos de uma dezena de grandes agências (francesas, americanas, italianas, inglesas). No presente momento parece que os governos, não mais querem negociar favores, querem aplicar a receita aprendida, e do jeito que bem entenderem, e contra quem entenderem merecedores. Logo, logo, chineses, venezuelanos, russos, _ se já não fazem isso, vão também adotar tais práticas, contribuindo ainda mais para a ignorância local e mundial. E esse negócio de ficar bloqueando site disso e daquilo, vai aos poucos se tornar história para ninar criancinha.
O século XXI mal se iniciou e promete acontecimentos à matrix, em 3, 4, 5, quem sabe quantos d´s, o que torna o palco principal uma grande rinha de galos, com esporas pontiagudas, prontas para fazer jorrar sangue. E aos poucos a figura do velho cidadão Keynes, vai dando lugar aos cidadãos, Qu-e-mmm?
segunda-feira, junho 14, 2010
1° pESsoa: Painel Psiquiátrico
... desde que enveredara pela seara intelectualista. O caminho da existência fora percorrido do instante inicial até o derradeiro. Em sentinela. Forma franca de encarar a vida fora a eleita. Tornando parte inerente do espírito em desabafo. Frente a realidade, sem meias palavras ou não me toques, assim a existência era tratada. A toda crise do/no existir. Com travas pronta para a tíbia alheia... copos e Copos de Nietzsche no desjejum. Fazendo-se forçoso para a batalha que iniciava-se com o nascer do sol. Destes muitos goles nasciam toda a esperança. Coisa que tornava o amanhecer menos denso. Menos gravitacional. No transcorrer das horas, dos dias, das rotinas. Doses cavalares de Sartre injetadas diretamente nas artérias, espécie de absinto para manter o órgão vital em pulsação. os edifícios assim foram construídos, com tal rejunte e argamassa. A fortaleza humana sendo arquitetada no devir, entre pedras e areias. Num disformismo dos traços. O inferno dos outros, ficando nos outros. Maneira estável de manter o banker intocado e inabalado. ... noites de discussões acaloradas, bebidas e otras cositas mas. Apanágio da existência.
... Ledo engano! A vida é um moinho! Disse Cartola, o divino. Engano que acabara por se transmutar em engodo. Constatado pela oxidação vagarosa da benfazeja zona de conforto. Corroída pelos dias. Iniciado tal processo não se sabia quando. Processo de ruinificação de estruturas que até pouco tempo. Pareciam inaruináveis. Todo um organismo revelando não imune, tornando ineficaz o método eleito. Manhãs nietzschenianas não mais eram suficientes, o alimento não mais bastara. não mais protegia. E aos poucos o alvorecer fizera-se opressor. o despertar do relógio. Bip. bip, bip... e toda imunologia era contaminada pela peçonha das horas, dos lares, dos lugares, dos convívios. Adeus misantropia!! adeus,a-de-ussss. Calcificação começara a tomar conta de todo vaso sanguineo. Endurecimento dos músculos. Aos poucos diminuíra o pulsar, o batimento. doses Atomísticas sartristas foram adotadas em desespero e sobrepujadas pelos demônios alheios, que sorrateiramente habitavam a morada do pai. Entregando-a de mão beijada ao padrasto. judas, juda - i - mis- mo. Tapa na cara. Ossos ficando descalcificados.
... conclusão derradeira: Sintomatologia: Decrepitude. Início: unhas dos pés alquebradas. em corrosão. dente amarelentos. Olhos opacos. Pele sem brilho. Cabeça baixa. Intelecto amorfo. Passivo, Desatento, desatino. Desalinho.
... painel da vida: pintura com retrato do Nava na parede da sala. Casa empoeirada. louças na pia. num canto qualquer uma poltrona. Sujeito, sujeira, esparramado. boca aberta. Ar denso, quase palpável. resquício da embriaguEz. televisão ligada. Sábado, Domingo. Dores de cabeça. A vida sendo um infinito feliz ano velho. à espera do apertar do gatilho. do chumbo final.
quarta-feira, junho 09, 2010
Quem é o inimigo, quem é você?
Equívocos, equívocos, equívocos! De equívocos são feitos nossos grandes males.
Há certo tempo atrás, havia sido postado um texto que tratava de certa maneira da ideia de Estado-Nação, sua ainda necessária existência e do seu revigoramento, diante do novo tempo que se apresenta. Na época, o referido texto, não pedia uma discussão aprofundada sobre o(s) método(s) de ação desses mesmos Estados-Nacionais, não havia uma análise acerca desta temática.
Diante desta necessidade, este "opúsculo", tenta modestamente pensar a prática política do Estado-Nação, que diga-se de passagem, nunca deixou de existir, mas que por artimanhas, escondia-se atrás da névoa, inebriante, denominada mercado.
Faz algum tempo, o governo do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad vem sendo alvo da força e pressão da chamada "comunidade" internacional, contrários a política deste país de enriquecimento de urânio, alegando fins beligerantes do país dos aiatolás, o que parecia até certo ponto, preocupação justa e acertada. Mas diante do fracasso dos esforços diplomáticos, não por causa dos iranianos, que isso fique claro, mas sim do eixo do mal, ocidental, a questão muda de figura, revelando a face autoritária dos Estados-Nacionais, envolvidos no debate. Nesse sentido a votação aberta pelo Conselho de Segurança do ONU, que tem como objetivo sanções contra, agora não só ao governo iraniano, mas contra o povo "persa", torna clara a necessidade de se pensar novas horizontalidades e novas verticalidades, no que diz respeito às decisões tomadas, a propalada Demo/Cracia que todo o mundo ocidental está submetido. Democracia esta, ridícula, sequestrada, de poucos, para poucos e contra muitos.
Os eventos dos três ou dois últimos anos, revelam a necessidade de se pensar o novo contexto geopolítico em que a população mundial está inserida. As nova relações e ações do governo russo, por exemplo, tanto no leste europeu, quanto no mundo, sua didatura parlamentar, as ações da China pós-maoísta, que tem em tubo de ensaio, um novo capitalismo, cujo êxito, baseia-se na amálgama da política de mercado, do autoritarismo político e na "escravidão" proletarizada, à inglesa ( no auge da 1° revolução industrial). Estes são apenas alguns aspectos da nova "des-ordem" mundial.
Diante do que foi exposto, com brevidade, cabe a todos que estão atentos, denunciar, seja de que maneira for, apontar, a face do mal contida no(s) Estados-Nacionais, no século XXI. Isso em virtude de considerar que desses equívocos, exposição da força e da truculência política, da ação dos podres poderes, nascerem os grandes males para a humanidade.
Como havia dito, parafraseado, no texto anteriormente postado e esquecido, o século XXI, é e será um século com bestas há muito conhecidas.
terça-feira, junho 08, 2010
Ninguém morre de véspera, mas...
Caros amigos leitores e colunistas deste blog,
Nos encontramos às vésperas de mais um grande evento global para o esporte que mais amamos, cujos fundamentos já vêm impregnados em nosso dna, o futebol.
Criado por ingleses, o futebol chegou ao Brasil por intermédio de Charles Miller e desde então faz parte de nossa vida, a ponto de nos tornarmos potência mundial vencedora de cinco edições de copas do mundo até hoje.
Daí é que quando chega época de mundial, sempre questionamos a qualidade do elenco atual escolhido pelo treinador do momento, neste caso, Dunga.
Dunga já teve nome de era (fracasso na copa de 90), já foi símbolo de raça (tetra de 94) e agora treina nossos canarinhos em busca de mais uma glória para eternizá-los em nossos álbuns de figurinhas.
Bem, é claro que estaremos lá na hora, local e razão para torcermos pela seleção. Sim, com uma cervejinha vai bem, com os amigos melhor ainda (um dos meus tem HDTV em casa, vamos todos para lá e o convidamos também...)
Onde eu quero chegar é que nosso pequeno notável comandante não levou Adriano nem Ronaldinho Gaúcho para a África do Sul, o que para mim foi um erro. Adriano mesmo em má fase tem experiência em copas, ele optou por Grafite que jogou, sei lá 20 minutos em toda a preparação até agora. Para Ronaldinho ele escolheu Júlio Baptista como reserva de Kaká, será que vai dar certo? Tenho minhas dúvidas.
Já a defesa é sólida com Lúcio, Juan, Maicon... o que muito se comparou com 94, com o pragmatismo de Parreira; mas e para os volantes Mauro Silva e o próprio Dunga, temos jogadores parecidos no meio de contenção?
Em 94 tínhamos Bebeto e Romário, e o segundo voltava ao meio do campo para buscar a bola e partir em direção ao gol, carregando o time nas costas. Que saudade do baixinho!
Hoje, temos Kaká (que não fez nada em 2006) ainda lesionado para a criação, Robinho que tentou recuperar seu futebol no Santos, mas foi ofuscado pelo brilhantismo de Neymar e Ganso, e Luís Fabiano, este sim ainda em grande fase, mas também vindo de lesão.
Sei não, podem me xingar, mas acho que esta copa será dos hermanos: Messi, Higuain, Milito, Tevez, DiMaria, etc.
Acho que dá Argentina.
Nos encontramos às vésperas de mais um grande evento global para o esporte que mais amamos, cujos fundamentos já vêm impregnados em nosso dna, o futebol.
Criado por ingleses, o futebol chegou ao Brasil por intermédio de Charles Miller e desde então faz parte de nossa vida, a ponto de nos tornarmos potência mundial vencedora de cinco edições de copas do mundo até hoje.
Daí é que quando chega época de mundial, sempre questionamos a qualidade do elenco atual escolhido pelo treinador do momento, neste caso, Dunga.
Dunga já teve nome de era (fracasso na copa de 90), já foi símbolo de raça (tetra de 94) e agora treina nossos canarinhos em busca de mais uma glória para eternizá-los em nossos álbuns de figurinhas.
Bem, é claro que estaremos lá na hora, local e razão para torcermos pela seleção. Sim, com uma cervejinha vai bem, com os amigos melhor ainda (um dos meus tem HDTV em casa, vamos todos para lá e o convidamos também...)
Onde eu quero chegar é que nosso pequeno notável comandante não levou Adriano nem Ronaldinho Gaúcho para a África do Sul, o que para mim foi um erro. Adriano mesmo em má fase tem experiência em copas, ele optou por Grafite que jogou, sei lá 20 minutos em toda a preparação até agora. Para Ronaldinho ele escolheu Júlio Baptista como reserva de Kaká, será que vai dar certo? Tenho minhas dúvidas.
Já a defesa é sólida com Lúcio, Juan, Maicon... o que muito se comparou com 94, com o pragmatismo de Parreira; mas e para os volantes Mauro Silva e o próprio Dunga, temos jogadores parecidos no meio de contenção?
Em 94 tínhamos Bebeto e Romário, e o segundo voltava ao meio do campo para buscar a bola e partir em direção ao gol, carregando o time nas costas. Que saudade do baixinho!
Hoje, temos Kaká (que não fez nada em 2006) ainda lesionado para a criação, Robinho que tentou recuperar seu futebol no Santos, mas foi ofuscado pelo brilhantismo de Neymar e Ganso, e Luís Fabiano, este sim ainda em grande fase, mas também vindo de lesão.
Sei não, podem me xingar, mas acho que esta copa será dos hermanos: Messi, Higuain, Milito, Tevez, DiMaria, etc.
Acho que dá Argentina.
A Cidade Sem Serifa
Acesso a Zona Sul – Pista 3, saída para Dutra, proibido estacionar... A convenção é o instrumento mais usado (pra não dizer fundamental) na orientação do homem, quando não são convencionados por símbolos e signos são escritos de maneira mais clara e objetiva possível, e essa objetividade não está só no seu conteúdo mas também na própria fonte em que se apresenta a letra.
Toda convenção pressupõe certa racionalização, e as fontes utilizadas pelas letras para dar este tipo de informação dentro da cidade, destinada para quem está em trânsito, são totalmente desprovidas de detalhes, de desenhos mais rebuscados, de serifa. De maneira que num golpe de vista pode-se saber o significado da palavra, não se chega a ler toda a palavra letra por letra, na verdade, pela forma da palavra já se infere o seu significado. As palavras têm formas, e suas formas já são conteúdo. Com o perdão da digressão, isso é um pouco poesia concreta, os concretistas decompunham e colavam palavras inferindo em outros sentidos pela sua forma e sonoridade.
Esses textos esquemáticos permeiam a cidade, e São José se utiliza deles. Voltando da casa de um amigo na noite de ontem vim dialogando com eles (os textos), criando um discurso surdo que é destinado a cada pessoa em particular, sem precisar parar, sair do carro, somente como passante. Textos autoexplicativos, como se estivesse numa máquina de autoatendimento bancário, que ao inserir um cartão se obtém uma série de perguntas e respostas objetivas: saque, consulta, pagamentos etc.. A cidade é uma máquina e o diálogo com ela é objetivo, inclusive o espaço urbano é fruto de uma excessiva objetivação, que se transfere pro discurso urbano até se chegar a sua raiz sintática, ao ponto de racionalizar o próprio signo no afã de aumentar a eficiência da comunicação, do diálogo entre o passante e a passagem.
A construção do discurso urbano segue o mesmo critérios de eficiência, supondo uma uniformidade. E o que torna a uniformidade uma suposição é a cacofonia, a polissemia dos que vivem a cidade sem serifa. Chega-se a escutar um ruído de fundo, um interdiscurso; mesmo na noite fria de ontem, quando já não havia mais viva alma nas ruas.
Toda convenção pressupõe certa racionalização, e as fontes utilizadas pelas letras para dar este tipo de informação dentro da cidade, destinada para quem está em trânsito, são totalmente desprovidas de detalhes, de desenhos mais rebuscados, de serifa. De maneira que num golpe de vista pode-se saber o significado da palavra, não se chega a ler toda a palavra letra por letra, na verdade, pela forma da palavra já se infere o seu significado. As palavras têm formas, e suas formas já são conteúdo. Com o perdão da digressão, isso é um pouco poesia concreta, os concretistas decompunham e colavam palavras inferindo em outros sentidos pela sua forma e sonoridade.
Esses textos esquemáticos permeiam a cidade, e São José se utiliza deles. Voltando da casa de um amigo na noite de ontem vim dialogando com eles (os textos), criando um discurso surdo que é destinado a cada pessoa em particular, sem precisar parar, sair do carro, somente como passante. Textos autoexplicativos, como se estivesse numa máquina de autoatendimento bancário, que ao inserir um cartão se obtém uma série de perguntas e respostas objetivas: saque, consulta, pagamentos etc.. A cidade é uma máquina e o diálogo com ela é objetivo, inclusive o espaço urbano é fruto de uma excessiva objetivação, que se transfere pro discurso urbano até se chegar a sua raiz sintática, ao ponto de racionalizar o próprio signo no afã de aumentar a eficiência da comunicação, do diálogo entre o passante e a passagem.
A construção do discurso urbano segue o mesmo critérios de eficiência, supondo uma uniformidade. E o que torna a uniformidade uma suposição é a cacofonia, a polissemia dos que vivem a cidade sem serifa. Chega-se a escutar um ruído de fundo, um interdiscurso; mesmo na noite fria de ontem, quando já não havia mais viva alma nas ruas.
terça-feira, maio 25, 2010
Há outras moradas na casa de meu Pai
Muito se diz das cidades globais, criadas e alimentadas a partir da racionalidade técnica nas construções dos espaços, que acabam pasteurizando lugares e culturas.
O que dizer de espaços que de alguma forma ainda carregam certas rugosidades, como se fosse fruto de camadas geológicas.
Num primeiro momento parece até o sobrenatural exercendo sua função. Mas o que dizer da sensação de quando entramos nas grutas ou minas de extração de Ouro em Mariana – MG, ou mesmo de estar diante das pirâmides da antiga capital Maia.
Será que todas as cidades seguirão um padrão na construção dos espaços dentro dessa ordem Global?
O desenvolvimento de uma cidade histórica não obedece necessariamente o desenvolvimento de uma cidade global.
Isso parece óbvio!
Não imagino no lugar da Igreja da 3ª Ordem de Salvador, um edifício à la Empire States.
Há um tempo-espaço global que não consegue se inserir no tempo de algumas cidades que ainda carregam um tempo local. Não que esses espaços-tempos não sofram intervenções externas, mas suas mudanças não precisam de uma quantidade elevada de instrumentos e técnicas, o que faz com que esses espaços-tempos, mude muito lentamente, quase imperceptíveis, e que para muitos esse tempo, significa o estancamento, o atrasado, o tempo irreal.
O que dizer de espaços que de alguma forma ainda carregam certas rugosidades, como se fosse fruto de camadas geológicas.
Num primeiro momento parece até o sobrenatural exercendo sua função. Mas o que dizer da sensação de quando entramos nas grutas ou minas de extração de Ouro em Mariana – MG, ou mesmo de estar diante das pirâmides da antiga capital Maia.
Será que todas as cidades seguirão um padrão na construção dos espaços dentro dessa ordem Global?
O desenvolvimento de uma cidade histórica não obedece necessariamente o desenvolvimento de uma cidade global.
Isso parece óbvio!
Não imagino no lugar da Igreja da 3ª Ordem de Salvador, um edifício à la Empire States.
Há um tempo-espaço global que não consegue se inserir no tempo de algumas cidades que ainda carregam um tempo local. Não que esses espaços-tempos não sofram intervenções externas, mas suas mudanças não precisam de uma quantidade elevada de instrumentos e técnicas, o que faz com que esses espaços-tempos, mude muito lentamente, quase imperceptíveis, e que para muitos esse tempo, significa o estancamento, o atrasado, o tempo irreal.
sexta-feira, maio 21, 2010
Vade Mecum

Faço idéia daqueles que por algum motivo se lançam na pesquisa de alguma fonte primária em arquivos públicos. Arquivo público do Estado ou mesmo daqui do Município, que diga-se de passagem, é um lugar interessante de se visitar, como o fiz após o almoço de hoje.
Quem assim o puder fazer, terá contato com uma série de publicações do início do século passado, documentos, atas, leis, até anúncios de revistas e jornais. Tive a oportunidade de ver anúncios de revistas, de “campanhas publicitárias” da chegada da energia elétrica em São José. Pelos anúncios dava pra se ver o imaginário que a eletrificação da cidade suscitava, o ideal de desenvolvimento, a emancipação, o fim das trevas, o aumento das condições de salubridade. Acho que deva ter sido a partir daí (não sou historiador), que a cidade passou a ter visibilidade da para mundo moderno, para os anseios da modernidade.
Incrível saber que existe um espaço físico onde ficam guardados registros materiais de nossa história e cultura, onde se tenta conservar esses documentos pelo maior período de tempo possível, como se pudessem ser eternos e infinitos. Qualidades que remetem a um universo que me persegue, o da Biblioteca de Babel, de Borges.
Se o Comuna Piraquara fosse publicado em algum periódico impresso na época, com certeza estaria disponível alguns exemplares no arquivo público para consulta. Hoje poderíamos saber como um grupo de pessoas há cem anos interpretavam o seu mundo, poderíamos dissecar o imaginário inerente a sua época, assim como o da eletrificação, os seus signos, suas trocas simbólicas. Seria fonte primária de pesquisa, manancial documental em que historiadores poderiam se debruçar e interpretar o nosso momento histórico.
Mas daqui a cem anos que “escafandrista” explorará estes escritos, os nossos de hoje? Em que prateleira ostentará o Comuna, este Vade Mecum de nossa pós-modernidade joseense? Existirá algum espaço que abrigará o que escrevemos aqui?
Sim, existirá! Daqui a cem anos estes escritos estarão todos na Biblioteca de Babel, onde se encontra todos os livros do mundo, de todas as línguas, inclusive das extintas e daquelas que ainda surgirão, toda alegoria, toda criptografia de documentos secretos ou de pensamentos insondáveis, onde estão todas as histórias, todos documentos, todos os sons, todas as imagens, e quem sabe..o nosso imaginário e nossa época.
sexta-feira, maio 14, 2010
Nós da Urbe

Sempre que passo pela cidade de Campinas dá vontade de pedir pro ônibus parar só pra observar mais de perto o viaduto acima. Trata-se de um viaduto anti-indigente, de uma arquitetura voltada à expulsão dos indesejáveis com pedras pontiagudas sob suas cabeceiras, achei isso incrível. Acho que todo mundo que sai de Campinas via ônibus inter-urbano deve ter visto, fica no trajeto de saída da cidade, perto de um McDonald´s lindo e imponente!
É poder publico exercendo sua ação no espaço urbano. É importante a racionalidade técnica no planejamento urbano, o planejamento das cidades pode ser entendido como um sinal de desenvolvimento e progresso, pois carrega as idéias de valorização do ambiente público, preocupação com o bem-estar humano, respeito ambiental e integração de espaços e habitantes. A ênfase dessa racionalidade técnica no urbanismo dotou-o de método e o transformou em ciência da cidade. Ciência, progresso e desenvolvimento tudo coisa boa e inquestionável.
Nossas grandes e médias cidades se ergueram assim, com alto conteúdo técnico e cientifico, obviamente umas muito mais que outras. No caso de São José, nota-se que a instalação de centros de comandos dos grandes grupos transnacionais nessa cidade, de modo que esses grupos aí instalados passaram a exercer o controle das suas plantas industriais, produção e comerciais.
Temos um setor secundário voltado a exportação e um setor terciário altamente especializados, o que confere um alto valor técnico agregado ao territótio. O que torna SJC uma cidade global, e ela o é não só pelos fatos acima mencionados, mas por um motivo particular importante:
O fato de SJC ter se tornado uma cidade global está ligado ao fato de a racionalidade técnica que formaliza a arquitetura do espaço urbano segue os mesmo critérios de eficiência e comando do capital global. A cidade é a racionalidade do capital global espacializada, o espaço urbano é a representação da eficiência, comando e controle do que se convencionou chamar de globalização.
As cidades se parecem cada vez mais entre si, como já ocorre com os espaços padronizados das cadeias dos grandes hotéis internacionais ou, ainda, dos aeroportos, das redes de fast food, dos shopping centers, dos parques temáticos, dos condomínios fechados e demais espaços privatizados. As intervenções contemporâneas sobre os territórios ditos históricos ou culturais também obedecem a este ritmo de produção, o que cria uma superabundância mundial de cenários e simulacros para turistas.
Também ocorre hoje um tipo de mimetismo às avessas nos espaços públicos: não é raro encontrarmos recentes projetos ditos de “revitalização” desses espaços, como praças públicas por exemplo, que imitam as ditas “praças” dos shoppings (em particular, os materiais usados, a paginação do piso e o cercamento), exatamente o contrário do ocorrido nas galerias e primeiros centros comerciais que mimetizavam os espaços públicos urbanos, as suas ruas e praças tradicionais. Hoje, paradoxalmente, a referência de espaço público dito “de qualidade” passa a ser um espaço privado, na maior parte das vezes, um espaço interno, cercado e com segurança privada.
Para que tudo isso ocorra existe uma excessiva racionalização do espaço, por tanto um controle total, não só no que tange ao policiamento mas sobre tudo, controle do espaço, controle de temperatura, luz, volume que criam verdadeiros simulacros, uma disneylandização da urbe! E o que esta fora dessa Disneylândia também sofre ação dessa urbanização, é o caso da arquitetura anti-indigentes.
Não há indigentes na Disney.
quinta-feira, maio 13, 2010
Fio de Ariadne e o Ego

Dificil é não matar o presente com você distante.
Procurar extrair perfume, de uma flor ausente.
Enxergar belezas num mundo incompleto.
A nossa distância, é a única certeza que um dia terei você ao meu lado.
E se porventura, sua futura presença acabar com o meu desejo de tê-la.
Perdoe-me.
Mas fique longe!
terça-feira, maio 11, 2010
A Doutrina das Cores de Goethe
quinta-feira, maio 06, 2010
Cosmos Alvinegro
Não. Nós não somos heróis. Não somos guerreiros sem medo do deus Imponderável. Somos o espírito dos operários que iluminaram nossos corações a luz de lampião e brindaram-nos com nossa existência, entre tudo e nada, em branco e preto.
Somos aqueles que perambulavam pelas ruas sentindo falta de não sabemos o quê. Sabíamos apenas do vazio que existia em nossos corações, que havia sido transmitido por todos os nossos antepassados antes do grande dia, dia da glória, da revelação. Dia 1º de setembro de 1910.
Num relance nossos pulmões souberam diferenciar o ar da aura alvinegra. Ela sempre esteve presente, em todos os cantos, em todos os lugares, mas foi preciso evocar um nome para que nossos corpos se permitissem a tal sensação de amor. Algo muito além do que essas poucas palavras podem explicar aos que não foram escolhidos pela mística, mas de muito fácil entendimento ao nosso cosmos particular: Corinthians, senhores!
Somos um povo sofrido? Somos sim. Mas isso não faz de nós menores, pelo contrário. Somos altivos por entendermos que nem só de glórias vive o homem. É nossa obrigação – prazerosa – transmitirmos aos nossos que formamos nosso caráter é nas derrotas. São elas que nos forjam. E caímos com garra no olhar e com o sangue correndo quente em nossas veias.
É com esse entendimento da vida que construímos uma das mais lindas histórias, que rompemos a ordem da paixão por recompensa. Somos fiéis. Perdemos juntos, e tocamos o céu juntos nas conquistas. Assim, não associamos nosso amor às vitórias, seria diminuir o que somos.
Salve, Corinthians!
Sebastião Maia
Somos aqueles que perambulavam pelas ruas sentindo falta de não sabemos o quê. Sabíamos apenas do vazio que existia em nossos corações, que havia sido transmitido por todos os nossos antepassados antes do grande dia, dia da glória, da revelação. Dia 1º de setembro de 1910.
Num relance nossos pulmões souberam diferenciar o ar da aura alvinegra. Ela sempre esteve presente, em todos os cantos, em todos os lugares, mas foi preciso evocar um nome para que nossos corpos se permitissem a tal sensação de amor. Algo muito além do que essas poucas palavras podem explicar aos que não foram escolhidos pela mística, mas de muito fácil entendimento ao nosso cosmos particular: Corinthians, senhores!
Somos um povo sofrido? Somos sim. Mas isso não faz de nós menores, pelo contrário. Somos altivos por entendermos que nem só de glórias vive o homem. É nossa obrigação – prazerosa – transmitirmos aos nossos que formamos nosso caráter é nas derrotas. São elas que nos forjam. E caímos com garra no olhar e com o sangue correndo quente em nossas veias.
É com esse entendimento da vida que construímos uma das mais lindas histórias, que rompemos a ordem da paixão por recompensa. Somos fiéis. Perdemos juntos, e tocamos o céu juntos nas conquistas. Assim, não associamos nosso amor às vitórias, seria diminuir o que somos.
Salve, Corinthians!
Sebastião Maia
terça-feira, maio 04, 2010
A Heterotopia
"Acredito que entre as utopias e estes posicionamentos absolutamente outros, as heterotopias, haveria, sem dúvida, uma espécie de experiência mista, mediana, que seria o espelho. O espelho, afinal, é uma utopia, pois é um lugar sem lugar. No espelho, eu me vejo lá onde não estou, em um espaço irreal que se abre virtualmente atrás da superfície, eu estou lá longe, lá onde não estou, uma espécie de sombra que me dá a mim mesmo minha própria visibilidade, que me permite me olhar lá onde estou ausente: utopia do espelho. Mas é igualmente uma heterotopia, na medida em que o espelho existe realmente, e que tem, no lugar que ocupo, uma espécie de efeito retroativo; é a partir do espelho que me descubro ausente no lugar em que estou porque eu me vejo lá longe. A partir desse olhar que de qualquer forma se dirige para mim, do fundo desse espaço virtual que está do outro lado do espelho, eu retorno a mim mesmo e a me constituir ali onde estou; o espelho funciona como uma heterotopia no sentido que ele torna esse lugar que ocupo, no momento em que me olho no espelho, ao mesmo tempo absolutamente real, em relação com todo o espaço que o envolve, e absolutamente irreal, já que ela é obrigada, para ser percebida, a passar por aquele ponto virtual que está lá longe."
FOUCAULT, Michel. "Outros espaços", in: Ditos e escritos III - Estética: Literatura e pintura, música e cinema. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2003, p. 415.
FOUCAULT, Michel. "Outros espaços", in: Ditos e escritos III - Estética: Literatura e pintura, música e cinema. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2003, p. 415.
segunda-feira, maio 03, 2010
“Dispositivos da Arte Moderna e Contemporânea”
A Oficina Cultural Altino Bondesan informa que ainda estão abertas as inscrições para o Workshop Aprofundamento em Arte “Dispositivos da Arte Moderna e Contemporânea”.
Os interessados devem fazer sua inscrição pelo telefone (12) 3923-4860 ou irem pessoalmente à sede da oficina cultural.
Artes Plásticas
Workshop Aprofundamento em Arte “Dispositivos da Arte Moderna e Contemporânea”
8/5 - sábado - 9h às 12h e 13h às 18h
Público: com conhecimento intermediário
Faixa Etária: adultos
Seleção: carta de Interesse
Inscrições: 5/4 a 30/4
Vagas: 30
Local: Câmara Municipal de São José dos CamposRua Desembargador Francisco Murilo Pinto, 33 - Vila Sta. Luzia
Este workshop trata dos elementos caracterizadores do universo artístico de nossa atualidade. Burila a construção do objeto da arte por meio da análise do discurso e demais elementos constituintes do sistema no qual se apresentam o artista e seu trabalho nos últimos séculos XX e XXI.
Sylvia Furegatti é docente do Depto. de Artes Visuais do Instituto de Artes da Unicamp. Artista visual que trabalha com projetos de intervenções artísticas, instalações e objetos.
Oficina Cultural Altino Bondesan
ASSAOC - Associação Amigos das Oficinas Culturais do Estado de São Paulo
Avenida Olivo Gomes, 100 Santana
São José dos Campos/SP
Tel: (12) 3923 4860
http://www.oficinasculturais.org.br/
Os interessados devem fazer sua inscrição pelo telefone (12) 3923-4860 ou irem pessoalmente à sede da oficina cultural.
Artes Plásticas
Workshop Aprofundamento em Arte “Dispositivos da Arte Moderna e Contemporânea”
8/5 - sábado - 9h às 12h e 13h às 18h
Público: com conhecimento intermediário
Faixa Etária: adultos
Seleção: carta de Interesse
Inscrições: 5/4 a 30/4
Vagas: 30
Local: Câmara Municipal de São José dos CamposRua Desembargador Francisco Murilo Pinto, 33 - Vila Sta. Luzia
Este workshop trata dos elementos caracterizadores do universo artístico de nossa atualidade. Burila a construção do objeto da arte por meio da análise do discurso e demais elementos constituintes do sistema no qual se apresentam o artista e seu trabalho nos últimos séculos XX e XXI.
Sylvia Furegatti é docente do Depto. de Artes Visuais do Instituto de Artes da Unicamp. Artista visual que trabalha com projetos de intervenções artísticas, instalações e objetos.
Oficina Cultural Altino Bondesan
ASSAOC - Associação Amigos das Oficinas Culturais do Estado de São Paulo
Avenida Olivo Gomes, 100 Santana
São José dos Campos/SP
Tel: (12) 3923 4860
http://www.oficinasculturais.org.br/
sexta-feira, abril 30, 2010
O Colegiado dos Cegos

Quando ele se sentou, e abriu o livro para leitura, viu todos estatelados com seus óculos escuros, distintos senhores portando suas bengalas. Todos ávidos pela audição, o colegiado de literatos cegos já havia se postado com sua diligencia e atenção, todos não necessariamente em direção ao leitor, mas cada qual tinha seu rosto voltado para um lugar inexistentente, não para o nada, talvez pra dentro de si, de sua infância, de sua saudade, uns com a cabeça arcada para cima, outros virados para parede.
O silencio para a leitura não foi o que mais intimidou o leitor, pois sabia que sua obra não estava sendo posta a prova do som, mas da escuridão. Já que a história se tratava de uma aventura dos tempos afortunados em que os caminhos eram mapeados pelos meridianos celestes, inscritos em noites de céu estrelado, que tem o rumo traçado pelas estrelas na escuridão em alto mar. Para o colégio de cegos tudo era familiar e distante, já que seria aventuroso demais ter ao menos a luz das estrelas para se guiar dentro da história contada.
A história dava conta de um mundo vasto para a navegação, talvez seja por isso que o colegiado precisasse do universo para orientação dessa aventura, e uma geodésia imaginária para saber em que parte do globo terrestre, a personagem numa noite quente, deitado no convés de um veleiro de três mastros observando a constelação de Òrion, esperava chegar a Bornéu, sempre ao oriente da noite.
A vastidão do oriente e da noite era a mesma de dentro da casa de cada um dos colegiados, já que não paravam de olhar pra dentro de si durante toda história, o fogo que ardia em cada um era o mesmo a arder até hoje nas estrelas que guiou as histórias das descobertas e aventuras de nosso mundo visível.
E a aventura continuava por paisagens inauditas! Ilhas paradisíacas, peixes e outros seres do mar. O colegiado de cegos estava absorto na trama em que a personagem viajando, sempre buscava outros lugares, outras paisagens. Para nosso mundo visível a paisagem é sempre objetiva, a paisagem é onde nós não estamos, já que para se vê-la temos que nos distanciar, ela sempre está a frente..Já pra os cegos a paisagem é onde ele está, ele é a paisagem.
A Utopia da busca da luz, a certeza da orientação, a mudança de lugar em sua função e a excessiva objetivação da paisagem na história contada, também era uma forma de desterro e de negação do lugar, como o próprio termo utopia designa. Porém desta objetividade e desterro o colégio de cegos jamais sofrerá.
Já ao final da audição o silencio sepulcral ainda pairava na sala dos cegos literatos, quando um deles, com o apoio de sua bengala se aproximou do leitor portando um livro de cabeça para baixo pedindo caridosamente um autógrafo invisível e outra história.
domingo, abril 25, 2010
terça-feira, abril 20, 2010
Ponto Geográfico
Por calendários perturbados da educação, ano passado fiquei no ócio, já no fim. Fui procurar o que fazer. A escola tinha que ir até um determinado endereço para coisas de escola das quais não entendo. O secretário iria ao tal lugar, fui junto, alias, fui com meu carro mesmo, um mil.
Tarefa de escola urbana é diferente que em escola rural. Logo umas oito da manhã, saímos. Dia bonito, paisagem perfeita, bucólico. Passamos por casa de jornalista de fofoca, médico famoso, assombrada. Estrada do Guaxindiba, saída por detrás do cemitério. Paramos no caminho para perguntar se estávamos certos (longa estrada), estávamos, seguimos.
Chegando lá, tinha uma baita descida depois de uma porteira tão falada branca. Olhei, analisei, perguntei para o secretário e fui. Fui, fui. Parei, ele fez o serviço dele e não voltei. Fiquei no meio da descida, agora subida.
O secretário não sabe dirigir, por isso fui junto, ele presisava de um motorista, mas um oficial, que soubesse pegar o barranco. Eu fiquei! Inconformada, longe de socorro, sem sinal no celular, tentei, coloquei tapete, desci e subi denovo, repetidamente, sem atropelar na ré o secretário que tentava empurrar e o carro mil teimava a voltar, e tentei, acelerei, o carro sambou, pneu patinou e eu subi.
Suando, rindo, subi, cheguei na estrada normal de terra. Veja bem, na noite anterior havia chovido pouco, mas forte. A sub estrada de terra, ficou molhada. Mas até aí, só mais um estrada de terra.
Dois dias depois, o secretário tinha que voltar na vizinha daquela casa que tínhamos ido. Um outro professor, instigado pela minha pseudo aventura, foi. Carro lotado, dois professores curiosos, o secretário e eu. Chegamos, descemos, fomos longe, mais do que da outra vez e ... subimos, travamos de leve, mas subimos.
Bom, vai ver que eu sou ruim de volante....
Morando aqui, ando conhecendo muita gente boa, inclusive de prosa: Messias, o faz tudo daqui de casa, é um. Vamos conversar que eu moro numa comunidade com mais três humanos, seis cahorros, três gatos, nove cagados, uma criação de lesmas e caramujos (com estufa para ovos e tudo), muitas galinhas e uma pá de visitante. Para manter em ordem, Shirley e Messias. E o Messias mora para os lado da tal estrada, depois da porteira, que tem uma descida, que depois vira subida que eu fiquei.
Café da tarde no Emílio, estava lá também o Zé, outro personagem que terá um post só pra ele. Papo solto, todos contando histórias, o Messias começa contar de uma tal descida/subida. Ele mesmo, nascido e criado na tal estrada, já tinha caído, esgorregado, com moto no barranco, a moto continuou na mão dele, ruim foi o chão deixou a roda e foi para as costas.
No batizado do neto do Emílio, mês passado, uma pajero não subiu nem a paú, precisou de quatro homens feitos pra tirar o carro de lá. E narrou mais umas histórias que eu mal escutei porque ria muito. Já sabia que era minha subida, confirmei com descrições da porteira, para direita sobe muito é o cemitério, para esquerda é a estrada que ...enfim, contei da minha aventura. O Messias elogiou. Emílio nem estava prestando atenção, concentrado na ópera que estava rolado de som de fundo, e o Zé disse que devia estar seco, ruim mesmo foi quando ele passou com o chão molhado de fusca turbinado, travou de leve, mas subiu.
Assim descobri como só um simples lugar que eu fui tem tantas histórias por trás, deixou assim de ser um mero ponto geográfico e se tornou parte da história de um monte de gente. Se o ponto fosse gente, ia se sentir importante.
domingo, abril 18, 2010
Assinar:
Postagens (Atom)

