segunda-feira, janeiro 31, 2011

Carta sobre a felicidade - Carta a Meneceu

PSI: meus caros é um pouco longo , mais uma preciosidade de grande valia da filosofia hedonista.

Que ninguém hesite em se dedicar à filosofia enquanto jovem, nem se canse de fazê-lo depois de velho, porque ninguém jamais é demasiado jovem ou demasiado velho para alcançar a saúde do espírito. Quem afirma que a hora de dedicar-se à filosofia ainda não chegou, ou que ela já passou é como se dissesse que ainda não chegou ou que já passou a hora de ser feliz. Desse modo, a filosofia é útil tanto ao jovem quanto ao velho: para quem está envelhecendo sentir-se rejuvenescer através da grata recordação das coisas que já se foram, e para o jovem poder envelhecer sem sentir medo das coisas que estão por vir; é necessário, portanto, cuidar das coisas que trazem a felicidade, já que, estando esta presente, tudo temos, e, sem ela, tudo fazemos para alcançá-la.

Pratica e cultiva então aqueles ensinamentos que sempre te transmiti, na certeza de que eles constituem os elementos fundamentais para uma vida feliz.

Em primeiro lugar, considerando a divindade como um ente imortal e bem-aventurado, como sugere a percepção comum de divindade, não atribuas a ela nada que seja incompatível com a sua imortalidade, nem inadequado com a sua imortalidade, nem inadequado à sua bem-aventurança; pensa a respeito dela tudo que for capaz de conservar-lhe felicidade e imortalidade.

Os deuses de fato existem e é evidente o conhecimento que temos deles; já a imagem que deles faz a maioria das pessoas, essa não existe: as pessoas não costumam preservar a noção que têm dos deuses. Ímpio não é quem rejeita os deuses em que a maioria crê, mas sim quem atribui aos deuses os falsos juízos dessa maioria. Com efeito, os juízos do povo a respeito dos deuses não se baseiam em noções inatas, mas em opiniões falsas. Daí a crença de que eles causam os maiores malefícios aos maus e os maiores benefícios aos bons. Irmanados pelas suas próprias virtudes, eles só aceitam a convivência com os seus semelhantes e consideram estranho tudo que seja diferente deles.

Acostuma-te à ideia de que a morte para nós não é nada, visto que todo bem e todo mal residem nas sensações, e a morte é justamente a privação das sensações. A consciência clara de que a morte não significa nada para nós proporciona a fruição da vida efêmera, sem querer acrescentar-lhe tempo infinito e eliminando o desejo de imortalidade.

Não existe nada de terrível na vida para quem está perfeitamente convencido de que não há nada de terrível em deixar de viver. É tolo portanto quem diz ter medo da morte, não porque a chegada desta lhe trará sofrimento, mas porque o aflige a própria espera: aquilo que não nos perturba quando presente não deveria afligir-nos enquanto está sendo esperado.

Então, o mais terrível de todos os males, a morte, não significa nada pra nós, justamente porque, quando estamos vivos, é a morte que não está presente; ao contrário, quando a morte está presente, nós é que não estamos. A morte, portanto, não é nada, nem para os vivos, nem para os mortos, já que para aqueles ela não existe, ao passo que estes não estão mais aqui. E, no entanto, a maioria das pessoas ora foge da morte como se fosse o maior dos males, ora a deseja como descanso dos males da vida.

O sábio, porém, nem desdenha viver, nem teme deixar de viver; para ele, viver não é um fardo e não-viver não é um mal.

Assim como opta pela comida mais saborosa e não pela mais abundante, do mesmo modo ele colhe os doces frutos de um tempo bem vivido, ainda que breve.

Quem aconselha o jovem a viver bem e o velho a morrer bem não passa de um tolo, não só pelo que a vida tem de agradável para ambos, mas também porque se deve ter exatamente o mesmo cuidado em honestamente viver e em honestamente morrer. Mas pior ainda é aquele que diz: bom seria não ter nascido, mas, uma vez nascido, transpor o mais depressa possível as portas do Hades.

Se ele diz isso com plena convicção, por que não se vai desta vida? Pois é livre para fazê-lo, se for esse realmente seu desejo; mas se o disse por brincadeira, foi um frívolo em falar de coisas que brincadeira não admitem.

Nunca devemos nos esquecer de que o futuro não é nem totalmente nosso, nem totalmente não-nosso, para não sermos obrigados a esperá-lo como se estivesse por vir com toda certeza, nem nos desesperarmos como se não estivesse por vir jamais.

Consideremos também que, dentre os desejos, há os que são naturais e os que são inúteis; dentre os naturais, há uns que são necessários e outros, apenas naturais; dentre os necessários, há alguns que são fundamentais para a felicidade, outros, para o bem-estar corporal, outros, ainda, para a própria vida. E o conhecimento seguro dos desejos leva a direcionar toda escolha e toda recusa para a saúde do corpo e para a serenidade do espírito, visto que esta é a finalidade da vida feliz: em razão desse fim praticamos todas as nossas ações, para nos afastarmos da dor e do medo.

Uma vez que tenhamos atingido esse estado, toda a tempestade da alma se aplaca, e o ser vivo não tendo que ir em busca de algo que lhe falta, nem procurar outra coisa a não ser o bem da alma e do corpo, estará satisfeito. De fato, só sentimos necessidade do prazer quando sofremos pela sua ausência; ao contrário, quando não sofremos, essa necessidade não se faz sentir.

É por essa razão que afirmamos que o prazer é o início e o fim de uma vida feliz. Com efeito, nós o identificamos como o bem primeiro e inerente ao ser humano, em razão dele praticamos toda escolha e toda recusa, e a ele chegamos escolhendo todo bem de acordo com a distinção entre prazer e dor.

Embora o prazer seja nosso bem primeiro e inato, nem por isso escolhemos qualquer prazer: há ocasiões em que evitamos muitos prazeres, quando deles nos advém efeitos o mais das vezes desagradáveis; ao passo que consideramos muitos sofrimentos preferíveis aos prazeres, se um prazer maior advier depois de suportarmos essas dores por muito tempo. Portanto, todo prazer constitui um bem por sua própria natureza; não obstante isso, nem todos são escolhidos; do mesmo modo, toda dor é um mal, mas nem todas devem ser sempre evitadas. Convém, portanto, avaliar todos os prazeres e sofrimentos de acordo com o critério dos benefícios e dos danos. Há ocasiões em que utilizamos um bem como se fosse um mal e, ao contrário, um mal como se fosse um bem.

Consideramos ainda a autossuficiência um grande bem; não que devamos nos satisfazer com pouco, mas para nos contentarmos com esse pouco caso não tenhamos o muito, honestamente convencidos de que desfrutam melhor a abundância os que menos dependem dela; tudo o que é fácil de conseguir; difícil é tudo o que é inútil.

Os alimentos mais simples proporcionam o mesmo prazer que as iguarias mais requintadas, desde que se remova a dor provocada pela falta: pão e água produzem o prazer mais profundo quando ingeridos por quem deles necessita.

Habituar-se às coisas simples, a um modo de vida não luxuoso, portanto, não só é conveniente para a saúde, como ainda proporciona ao homem os meios para enfrentar corajosamente as adversidades da vida: nos períodos em que conseguimos levar uma existência rica, predispõe o nosso ânimo para melhor aproveita-la, e nos prepara para enfrentar sem temos as vicissitudes da sorte.

Quando então dizemos que o fim último é o prazer, não nos referimos aos prazeres dos intemperantes ou aos que consistem no gozo dos sentidos, como acreditam certas pessoas que ignoram o nosso pensamento, ou não concordam com ele, ou o interpretam erroneamente, mas ao prazer que é ausência de sofrimentos físicos e de perturbações da alma. Não são, pois, bebidas nem banquetes contínuos, nem a posse de mulheres e rapazes, nem o sabor dos peixes ou das outras iguarias de uma mesa farta que tornam doce uma vida, mas um exame cuidadoso que investigue as causas de toda escolha e de toda rejeição e que remova as opiniões falsas em virtude das quais uma imensa perturbação toma conta dos espíritos. De todas essas coisas, a prudência é o princípio e o supremo bem, razão pela qual ela é mais preciosa do que a própria filosofia; é dela que originaram todas as demais virtudes; é ela que nos ensina que não existe vida feliz sem prudência, beleza e justiça, e que não existe prudência, beleza e justiça sem felicidade. Porque as virtudes estão intimamente ligadas à felicidade, e a felicidade é inseparável delas.

Na tua opinião, será que pode existir alguém mais feliz do que o sábio, que tem um juízo reverente acerca dos deuses, que se comporta de modo absolutamente indiferente perante a morte, que bem compreende a finalidade da natureza, que discerne que o bem supremo está nas coisas simples e fáceis de obter, e que o mal supremo ou dura pouco, ou só nos causa sofrimentos leves? Que nega o destino, apresentado por alguns como o senhor de tudo, já que as coisas acontecem ou por necessidade, ou por acaso, ou por vontade nossa; e que a necessidade é incoercível, o acaso, instável, enquanto nossa vontade é livre, razão pela qual nos acompanham a censura e o louvor?

Mais vale aceitar o mito dos deuses, do que ser escravo do destino dos naturalistas: o mito pelo menos nos oferece a esperança do perdão dos deuses através das homenagens que lhes prestamos, ao passo que o destino é uma necessidade inexorável.

Entendendo que a sorte não é uma divindade, como a maioria das pessoas acredita (pois um deus não faz nada ao acaso), nem algo incerto, o sábio não crê que ela proporcione aos homens nenhum bem ou nenhum mal que sejam fundamentais para uma vida feliz, mas, sim, que dela pode surgir o início de grandes bens e de grandes males. A seu ver, é preferível ser desafortunado e sábio, a ser afortunado e tolo; na prática, é melhor que um bom projeto não chegue a bom termo, do que chegue a ter êxito um projeto mau.

Medita, pois, todas estas coisas e muitas outras a elas congêneres, dia e noite, contigo mesmo e com teus semelhantes, e nunca mais te sentirás perturbado, quer acordado, quer dormindo, mas viverás como um deus entre os homens. Porque não se assemelha absolutamente a um mortal o homem que vive entre bens imortais.

Epicuro-filosofia helenística

quarta-feira, janeiro 26, 2011


A morte da solidão

Diante do ciberespaço a velhice não será tão solitária quanto foi até então. Muitos idosos hoje não mantêm um forte contato com a Internet por lhe parecer complexa. Entretanto, os jovens de hoje estarão mais dentro deste novo mundo quanto mais tempo passará dentro de suas casas.
Vemos muitos idosos que perdem seus pares e sentem uma profunda solidão por falta de contato com seus familiares, coisa que a tecnologia vêm suprindo através de suas redes sociais como orkut , facebook e outros.
Muitos dirão: mais isto não é para todos . Falso, pesquisa revela que a Internet está cada vez mais próxima das camadas de rendas mais baixas e num futuro próximo a teremos como televisão em que está em qualquer espaço.
Muito se tem falado dos efeitos na Internet nas crianças e adolescentes, entretanto, para um país que em 2050 terá um número maior de idosos do que de jovens, tal análise me parece fundamental para entendermos as mudanças que o ciberespaço causará na chamada terceira idade.

PIK.

sexta-feira, janeiro 07, 2011

Vitor Henrique Paro

Essa entrevista mostra a face maldita da pseudo educação deste país




Fonte : youtube

http://www.youtube.com/watch?v=GZgYygq0WnQ

segunda-feira, janeiro 03, 2011

In the Flesh


Os corpos se entendem, as almas não. Diz Drummond em um poema que já não me lembro mais qual. O fato é que há na atualidade uma relação direta entre corpo e poder, e o elemento de interação entre ambos é a imagem.
Hoje a imagem representa o ideário virtual que vê na materialidade do corpo uma viscosidade incômoda (Pelbart, 2003), há uma aspiração por uma imaterialidade do corpo em nossa modernidade tardia, a representação do corpo assume uma autonomia frente a sua materialidade, não que a representação não seja material, e nem que o virtual não seja real.
Susan Sontang em seu livro Diante da Dor dos Outros descreve bem a atuação de fotógrafos como Robert Capa e Henri Cartier Bresson que estiveram em fronts de guerra e captaram imagens “traumáticas”, termo que Barthes se refere em seu livro Câmara Clara . Porém, hoje, existe dois tipo dessas imagens traumáticas, as que são capturadas por um fotógrafo e as que são capturadas por câmeras de vigilância de circuitos fechados.
A diferença é que na primeira é necessário que o fotógrafo ou cinegrafista esteja presente ao fato, e portanto, mesmo que tencione uma objetividade, a imagem é fruto do enquadramento dado, de uma determinada luz, de sua subjetividade, de sua intencionalidade, existe uma leitura do fotógrafo na captura da cena. Já na segunda é necessário apenas a presença da câmera, a leitura previa do fotógrafo ou cinegrafista é banida.
Certo dia vi um ensaio fotográfico erótico feito através de câmeras de circuito fechado. Neste caso, o corpo tem seu poder, ou seu potencial erótico fundado em uma imagem as vezes poética ou mesmo banal, mas o que chama a atenção é que não é o olhar do fotógrafo que buscou ou tencionou o poder de erotização do corpo, foi um artefato técnico disposto em um ambiente que captava cenas aleatórias desde um bêbado dormindo, um cachorro cagando, as mesas de uma repartição pública depois do expediente etc...
Outro uso corrente, é quando essas imagens vão parar nos noticiários como prova material de agressões, rebelião de presídios, desastres aéreos e assaltos. Todos fundados na objetividade do aparato técnico que captou as imagens, esse é o Panótico de Foucault em nossa modernidade tardia.
A construção da imagem em circuitos fechados transporta o olhar da pessoa que vê para o locus do evento, colocando-o na mesma altura de quem é olhado, mesmo que a imagem seja de baixa resolução passa uma conotação de fidedignidade e verossimilhança, a que a representação do fotógrafo não tem a pretensão. Se assim fosse nenhum fotógrafo teria “estilo”, a verossimilhança ou mesmo a objetividade, no fim das contas, não é a principal causa do fotógrafo, mas sim a recriação do dado comum através de sua interpretação.
Em ambos os casos, a relação poder e corpo é mediada pela imagem, só que no caso dos circuitos fechados, o corpo moderno é constituído através de um olhar tecnológico, em que a metáfora da bioinformática tomou de assalto o velho e obsoleto corpo cuja sua imagem era recriada e não diretamente relacionada à verossimilhança, para um corpo tecnicizado, objetivo, o poder sobre o corpo está numa imagem técnica que o constrói e o reproduz numa escala infinita e num tempo fluido.


PS: Não percam hoje, Documento Cultura: Robert Capa

terça-feira, dezembro 28, 2010

Diálogo com nossos demônios ou intra subjetividade


Que eu ainda sou bem moço prá tanta tristeza
Deixemos de coisa, cuidemos da vida
Pois se não chega a morte ou coisa parecida
Que nos arrasta moço sem termos visto a vida
Ou coisa parecida, ou coisa parecida,
Ou coisa parecida


Belchior
Hora do Almoço

terça-feira, dezembro 21, 2010

"Sonhos de Uma Noite de Verão"


A barreira natural contra a regularidade da vida e sua banalidade é o sonho. Parece uma realidade aumentada que nos transporta de um lugar ao outro dentro da noite, até o momento em que não se sabe onde começa o tempo e termina o espaço, até que tudo ameaça a desabar num interior negro.
Alguns vêem o sonho como uma peça teatral, sendo a mente um teatro em que tentamos abrir a cortina da coxia do subconsciente inutilmente. Durante a noite somos dramaturgos de nossa alma, a psique atua com seu figurino de épocas passadas, quando não, ateia fogo às vestes como símbolo mágico de nossa dramaturgia, mas acaba consumida pela luz do dia e nos esquecemos fácil da dança da chama na pira da alma.
Há um saber no sonho que a razão não abarca, só mesmo a dramaturgia onírica revelada aos homens na treva é capaz de dar sentido, Borges dizia ser o sonho a atividade estética mais antiga. Na sombra, na noite os mistérios do espírito se revelam como figuras pálidas a nos dizer textos inauditos que só mesmo o espírito na treva do sonho parece saber, só ele parece compreender e imaginar delícias que sua fruição extrapola qualquer sentido possível.
Agora, deitado na cama, nesta noite quente de verão, espero sem sono o dia chegar e sua luz ofuscar a mise-en-scéne do espaço dormido e do tempo acordado, e inaugurar uma realidade litográfica, de árvores de calcário, rios magmáticos e uma paisagem petrificada no cotidiano - ter que ir trabalhar. Mesmo vivendo o sonho inútil de poder dormir, para fruir toda extensão do tempo e amplitude dos espaços. Que falta faz um ar condicionado!



quinta-feira, dezembro 16, 2010

O cão e o homem


Já era noite quando ele brincava com seu cão no parque.Tinha uma bicicleta velha com um bagageiro onde carregava seu cachorro e seu cobertor.Estava comendo um cachorro quente que divia com o cão e tomava coca-cola.

Começou a banhar-se na torneira que as pessoas costumam pegar água para levar para sua casa , pois naquele momento o tempo estava chuvoso, destas chuvas que pouco molham , mais ninguém se arriscava a correr no parque a não ser claro: eu que vos narro tal fato.

Conversa com seu cão como quem conversa com um filho , sim o cão era seu filho que provavelmente iria dormir mais tarde em algum canto abandonado pelo bairro.

Passei por ele várias vezes nas minhas voltas diárias que somavam-se em oito. Fiquei a imaginar o que se passava pela cabeça deste sujeito que possui uma maneira diversa de ver o mundo. Seria mais triste ou alegre por ter uma velha bicicleta, um cachorro e um cobertor....Não sei.

Mais que diferença isso faz para ele e para mim.

PIK

quarta-feira, dezembro 15, 2010

pitadas de filosofia - Cogito

Quando o grande filósofo matemático Descartes completou seu 40 anos recebeu uma graninha boa e ficou com vontade de viajar e conhecer o mundo. Alistou-se no exército e segundo consta teve contato com culturas totalmente diferentes da tua.

Tais culturas provavelmente geraram profunda crise no pensamento deste homem que até então enraizado dentro da cultura européia sempre tomara toda verdade que lhe fora ensinado dentro do colégio jesuíta de La Fleche. Ora, diante disso, este grande pensador talvez tenha pensado assim: vejo que dentro de cabeças honestas de outras culturas possuem verdades que vão contra a lógica daquilo que até hoje eu as tenho tomado como verdades universais e absolutas.

Eis aqui um grande problema. Como confiar nos sentidos se eles nos dão testemunhos relativos diante das coisas? Diante disso, Descartes resolve colocar todas as possibilidades de conhecimento em dúvida, pois para que algo seja realmente verdadeiro deve possuir propriedade de validade universal.

Diante da dúvida em relação a sua própria existência ele cogita (eis o cogito): penso = existo, como seria a mim possível cogitar sem pensar, mesmo que tivesse sonhando não poderia negar tal fato.

Veja que tal pensamento está contido uma verdade que podemos afirmar como universal (válida para qualquer ser humano) e que tal verdade provem das idéias (não dependem da experiência) e por isso idealista.

Diante disso, conclui-se que o pensamento cartesiano tem sua fundamentação dentro de um profundo idealismo com desconfiança profunda em nossos sentidos.

Mais o que gostaria de salientar é que acreditarmos piamente em nossas verdades particulares como teor de validade universal e não sermos capazes de ser honestos intelectualmente pode nos transformar em pessoas intolerantes. Neste ponto há um salto profundo no pensamento deste gênio matemático, aliás, área que ajudou a fundamentar sua tese idealista.

Como diante da relativade entre parâmetros de valores tão diversos entre as culturas termos uma convivência harmoniosa : eis um problema filosófico ainda aberto.

Hemerson

segunda-feira, dezembro 13, 2010

Âmago, onde?


Procuro o copo d’água no criado mudo

Para os lábios secos ansiosos

Meus ouvidos captam um ruído ao fundo

Algo me lembra minha infância

Será o guarda noturno?

Sinto o ofegar da minha respiração

O suporte da alma, agora inerte sobre a cama.

Quem é este?

A pestanejar por entre confusões mentais e delírios

Serei útil a alguém?

A dor do próximo não me afaga o rosto, nem acaricia minhas mãos.

Quanto à palavra, seu som não reverbera.

Quanto à luz, sua explosão é branca e pálida.

Do outro lado, dizem, é um breu total.

Extremos, ou melhor, intensidades.

Um vazio que é preenchido com impossibilidades

De sorrisos, de caminhos, de amores.

Porque é assim?

Ao Fúlvio Fernandes.

terça-feira, dezembro 07, 2010

O Amargo da Língua

Outro dia vi um pequeno escrito meu em outra língua, pareceu-me um outro eu que escrevera, a grafia muda, letras e fonemas quando escritos a mão em outro código apresentam um outro desenho, uma outra grafia, uma forma diversa de nossa grafia corrente.
Mas a principal constatação foi a de que língua tem uma história própria que lhe confere certa autonomia, seus códigos, sua sintaxe, seu sentido, todo seu universo semântico se constitui em sua próppria estrutura, de modo que se quisermos inferir em outros sentidos temos que subverter a estrutura da mesma ou utilizar-se de uma outra linguagem.
Pode parecer óbvio, mas as vezes passa desapercebido. O fato é que a língua fala, existe um sentido na linguagem que precede o sentido de qualquer conteúdo que veiculamos através dela. A própria língua já é a mensagem, já é um sentido que reveste os conteúdos, os conjuntos sintáticos e semânticos dotam a linguagem de certa autonomia. De maneira que toda obra, elaborada numa dada linguagem é antes de mais nada a fala desta linguagem.
A prosa e a poesia seguem a fala da língua escrita, o mapa é a fala da linguagem cartográfica, o vídeo é a fala do áudio visual e por aí vai. Quando escolhemos uma linguagem para dar existência a alguma informação estamos escolhendo a fala que mais se aproxima do sentido que esperamos dar. Porém, também podemos representar um sentido bastante interessante quanto tencionamos e/ou forçamos a linguagem a dizer aquilo que ela se nega a dizer.
Roland Barthes dizia que o maior risco em relação às línguas é o que elas nos obrigam a dizer, isso não que dizer que o risco é o que ela nos impede de dizer, o que é muito natural e compreensível, todos sabem da dificuldade de se traduzir alguns termos de uma língua para outra, mas o que Barthes chama a atenção é sobre o que a língua nos obriga a dizer devido ao seu caráter autônomo.
A linguagem é a base da representação, porém a representação não é apenas uma mímese do real, uma cópia perfeita da realidade ela é uma recriação da mesma, talvez seja mesmo por isso que a língua recria o mundo e não apenas o copia.
Mas o mais importante é subvertemos o que cada linguagem nos obriga a dizer, criarmos uma resistência na linguagem para recriarmos mundos ainda mais diversos, para tornar nossa representação ainda mais prenhe de poesia, para criarmos o real injetado de ficcção, o real como política da ficção.
Isso acontece com grupos, de minorias éticas, culturais e territoriais, como coletivos urbanos (haja vista o Estival aqui em São José) que se utilizam do imbricamento de várias linguagens para veicular seu conteúdo. A Língua segundo Bakhtin também apresenta um caráter material histórico e dialético, e precisamos sermos subversivos para nos apropriarmos de seus sentidos e criarmos outros que nos represente.
Sejamos o grupo de resistência da linguagem para subverter o sentido amargo daquilo que ela nos obriga dizer.

segunda-feira, dezembro 06, 2010

Podcast - Siri

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Meus amigos e amigas, depois de tempo distante estamos nós aqui outra vez trazendo a novidade agora do podcast inserido . Neste primeiro experimental estou colocando uma poesia de Aldir Blanc que foi musicada por João Bosco e aqui declamada pelo meu amigo Alexandre.

Abraços

PIK


domingo, dezembro 05, 2010

Como nossos pais





A alguns anos tive uma sadio debate com o comuna Piquitito sobre o verdadeiro referencial dos Beatles desde o fim da banda até hoje.


Pelo curto tempo de duração da banda comparada a outras da época, tinha muita dificuldade em me aprofundar e de concordar com ele nos termos dele a qual hoje lhe dou toda razão.


Sempre gostei muito de ouvir o som de John e Paul no pós-banda mas tinha dificuldade(tanto financeira quanto de disponibilidade)de ter o material da época em vinil, tape ou mesmo em CD de forma a qual ficava limitado a coletaneas comerciais.


Hoje no entanto ja se disponibiliza todas as versões totalmente remasterizadas tanto stéreo quanto mono, além de discos em vinil para os saudosos da vitrola em sebos.


O resultado em versão stéreo é no minimo magnifico! Eu adquiri e ouvi o Sgt. Pepper's e nada, absolutamente nada se descaracteriza do som original. Como diz Piquitito, realmente não existem músicas ruins. Se descarta a idéia de se ter conhecimento total do som dos caras por via de coletaneas. Nesse caso a tecnologia trabalhou somente a serviço do bem.


Você estava certo Piquitito.




Mas o que mais tenha mudado minha opinião de agora nem seja sua influência nos grandes artistas nacionais, mas a amostragem das pessoas presentes no último show do Paul no Morumbi.




Existiam exatamente divididas em 3 partes a geração do avô, pai e filho nas arquibancadas com o detalhe dos meninos(as) com não mais que treze anos de idade curtindo emocionados e cantando em inglês perfeito cada canção tocada por McCartney da antiga banda. Conversando com um desses pais, ele tinha a real preocupação de passar ao filho uma musicalidade o mais bonita, expressiva e saudavél possivél em épocas de terrorismo comercial vindo de todos canais de TV e estações de radio mais populares.


Pessoas que conheço fazem exatamente o mesmo com seus filhos. A maioria tem sucesso. Outros não tem a mesma preocupação e deixam a cargo dos jovens decidir do que gosta. Muito bonito ou perigoso em uma sociedade atual totalmente alienada e vulneravél a chats on-line, vicíos precoces e o péssimo uso do livre arbitrio, totalmente o oposto da época de nossos antepassados. Isso tende a pender diretamente no comportamento desses jovens em sua formação intelectual, social e profissional na sociedade e nas ruas.


Não achava que isso existia ou seria possivél nos dias de hoje.


Salve os Beatles, Salve Chico, Salve Farias(que não deixa o pequeno Heitor se contaminar) e salve nossos pais que nos ensinam as boas coisas da vida!




Foto: André L Rozaboni

sexta-feira, dezembro 03, 2010

Do Diálogo

"Uns quinhentos anos antes da era cristã aconteceu na Magna Grécia a melhor coisa registrada na história universal: a descoberta do diálogo. A fé, a certeza, os dogmas, os anátemas, as preces, as proibições, as ordens, os tabus, as tiranias, as guerras e as glórias assediavam o orbe; alguns gregos contraíram, nunca saberemos como, o singular costume de conversar. Duvidaram, persuadiram, discordaram, mudaram de opinião, adiaram. Quiçá foram ajudados por uma mitologia, que era, como o Shinto, um conjunto de fábulas imprecisas e de cosmogonias variáveis. Essas dispersas conjecturas foram a primeira raíz do que hoje chamamos, não sem pompa, de metafísica. Sem esses poucos gregos conversadores, a cultura ocidental é inconcebível".

Jorge Luis Borges e Osvaldo Ferrari. Sobre a amizade e outros diálogos.
(São Paulo, Hedra, 2009, p. 21).

sábado, novembro 27, 2010

Sem Contexto


Parei. Parei não, tô descansando. Parar nunca. Só na vala. Daqui da minha cama, depois da janela, um monte de fio, rabiola, tênis velho. Lá fora o mundo gira à milhão. Aqui dentro tudo tranqüilo. Fumar. Cigarro bom, de marca. Ele e a macaca do meu lado.

Quando era criança nem imaginava isso tudo. Lembro da minha mãe, domeu pai, dos meus tios. Lembro de casa. Que é bem pertinho daqui.Vontade do churrasco do tio Isaias. Das piadas do padrinho. Os horários eram diferentes lá em casa. Minha mãe trabalhava no asfalto, no comercio. Meu pai motorista de ônibus. Lembro dele de óculos escuros, sapatos brilhantes, corrente de ouro no peito, camisa aberta. Lembro da guia. A mulecada da rua tava sempre em casa. Gostavam da pipoca da minha vó, das historias do Bene, segundo marido da minha vó. Um deles correu comigo até esses dias. Foi meu amigo, meu fiel, meu chefe... agora me proteje. Nunca pensei no que ia de ser. Minha mãe diz que eu queria ser marinheiro. Falava de barco. De ficar no mar o dia inteiro. Eu não me lembro. Esse sonho eu não tive. Vivi a vida e desemboquei aqui. E só.


Foto: Silvia Izquierdo/AP – Complexo do Alemão


Sebastião Maia

quinta-feira, novembro 11, 2010

O Espaço da Alegoria

Em que pesem todas as alegorias do mundo, desde Platão, a obstinada representação da realidade foi o que nos deu régua e compasso para traçar os seus contornos e para que nos sentíssemos inclusos dentro dos seus limites, dentro dos limites do sentido, de seu significado, dentro de um mundo quem sabe inexistente; tão inexistente quanto as sereias de Ulisses e a caverna de Platão. Inexistente como o pragmatismo da poesia, como a objetividade da realidade, como uma ficção do cotidiano, que existirá dentro de nós sempre e pelos mesmos motivos de sua não existência.
Lembro-me do sonho de Aureliano Buendía em os Cem Anos de Solidão, em que ele levanta no meio da noite e via sua imagem refletida em dois espelhos nas paredes de seu quarto, um de frente para o outro, de maneira que um refletia o reflexo do outro numa perspectiva infinita, como se houvesse a imagem dele e de vários quartos projetados numa seqüência infinita um atrás do outro.
Nessa projeção de imagens dos infinitos quartos, Aureliano abria as portas e ia passando de um quarto para outro, até que em um deles Aureliano sempre se encontrava com um homem, o qual havia matado numa briga. Este era o sonho que ele tinha com a sua vitima.
Porém um dia, neste sonho, ao entrar em um desses infinitos quartos e após conversar com o homem que havia matado, ao sair, a porta não se abria e Aureliano ficou trancado, preso no mesmo quarto que sua vítima. Essa foi a maneira que Gabriel Garcia Márquez arrumou, sem dizer em nenhum momento a palavra morte, que Aureliano Buendía morreu dormindo.
Neste sentido também, lembrei-me dos cartógrafos de Borges:

“... Naquele império, a Arte da Cartografia alcançou tal Perfeição que o mapa duma Província ocupava uma Cidade inteira, e o mapa do Império uma Província inteira. Com o tempo esses Mapas Desmedidos não bastaram e os Colégios de Cartógrafos levantaram um Mapa do Império, que tinha o Tamanho do Império e coincidia com ele ponto por ponto. Menos Dedicadas ao Estudo da Cartografia, as Gerações Seguintes decidiram que esse dilatado Mapa era Inútil e não sem Impiedades entregaram-no às Inclemências do Sol e dos Invernos. Nos desertos do Oeste perduram despedaçadas Ruínas do Mapa habitadas por Animais e Mendigos; em todo o País não há outra relíquia das Disciplinas Geográficas.”

Ambos os textos em sua representação da realidade tentam reproduzir o imponderável e o infinito, questões patentes entre os dois autores. No segundo texto, Borges, tenta partindo de uma teoria de seus cartógrafos, reproduzir, ou melhor dizendo, representar em extensão, o fenômeno (espacial) em sua ocorrência. O que expõe a representação ao campo semântico das intempéries da natureza como prova de sua não concretixzação no real, deixando implícita a relação da representação dos fenômenos da natureza e a “natureza dos fenômenos de representação”, que tenciona criar uma outra realidade uma outra natureza em que possa existir.
A função das alegorias, ou da “natureza dos fenômenos de representação”, não é só a de ser uma imagem da coisa representada, mas também de recriar a realidade. A representação não é uma cópia mas sim uma criação do dado ordinário que pode beirar a inverossimilhança mas que existe.
Quando Borges escreveu tal texto, seria inverossímil afirmar que após a década de 70 existiriam equipamentos em órbita da terra que poderiam mapear o espaço ordinário da vida humana em sua totalidade e em tempo real, compreendendo todos os fenômenos naturais e de representação do espaço. As linguagens do sensoriamento remoto recriam constantemente realidades acerca do espaço geográfico, impedindo-nos de afirmar que haveria uma realidade em si. Mesmo que o dado e a objetividade científica, nos tentam convencer do contrário.
Outra questão ligada à representação é o da escala, que nas alegorias de Borges e Gabriel Garcia Márquez, é possível identificá-las. Toda vez em que aumentamos ou diminuímos uma escala também alteramos a percepção do espaço. Assim, por meio da escala, é possível também criar, acerca de um mesmo lugar, realidades diferentes, cujas possibilidades podem aumentar à medida que cruzamos linguagens distintas. Escalas que reduzem ou que aumentam muito, alteram e/ou suscitam outras interpretações. Mas o que importa mesmo nesses casos são as escalas que tendem ao infinito e a escala 0:1, a escala da imaginação. Esta, com dupla função: a de descrever o espaço da alegoria e a alegoria do espaço.
















domingo, outubro 31, 2010

Saudações. Aos que tem coragem

O Deus ELIMINE o PSDB deste País.

Que o nº 45, deixe de existir.

O Pai, dê sabedoria ao povo brasileiro, para reconhecer seus líderes.


Dê discernimento a essa mulher para criar um país mais equânime, onde a ética, a coerência e o respeito caminhem juntos.


Amém!

Parabéns Dilma Roussef - 1ª Presidenta do Brasil



quarta-feira, outubro 27, 2010

TRIBUTO a TIM MAIA

BANDA BLACK RIO

28 / 10
quinta


PRAÇA MARIO CESARE PORTO 20h 30m

(ao Lado do PIRATINIGA / JD SATÉLITE)


DEMORÔ!!!

quarta-feira, outubro 13, 2010

Política e religiosidade



“Num país como o nosso, ainda que queiram, o candidato que se assume ateu está atestando seu óbito político”.

A maneira como a ministra Dilma tem sido tratado por alguns setores da igreja católica e protestante em nosso país, lembra muito bem o comportamento errôneo que teve a igreja durante o período da ditadura militar, quando famílias saíram à rua com medo da implantação do chamado “comunismo” implantado nos países do leste europeu. Sabemos o alto preço que ela deve que pagar em função disso naquele período.
Agora, a bola da vez é a questão do aborto, sobre sua implantação em nível nacional para que mulheres não se matem em clínicas clandestinas espalhadas pelo país sem o mínimo de cuidado possível.
Ambos candidatos tem no fundo a mesma opinião, o problema que em determinado momento Dilma cometeu o erro, de colocar isso publicamente. É importante lembrar aqui que a chamada pílula do dia seguinte que a Igreja é contra foi implantada pelo senhor José Serra.
Mais deixemos por hora essa questão e vamos aprofundar no quesito aborto ligado a vida. Todos sabemos que a vida para os cristãos como está na encíclica social e ética se dá em todos períodos da vida, desde sua concepção até a velhice que, seguindo o curso normal da vida, precede a morte natural. Desta forma, quando parte da Igreja, eu digo parte, porque se pegarmos o site oficial da CNBB ela não assume uma postura anti-Dilma, até porque quem estudar a fundo a fundação do PT sabe que ele nasceu dentro das CEB´s católicas .
A vida deve ser vista em sua totalidade e não apenas no embrião presente no útero materno, pois quando deixamos crianças soltas na rua feitas bicho, na escola sem aprender direito (como acontece nas escolas paulistas), na cracolândia em pleno centro de São Paulo, nos hospitais onde idosos são desrespeitados passando meses esperando um especialista, e em tantas outras situações, também estamos abortando e isto deveria ser aprofundado nas discussões que a sociedade tem colocado.
É importante desta forma levantar questões positivas e negativas em ambos governo: PSDB e PT e fazermos comparações de índices relacionados principalmente as classes menos abastadas para sabermos realmente quem menos preocupa com vida e aí chegarmos à conclusão, isto é, a continuidade ou rompimento do atual governo.
Hemerson

domingo, setembro 26, 2010

Para ler um poema



Sentada no trono
Entre a dor e o alívio
O tempo certo para
Abrir o livro
um poema

O tempo certo
Para saborear as palavras
Leio e dou a descarga

Luciana Bertarelli

segunda-feira, setembro 20, 2010



A ORIGEM

A origem é um filme intrigante, protagonizado por Leonardo de Caprio (Dom Cobb) é um espião clandestino especialista em roubar segredos do subconsciente, enquanto dormem Cobb controla o seu sonho e então entra no sonho da sua vítima e a manipula, e por tal habilidade é procurado e perseguido pelo mundo da espionagem onde se encontra envolvido numa trama com produção típica de cinema americano, e para se safar, Cobb teria que cumprir um crime quase perfeito planejado junto a uma equipe de espiões. Ao invés de roubar pensamentos teria que implanta-los, mas somente Cobb era capaz de capitanear esse grupo através de sonhos compartilhados.

Apesar de ficção, o filme apresenta especulações no campo, psicanalítico e fenomenológico, Cobb possui fixação em entrar no sonho, pois tem um caso de amor com a sua mulher que até então havia se suicidado.
Ellen Page interpretada por Ariadne é parceira de Cobb e responsável por arquitetar os sonhos; em uma das cenas, submerso, e no controle do sonho partilhado, Cobb e Ariadne caminham pela cidade criando imagens surreais e percebem que as pessoas que ali transitam estão em simetria com os seus sonhos.

O roteiro apesar de complexo, envolve- te numa trama metafórica dos sonhos dentro de outro sonho, formando três estágios de sonhos, carregado de carga emocional, a dinâmica interativa da perseguição insere o espectador dentro do pesadelo. O longa do diretor, produtor e roteirista Cristhoper Nolan, deixa sua marca de cinema pós moderno, abordando de modo ensaístico, o perene em meio a hiper produção Hollywoodiana, e como se não bastasse, Nolan termina com um desfecho enigmático.

Fabiano Baldi

A ORIGEM

Título original: Inception

Duração:148 minutos (2 horas e 28 minutos)

Gênero: Ação / Ficção Científica

Direção: Christopher Nolan

Ano: 2010

País de origem: EUA / REINO UNIDO