
sexta-feira, março 04, 2011
quinta-feira, março 03, 2011
Fragmentos de Um Discurso Amoroso
1. Uma força precisa arrasta minha linguagem em direção ao mal que posso fazer a mim mesmo: o regime motor de meu discurso é a roda livre: a linguagem vai girando, sem nenhum pensamento tático da realidade. Procuro fazer mal, expulso-me a mim mesmo de meu paraíso, empenhamdo-me em suscitar em mim as imagens (de ciúmes, de abandono, de humilhação) que podem me ferir; e aberta a ferida, mantenho-a, alimento-a com outras imagens, até que um outro ferimento venha provocar a diversão.
2. O demônio é plural ("Meu nome é Legião", Lucas, 7,30). Quando um demônio é repelido, quando finalmente impus-lhe silêncio (por acaso ou luta), um outro levanta a cabeça ao lado e se põe a falar. A vida demoníaca de um amante assemelha-se à superfície de uma solfatara*: grandes bolhas (ardentes e lamacentas) eclodem uma após a outra; quando uma baixa e apazigua-se, retorna à massa, uma outra, mais adiante, se forma, infla. As bolhas "Desespero", "Ciúme", "Exclusão", "Desejo", Incerteza de conduta", "Pavor de perder a dignidade" (o mais perverso de todos os demônios) fazem "ploc" uma após a outra, numa ordem indeterminada: a desordem mesma da Natureza.
3. Como repelir um demônio (velho problema)? Os demônios, principalmente se são de linguagem (e que mais poderiam ser?), se combatem pela linguagem. Posso pois ter a esperança de exorcizar a palavra demoníaco que me é soprada (por mim mesmo) substituindo-a (se acaso eu tiver tal talento linguageiro) por uma outra palavra, mais pacífico (caminho para a eufemia). Assim: eu acreditava ter finalmente saído da crise, quando repentinamente -- incitada por uma longa viagem de carro -- uma verborragia me possui, não paro de me agitar no pensamento, no desejo, na nostalgia, na agressão do outro; e acrescentoo que sofro uma recaída; mas o vocabulário francês é uma verdadeira farmacopeia (veneno de um lado, remédio do outro): não, não se trata de uma recaía, trata-se apenas do último sobressalto do demônio interior.
* Cratera de vulcão extinto de onde se exalam vapores de enxofre ou gás sulfídrico; sulfureira.
Roland Barthes. Fragmentos de um discurso amoroso.
(São Paulo, Martins Fontes, 2007, p. 111-113).
Meu Nome Não é Johnny, e nem Bukowisky
Tenho-o na mais alta conta da palavra, essa matéria prima da literatura, da letra, unidade básica da linguagem escrita, essa mesma que perdura pelos tempos, desde os pré-socráticos e sua relação intrínseca com a natureza e o mito, até Aristóteles, e a razão incorporada à sua metafisica e a literatura. Tomando essa analogia, sinto que é esta a substancia a qual estamos imersos, a linguagem, a representação. Barthes chegou a nos recomendar, que trapaceássemos com essa substância fazendo literatura.
Não há na literatura uma razão em si, seja política, ideológica ou mesmo estética, é sim tudo isso ao mesmo tempo, na realidade para mim, a literatura é a nossa cota de humanidade, a ação que humaniza o mundo e naturaliza o homem, a literatura em si demanda mais vida, é isso.
Desde que a razão cindiu homem e natureza, nos afastou da representação mítica da realidade trazendo-nos o desencanto e a não poesia, vejo a necessidade imperativa de trapacearmos dentro da representação escrita e criarmos a literatura, é ela que nos religará com a nossa natureza, em sua etimologia, religare, a literatura é a minha religião. Não escrevemos só para alguém, escrevemos antes de tudo para recriarmos a realidade.
Sede bem vindos!
Quero me esgueirar no colchão mal cheiroso e mofado
Me enfiar nele como quando era adolescente
Sinto o sol ardente dos trópicos ao qual fui confinado
Ouço os palavrões da vizinhança
Cheiro o alho e a cebola que me ressuscitam
Apresentação
Queria agradecer ao pik, multiastuto, ao coronel, erutitíssimus est, ao gigante André, mestre do pathos da filia, e especialmente, ao meu primo Samuel, mega-entusiasta, pela opurtunidade de escrever pela primeira vez no comunapiraquara, depois de anos de cadeira, de mesa e de bar. Não que escrever seja difícil ou inacessível, Walter Benjamim já previa esta democracia literária, na qual ídolos não existem. Escrevo, pela prima nocte, com um nome em homenagem a Bukowisky, porém sem tantos anos entregando carta. (Gosto de pensar nos meus amigos como super-heróis, na qual, liga da justiça, cada um tem um poder, um talento único e necessário).
Comuna, comunidade, comum, koinonia, koinonia politiké, intercomunicação, non sense. É o que é comum, fumar no portão, brigar na rua, regar as plantas, o que você disse? Ah, passar café.
“Hoje percebi que venho me apegando as coisas, materiais, que me dão prazer...” O que é isso baby? você é o que você ganha? Quem ganha pouco perde muito. Agora babe, troque de faixa, rápido! que se foda.
Sartre escreveu um livro que se chama “que é a literatura” na qual se questiona o porquê de escrever e porquê, enfim, de toda arte literária. Escrever pra quê? Aristóteles disse que o ser humano é um animal político. A sua finalidade é o pleno exercício da razão, sua máxima potencialidade. Ser feliz é exercer seu devir, aquilo que deves ser, se não se perderes nos caminhos da desmesura. Escrever é então o ato político intencional de passar mensagens para outrem. Não concordo plenamente com Brecht ou Sartre, que submetem a arte a uma ideologia marxista. Não acho que minha escrita tenha que simplesmente ser um instrumento da luta de classe. Sou neto de pedreiro e filho de operário. Minha arte pode ser chamada de elitista? Uma coisa é clara, escrevemos para alguém, mesmo que seja para nós mesmos, quer dizer, quem escreve diário, sempre pensa na possibilidade de alguém poder Le-lo. Então há a preocupação com a estética e a glória. “sorvo rápido a vida”.
domingo, fevereiro 27, 2011
Ricota
Compre um sagrado pão integral,corte em partes e leve ao forno para torrar, ficou crocante, tira o danado.Reserve.
Abra o vinho que você guardava para a ocasião, coloque nas taças, brinde com quem está ao lado.
Aproveite o que você reservou e deleite-se no alimento que você preparou.
PIK
quinta-feira, fevereiro 24, 2011
Confissões do mundo virtual
Bom, os dias melhores vieram e estamos todos bem, embora cada um com sua correria e seus planos. Mas como mundo virtual chega pra encurtar as distâncias, tô eu aqui, fazendo contato.
Na conversa com o Pik, ele me disse que eu poderia colocar algumas fotos que faço pelo caminho e eu também sugeri postar algumas receitas e escrever sobre as relações de troca da alimentação na sociedade (um dos assuntos que tenho gostado de estudar!), e vou fazer isso. Mas hoje, já que falei de confissões e mundo virtual, compartilho o novo aplicativo para I-Phone:
Confession: A Roman Catholic App
É um aplicativo em que vc pode se confessar, orar e fazer o rito de penitência.
A internet chegou pra mundar mesmo as relações de poder. Agora no mundo virtual ninguém precisa da mediação da santa igreja católica. Não precisamos mais de papas, bispos, arcebispos e padres.
A apple envia nossos pecadinhos direto pra Deus! Se ficou interessado, clique aqui!
quarta-feira, fevereiro 16, 2011
Elogio à Loucura
quarta-feira, fevereiro 09, 2011
terça-feira, fevereiro 08, 2011
Incubado

Onde jaz vosso sentimento!!!
Proibido pelas leis socias
E vigiado por você agora
Não estará no insconciente Freudiano
Mascardo por você
Onde estará o fervor
A vontade de viver
Morreu? Morreu!!!
Voa...Voa na profundeza
Você chora malandragem...Como chora
Ja não é você
O suicídio não lhe cabe
A coragem não lhe pertence
Pule pule pule
O Paraíba está aí irmão
Você é fraco ...Como é fraco
Foto: represa Jaguari
PIK
domingo, fevereiro 06, 2011
Janis tinha razão?

Janis Joplin tinha uma frase interessante “dizia que preferia viver 10 curtindo a vida do que 70 sentado na frente de uma poltrona assistindo televisão”. A vida deveria ser medida pela sua intensidade, não pelo tempo glorioso da idade levada a longos anos. Por quê? Ora, daqui a 200 anos tirando os gênios, nos aqui leitores e eu que aqui vos escrevo provavelmente não serei lembrando, afinal na modernidade tudo é muito passageiro.
Mais onde estou querendo chegar com isso? A ciência moderna controla nosso corpo como nunca controlou antes: pressão arterial, colesterol bom, colesterol ruim, acima do peso, abaixo do peso. Além das análises de alma (psique): depressão, síndrome do pânico, hiperativo e outras doenças que sempre convivemos com elas, sem nomeá-las.
Imagine que você viva uma vida normal em seus 45 anos até então tranqüilo e vai ao médico para fazer um check-up e aí lá vem os problemas que você tinha, mais não sabia e agora terá que conviver com mais um: a causa psicológica que o danado causará em você.
Nós deixamos que os especialistas passassem a definir o que é melhor para nós a tal ponto que não demos conta disso. E vivemos com medo de comer e beber qualquer coisa em pró da saúde física, sem sabermos que podemos estar ficando doentes da cabeça. E quando achamos que estamos doentes da cabeça não suportamos tentar conviver com está dor e corremos no psicólogo que como diz o Raul: “Eu fui e acreditei no velho papo do psiquiatra que ensina como é que você vive alegremente de agüentar tudo calado , de bancar o empregado sem jamais se aborrecer, ele só quer, só quer de adaptar, sua profissão, seu dever é adaptar”.
Nota: foto do meu celular fuleiro VGA que só funciona de dia e olhe lá.
Pik
segunda-feira, janeiro 31, 2011
Carta sobre a felicidade - Carta a Meneceu
PSI: meus caros é um pouco longo , mais uma preciosidade de grande valia da filosofia hedonista.
Que ninguém hesite em se dedicar à filosofia enquanto jovem, nem se canse de fazê-lo depois de velho, porque ninguém jamais é demasiado jovem ou demasiado velho para alcançar a saúde do espírito. Quem afirma que a hora de dedicar-se à filosofia ainda não chegou, ou que ela já passou é como se dissesse que ainda não chegou ou que já passou a hora de ser feliz. Desse modo, a filosofia é útil tanto ao jovem quanto ao velho: para quem está envelhecendo sentir-se rejuvenescer através da grata recordação das coisas que já se foram, e para o jovem poder envelhecer sem sentir medo das coisas que estão por vir; é necessário, portanto, cuidar das coisas que trazem a felicidade, já que, estando esta presente, tudo temos, e, sem ela, tudo fazemos para alcançá-la.Pratica e cultiva então aqueles ensinamentos que sempre te transmiti, na certeza de que eles constituem os elementos fundamentais para uma vida feliz.
Em primeiro lugar, considerando a divindade como um ente imortal e bem-aventurado, como sugere a percepção comum de divindade, não atribuas a ela nada que seja incompatível com a sua imortalidade, nem inadequado com a sua imortalidade, nem inadequado à sua bem-aventurança; pensa a respeito dela tudo que for capaz de conservar-lhe felicidade e imortalidade.
Os deuses de fato existem e é evidente o conhecimento que temos deles; já a imagem que deles faz a maioria das pessoas, essa não existe: as pessoas não costumam preservar a noção que têm dos deuses. Ímpio não é quem rejeita os deuses em que a maioria crê, mas sim quem atribui aos deuses os falsos juízos dessa maioria. Com efeito, os juízos do povo a respeito dos deuses não se baseiam em noções inatas, mas em opiniões falsas. Daí a crença de que eles causam os maiores malefícios aos maus e os maiores benefícios aos bons. Irmanados pelas suas próprias virtudes, eles só aceitam a convivência com os seus semelhantes e consideram estranho tudo que seja diferente deles.
Acostuma-te à ideia de que a morte para nós não é nada, visto que todo bem e todo mal residem nas sensações, e a morte é justamente a privação das sensações. A consciência clara de que a morte não significa nada para nós proporciona a fruição da vida efêmera, sem querer acrescentar-lhe tempo infinito e eliminando o desejo de imortalidade.
Não existe nada de terrível na vida para quem está perfeitamente convencido de que não há nada de terrível em deixar de viver. É tolo portanto quem diz ter medo da morte, não porque a chegada desta lhe trará sofrimento, mas porque o aflige a própria espera: aquilo que não nos perturba quando presente não deveria afligir-nos enquanto está sendo esperado.
Então, o mais terrível de todos os males, a morte, não significa nada pra nós, justamente porque, quando estamos vivos, é a morte que não está presente; ao contrário, quando a morte está presente, nós é que não estamos. A morte, portanto, não é nada, nem para os vivos, nem para os mortos, já que para aqueles ela não existe, ao passo que estes não estão mais aqui. E, no entanto, a maioria das pessoas ora foge da morte como se fosse o maior dos males, ora a deseja como descanso dos males da vida.
O sábio, porém, nem desdenha viver, nem teme deixar de viver; para ele, viver não é um fardo e não-viver não é um mal.
Assim como opta pela comida mais saborosa e não pela mais abundante, do mesmo modo ele colhe os doces frutos de um tempo bem vivido, ainda que breve.
Quem aconselha o jovem a viver bem e o velho a morrer bem não passa de um tolo, não só pelo que a vida tem de agradável para ambos, mas também porque se deve ter exatamente o mesmo cuidado em honestamente viver e em honestamente morrer. Mas pior ainda é aquele que diz: bom seria não ter nascido, mas, uma vez nascido, transpor o mais depressa possível as portas do Hades.
Se ele diz isso com plena convicção, por que não se vai desta vida? Pois é livre para fazê-lo, se for esse realmente seu desejo; mas se o disse por brincadeira, foi um frívolo em falar de coisas que brincadeira não admitem.
Nunca devemos nos esquecer de que o futuro não é nem totalmente nosso, nem totalmente não-nosso, para não sermos obrigados a esperá-lo como se estivesse por vir com toda certeza, nem nos desesperarmos como se não estivesse por vir jamais.
Consideremos também que, dentre os desejos, há os que são naturais e os que são inúteis; dentre os naturais, há uns que são necessários e outros, apenas naturais; dentre os necessários, há alguns que são fundamentais para a felicidade, outros, para o bem-estar corporal, outros, ainda, para a própria vida. E o conhecimento seguro dos desejos leva a direcionar toda escolha e toda recusa para a saúde do corpo e para a serenidade do espírito, visto que esta é a finalidade da vida feliz: em razão desse fim praticamos todas as nossas ações, para nos afastarmos da dor e do medo.
Uma vez que tenhamos atingido esse estado, toda a tempestade da alma se aplaca, e o ser vivo não tendo que ir em busca de algo que lhe falta, nem procurar outra coisa a não ser o bem da alma e do corpo, estará satisfeito. De fato, só sentimos necessidade do prazer quando sofremos pela sua ausência; ao contrário, quando não sofremos, essa necessidade não se faz sentir.
É por essa razão que afirmamos que o prazer é o início e o fim de uma vida feliz. Com efeito, nós o identificamos como o bem primeiro e inerente ao ser humano, em razão dele praticamos toda escolha e toda recusa, e a ele chegamos escolhendo todo bem de acordo com a distinção entre prazer e dor.
Embora o prazer seja nosso bem primeiro e inato, nem por isso escolhemos qualquer prazer: há ocasiões em que evitamos muitos prazeres, quando deles nos advém efeitos o mais das vezes desagradáveis; ao passo que consideramos muitos sofrimentos preferíveis aos prazeres, se um prazer maior advier depois de suportarmos essas dores por muito tempo. Portanto, todo prazer constitui um bem por sua própria natureza; não obstante isso, nem todos são escolhidos; do mesmo modo, toda dor é um mal, mas nem todas devem ser sempre evitadas. Convém, portanto, avaliar todos os prazeres e sofrimentos de acordo com o critério dos benefícios e dos danos. Há ocasiões em que utilizamos um bem como se fosse um mal e, ao contrário, um mal como se fosse um bem.
Consideramos ainda a autossuficiência um grande bem; não que devamos nos satisfazer com pouco, mas para nos contentarmos com esse pouco caso não tenhamos o muito, honestamente convencidos de que desfrutam melhor a abundância os que menos dependem dela; tudo o que é fácil de conseguir; difícil é tudo o que é inútil.
Os alimentos mais simples proporcionam o mesmo prazer que as iguarias mais requintadas, desde que se remova a dor provocada pela falta: pão e água produzem o prazer mais profundo quando ingeridos por quem deles necessita.
Habituar-se às coisas simples, a um modo de vida não luxuoso, portanto, não só é conveniente para a saúde, como ainda proporciona ao homem os meios para enfrentar corajosamente as adversidades da vida: nos períodos em que conseguimos levar uma existência rica, predispõe o nosso ânimo para melhor aproveita-la, e nos prepara para enfrentar sem temos as vicissitudes da sorte.
Quando então dizemos que o fim último é o prazer, não nos referimos aos prazeres dos intemperantes ou aos que consistem no gozo dos sentidos, como acreditam certas pessoas que ignoram o nosso pensamento, ou não concordam com ele, ou o interpretam erroneamente, mas ao prazer que é ausência de sofrimentos físicos e de perturbações da alma. Não são, pois, bebidas nem banquetes contínuos, nem a posse de mulheres e rapazes, nem o sabor dos peixes ou das outras iguarias de uma mesa farta que tornam doce uma vida, mas um exame cuidadoso que investigue as causas de toda escolha e de toda rejeição e que remova as opiniões falsas em virtude das quais uma imensa perturbação toma conta dos espíritos. De todas essas coisas, a prudência é o princípio e o supremo bem, razão pela qual ela é mais preciosa do que a própria filosofia; é dela que originaram todas as demais virtudes; é ela que nos ensina que não existe vida feliz sem prudência, beleza e justiça, e que não existe prudência, beleza e justiça sem felicidade. Porque as virtudes estão intimamente ligadas à felicidade, e a felicidade é inseparável delas.
Na tua opinião, será que pode existir alguém mais feliz do que o sábio, que tem um juízo reverente acerca dos deuses, que se comporta de modo absolutamente indiferente perante a morte, que bem compreende a finalidade da natureza, que discerne que o bem supremo está nas coisas simples e fáceis de obter, e que o mal supremo ou dura pouco, ou só nos causa sofrimentos leves? Que nega o destino, apresentado por alguns como o senhor de tudo, já que as coisas acontecem ou por necessidade, ou por acaso, ou por vontade nossa; e que a necessidade é incoercível, o acaso, instável, enquanto nossa vontade é livre, razão pela qual nos acompanham a censura e o louvor?
Mais vale aceitar o mito dos deuses, do que ser escravo do destino dos naturalistas: o mito pelo menos nos oferece a esperança do perdão dos deuses através das homenagens que lhes prestamos, ao passo que o destino é uma necessidade inexorável.
Entendendo que a sorte não é uma divindade, como a maioria das pessoas acredita (pois um deus não faz nada ao acaso), nem algo incerto, o sábio não crê que ela proporcione aos homens nenhum bem ou nenhum mal que sejam fundamentais para uma vida feliz, mas, sim, que dela pode surgir o início de grandes bens e de grandes males. A seu ver, é preferível ser desafortunado e sábio, a ser afortunado e tolo; na prática, é melhor que um bom projeto não chegue a bom termo, do que chegue a ter êxito um projeto mau.
Medita, pois, todas estas coisas e muitas outras a elas congêneres, dia e noite, contigo mesmo e com teus semelhantes, e nunca mais te sentirás perturbado, quer acordado, quer dormindo, mas viverás como um deus entre os homens. Porque não se assemelha absolutamente a um mortal o homem que vive entre bens imortais.
Epicuro-filosofia helenística
quarta-feira, janeiro 26, 2011

A morte da solidão
Diante do ciberespaço a velhice não será tão solitária quanto foi até então. Muitos idosos hoje não mantêm um forte contato com a Internet por lhe parecer complexa. Entretanto, os jovens de hoje estarão mais dentro deste novo mundo quanto mais tempo passará dentro de suas casas.
Vemos muitos idosos que perdem seus pares e sentem uma profunda solidão por falta de contato com seus familiares, coisa que a tecnologia vêm suprindo através de suas redes sociais como orkut , facebook e outros.
Muitos dirão: mais isto não é para todos . Falso, pesquisa revela que a Internet está cada vez mais próxima das camadas de rendas mais baixas e num futuro próximo a teremos como televisão em que está em qualquer espaço.
Muito se tem falado dos efeitos na Internet nas crianças e adolescentes, entretanto, para um país que em 2050 terá um número maior de idosos do que de jovens, tal análise me parece fundamental para entendermos as mudanças que o ciberespaço causará na chamada terceira idade.
PIK.
sexta-feira, janeiro 07, 2011
Vitor Henrique Paro
Fonte : youtube
http://www.youtube.com/watch?v=GZgYygq0WnQ
segunda-feira, janeiro 03, 2011
In the Flesh

Hoje a imagem representa o ideário virtual que vê na materialidade do corpo uma viscosidade incômoda (Pelbart, 2003), há uma aspiração por uma imaterialidade do corpo em nossa modernidade tardia, a representação do corpo assume uma autonomia frente a sua materialidade, não que a representação não seja material, e nem que o virtual não seja real.
Susan Sontang em seu livro Diante da Dor dos Outros descreve bem a atuação de fotógrafos como Robert Capa e Henri Cartier Bresson que estiveram em fronts de guerra e captaram imagens “traumáticas”, termo que Barthes se refere em seu livro Câmara Clara . Porém, hoje, existe dois tipo dessas imagens traumáticas, as que são capturadas por um fotógrafo e as que são capturadas por câmeras de vigilância de circuitos fechados.
A diferença é que na primeira é necessário que o fotógrafo ou cinegrafista esteja presente ao fato, e portanto, mesmo que tencione uma objetividade, a imagem é fruto do enquadramento dado, de uma determinada luz, de sua subjetividade, de sua intencionalidade, existe uma leitura do fotógrafo na captura da cena. Já na segunda é necessário apenas a presença da câmera, a leitura previa do fotógrafo ou cinegrafista é banida.
Certo dia vi um ensaio fotográfico erótico feito através de câmeras de circuito fechado. Neste caso, o corpo tem seu poder, ou seu potencial erótico fundado em uma imagem as vezes poética ou mesmo banal, mas o que chama a atenção é que não é o olhar do fotógrafo que buscou ou tencionou o poder de erotização do corpo, foi um artefato técnico disposto em um ambiente que captava cenas aleatórias desde um bêbado dormindo, um cachorro cagando, as mesas de uma repartição pública depois do expediente etc...
Outro uso corrente, é quando essas imagens vão parar nos noticiários como prova material de agressões, rebelião de presídios, desastres aéreos e assaltos. Todos fundados na objetividade do aparato técnico que captou as imagens, esse é o Panótico de Foucault em nossa modernidade tardia.
A construção da imagem em circuitos fechados transporta o olhar da pessoa que vê para o locus do evento, colocando-o na mesma altura de quem é olhado, mesmo que a imagem seja de baixa resolução passa uma conotação de fidedignidade e verossimilhança, a que a representação do fotógrafo não tem a pretensão. Se assim fosse nenhum fotógrafo teria “estilo”, a verossimilhança ou mesmo a objetividade, no fim das contas, não é a principal causa do fotógrafo, mas sim a recriação do dado comum através de sua interpretação.
Em ambos os casos, a relação poder e corpo é mediada pela imagem, só que no caso dos circuitos fechados, o corpo moderno é constituído através de um olhar tecnológico, em que a metáfora da bioinformática tomou de assalto o velho e obsoleto corpo cuja sua imagem era recriada e não diretamente relacionada à verossimilhança, para um corpo tecnicizado, objetivo, o poder sobre o corpo está numa imagem técnica que o constrói e o reproduz numa escala infinita e num tempo fluido.
terça-feira, dezembro 28, 2010
Diálogo com nossos demônios ou intra subjetividade
terça-feira, dezembro 21, 2010
"Sonhos de Uma Noite de Verão"

Alguns vêem o sonho como uma peça teatral, sendo a mente um teatro em que tentamos abrir a cortina da coxia do subconsciente inutilmente. Durante a noite somos dramaturgos de nossa alma, a psique atua com seu figurino de épocas passadas, quando não, ateia fogo às vestes como símbolo mágico de nossa dramaturgia, mas acaba consumida pela luz do dia e nos esquecemos fácil da dança da chama na pira da alma.
Há um saber no sonho que a razão não abarca, só mesmo a dramaturgia onírica revelada aos homens na treva é capaz de dar sentido, Borges dizia ser o sonho a atividade estética mais antiga. Na sombra, na noite os mistérios do espírito se revelam como figuras pálidas a nos dizer textos inauditos que só mesmo o espírito na treva do sonho parece saber, só ele parece compreender e imaginar delícias que sua fruição extrapola qualquer sentido possível.
Agora, deitado na cama, nesta noite quente de verão, espero sem sono o dia chegar e sua luz ofuscar a mise-en-scéne do espaço dormido e do tempo acordado, e inaugurar uma realidade litográfica, de árvores de calcário, rios magmáticos e uma paisagem petrificada no cotidiano - ter que ir trabalhar. Mesmo vivendo o sonho inútil de poder dormir, para fruir toda extensão do tempo e amplitude dos espaços. Que falta faz um ar condicionado!
quinta-feira, dezembro 16, 2010
O cão e o homem

quarta-feira, dezembro 15, 2010
pitadas de filosofia - Cogito
Quando o grande filósofo matemático Descartes completou seu 40 anos recebeu uma graninha boa e ficou com vontade de viajar e conhecer o mundo. Alistou-se no exército e segundo consta teve contato com culturas totalmente diferentes da tua.
Tais culturas provavelmente geraram profunda crise no pensamento deste homem que até então enraizado dentro da cultura européia sempre tomara toda verdade que lhe fora ensinado dentro do colégio jesuíta de La Fleche. Ora, diante disso, este grande pensador talvez tenha pensado assim: vejo que dentro de cabeças honestas de outras culturas possuem verdades que vão contra a lógica daquilo que até hoje eu as tenho tomado como verdades universais e absolutas.
Eis aqui um grande problema. Como confiar nos sentidos se eles nos dão testemunhos relativos diante das coisas? Diante disso, Descartes resolve colocar todas as possibilidades de conhecimento em dúvida, pois para que algo seja realmente verdadeiro deve possuir propriedade de validade universal.
Diante da dúvida em relação a sua própria existência ele cogita (eis o cogito): penso = existo, como seria a mim possível cogitar sem pensar, mesmo que tivesse sonhando não poderia negar tal fato.
Veja que tal pensamento está contido uma verdade que podemos afirmar como universal (válida para qualquer ser humano) e que tal verdade provem das idéias (não dependem da experiência) e por isso idealista.
Diante disso, conclui-se que o pensamento cartesiano tem sua fundamentação dentro de um profundo idealismo com desconfiança profunda em nossos sentidos.
Mais o que gostaria de salientar é que acreditarmos piamente em nossas verdades particulares como teor de validade universal e não sermos capazes de ser honestos intelectualmente pode nos transformar em pessoas intolerantes. Neste ponto há um salto profundo no pensamento deste gênio matemático, aliás, área que ajudou a fundamentar sua tese idealista.
Como diante da relativade entre parâmetros de valores tão diversos entre as culturas termos uma convivência harmoniosa : eis um problema filosófico ainda aberto.
Hemerson
segunda-feira, dezembro 13, 2010
Âmago, onde?


Procuro o copo d’água no criado mudo
Para os lábios secos ansiosos
Meus ouvidos captam um ruído ao fundo
Algo me lembra minha infância
Será o guarda noturno?
Sinto o ofegar da minha respiração
O suporte da alma, agora inerte sobre a cama.
Quem é este?
A pestanejar por entre confusões mentais e delírios
Serei útil a alguém?
A dor do próximo não me afaga o rosto, nem acaricia minhas mãos.
Quanto à palavra, seu som não reverbera.
Quanto à luz, sua explosão é branca e pálida.
Do outro lado, dizem, é um breu total.
Extremos, ou melhor, intensidades.
Um vazio que é preenchido com impossibilidades
De sorrisos, de caminhos, de amores.
Porque é assim?
Ao Fúlvio Fernandes.
terça-feira, dezembro 07, 2010
O Amargo da Língua
Mas a principal constatação foi a de que língua tem uma história própria que lhe confere certa autonomia, seus códigos, sua sintaxe, seu sentido, todo seu universo semântico se constitui em sua próppria estrutura, de modo que se quisermos inferir em outros sentidos temos que subverter a estrutura da mesma ou utilizar-se de uma outra linguagem.
Pode parecer óbvio, mas as vezes passa desapercebido. O fato é que a língua fala, existe um sentido na linguagem que precede o sentido de qualquer conteúdo que veiculamos através dela. A própria língua já é a mensagem, já é um sentido que reveste os conteúdos, os conjuntos sintáticos e semânticos dotam a linguagem de certa autonomia. De maneira que toda obra, elaborada numa dada linguagem é antes de mais nada a fala desta linguagem.
A prosa e a poesia seguem a fala da língua escrita, o mapa é a fala da linguagem cartográfica, o vídeo é a fala do áudio visual e por aí vai. Quando escolhemos uma linguagem para dar existência a alguma informação estamos escolhendo a fala que mais se aproxima do sentido que esperamos dar. Porém, também podemos representar um sentido bastante interessante quanto tencionamos e/ou forçamos a linguagem a dizer aquilo que ela se nega a dizer.
Roland Barthes dizia que o maior risco em relação às línguas é o que elas nos obrigam a dizer, isso não que dizer que o risco é o que ela nos impede de dizer, o que é muito natural e compreensível, todos sabem da dificuldade de se traduzir alguns termos de uma língua para outra, mas o que Barthes chama a atenção é sobre o que a língua nos obriga a dizer devido ao seu caráter autônomo.
A linguagem é a base da representação, porém a representação não é apenas uma mímese do real, uma cópia perfeita da realidade ela é uma recriação da mesma, talvez seja mesmo por isso que a língua recria o mundo e não apenas o copia.
Mas o mais importante é subvertemos o que cada linguagem nos obriga a dizer, criarmos uma resistência na linguagem para recriarmos mundos ainda mais diversos, para tornar nossa representação ainda mais prenhe de poesia, para criarmos o real injetado de ficcção, o real como política da ficção.
Isso acontece com grupos, de minorias éticas, culturais e territoriais, como coletivos urbanos (haja vista o Estival aqui em São José) que se utilizam do imbricamento de várias linguagens para veicular seu conteúdo. A Língua segundo Bakhtin também apresenta um caráter material histórico e dialético, e precisamos sermos subversivos para nos apropriarmos de seus sentidos e criarmos outros que nos represente.
Sejamos o grupo de resistência da linguagem para subverter o sentido amargo daquilo que ela nos obriga dizer.
segunda-feira, dezembro 06, 2010
Podcast - Siri
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Meus amigos e amigas, depois de tempo distante estamos nós aqui outra vez trazendo a novidade agora do podcast inserido . Neste primeiro experimental estou colocando uma poesia de Aldir Blanc que foi musicada por João Bosco e aqui declamada pelo meu amigo Alexandre.
Abraços
PIK
domingo, dezembro 05, 2010
Como nossos pais

sexta-feira, dezembro 03, 2010
Do Diálogo
Jorge Luis Borges e Osvaldo Ferrari. Sobre a amizade e outros diálogos.
(São Paulo, Hedra, 2009, p. 21).
sábado, novembro 27, 2010
Sem Contexto

quinta-feira, novembro 11, 2010
O Espaço da Alegoria
Lembro-me do sonho de Aureliano Buendía em os Cem Anos de Solidão, em que ele levanta no meio da noite e via sua imagem refletida em dois espelhos nas paredes de seu quarto, um de frente para o outro, de maneira que um refletia o reflexo do outro numa perspectiva infinita, como se houvesse a imagem dele e de vários quartos projetados numa seqüência infinita um atrás do outro.
Nessa projeção de imagens dos infinitos quartos, Aureliano abria as portas e ia passando de um quarto para outro, até que em um deles Aureliano sempre se encontrava com um homem, o qual havia matado numa briga. Este era o sonho que ele tinha com a sua vitima.
Porém um dia, neste sonho, ao entrar em um desses infinitos quartos e após conversar com o homem que havia matado, ao sair, a porta não se abria e Aureliano ficou trancado, preso no mesmo quarto que sua vítima. Essa foi a maneira que Gabriel Garcia Márquez arrumou, sem dizer em nenhum momento a palavra morte, que Aureliano Buendía morreu dormindo.
Neste sentido também, lembrei-me dos cartógrafos de Borges:
Ambos os textos em sua representação da realidade tentam reproduzir o imponderável e o infinito, questões patentes entre os dois autores. No segundo texto, Borges, tenta partindo de uma teoria de seus cartógrafos, reproduzir, ou melhor dizendo, representar em extensão, o fenômeno (espacial) em sua ocorrência. O que expõe a representação ao campo semântico das intempéries da natureza como prova de sua não concretixzação no real, deixando implícita a relação da representação dos fenômenos da natureza e a “natureza dos fenômenos de representação”, que tenciona criar uma outra realidade uma outra natureza em que possa existir.“... Naquele império, a Arte da Cartografia alcançou tal Perfeição que o mapa duma Província ocupava uma Cidade inteira, e o mapa do Império uma Província inteira. Com o tempo esses Mapas Desmedidos não bastaram e os Colégios de Cartógrafos levantaram um Mapa do Império, que tinha o Tamanho do Império e coincidia com ele ponto por ponto. Menos Dedicadas ao Estudo da Cartografia, as Gerações Seguintes decidiram que esse dilatado Mapa era Inútil e não sem Impiedades entregaram-no às Inclemências do Sol e dos Invernos. Nos desertos do Oeste perduram despedaçadas Ruínas do Mapa habitadas por Animais e Mendigos; em todo o País não há outra relíquia das Disciplinas Geográficas.”
A função das alegorias, ou da “natureza dos fenômenos de representação”, não é só a de ser uma imagem da coisa representada, mas também de recriar a realidade. A representação não é uma cópia mas sim uma criação do dado ordinário que pode beirar a inverossimilhança mas que existe.
Quando Borges escreveu tal texto, seria inverossímil afirmar que após a década de 70 existiriam equipamentos em órbita da terra que poderiam mapear o espaço ordinário da vida humana em sua totalidade e em tempo real, compreendendo todos os fenômenos naturais e de representação do espaço. As linguagens do sensoriamento remoto recriam constantemente realidades acerca do espaço geográfico, impedindo-nos de afirmar que haveria uma realidade em si. Mesmo que o dado e a objetividade científica, nos tentam convencer do contrário.
Outra questão ligada à representação é o da escala, que nas alegorias de Borges e Gabriel Garcia Márquez, é possível identificá-las. Toda vez em que aumentamos ou diminuímos uma escala também alteramos a percepção do espaço. Assim, por meio da escala, é possível também criar, acerca de um mesmo lugar, realidades diferentes, cujas possibilidades podem aumentar à medida que cruzamos linguagens distintas. Escalas que reduzem ou que aumentam muito, alteram e/ou suscitam outras interpretações. Mas o que importa mesmo nesses casos são as escalas que tendem ao infinito e a escala 0:1, a escala da imaginação. Esta, com dupla função: a de descrever o espaço da alegoria e a alegoria do espaço.
domingo, outubro 31, 2010
Saudações. Aos que tem coragem
Que o nº 45, deixe de existir.
O Pai, dê sabedoria ao povo brasileiro, para reconhecer seus líderes.
Dê discernimento a essa mulher para criar um país mais equânime, onde a ética, a coerência e o respeito caminhem juntos.
Amém!
Parabéns Dilma Roussef - 1ª Presidenta do Brasil
quarta-feira, outubro 27, 2010
TRIBUTO a TIM MAIA
28 / 10
quinta
DEMORÔ!!!
quarta-feira, outubro 13, 2010
Política e religiosidade

“Num país como o nosso, ainda que queiram, o candidato que se assume ateu está atestando seu óbito político”.
A maneira como a ministra Dilma tem sido tratado por alguns setores da igreja católica e protestante em nosso país, lembra muito bem o comportamento errôneo que teve a igreja durante o período da ditadura militar, quando famílias saíram à rua com medo da implantação do chamado “comunismo” implantado nos países do leste europeu. Sabemos o alto preço que ela deve que pagar em função disso naquele período.
Agora, a bola da vez é a questão do aborto, sobre sua implantação em nível nacional para que mulheres não se matem em clínicas clandestinas espalhadas pelo país sem o mínimo de cuidado possível.
Ambos candidatos tem no fundo a mesma opinião, o problema que em determinado momento Dilma cometeu o erro, de colocar isso publicamente. É importante lembrar aqui que a chamada pílula do dia seguinte que a Igreja é contra foi implantada pelo senhor José Serra.
Mais deixemos por hora essa questão e vamos aprofundar no quesito aborto ligado a vida. Todos sabemos que a vida para os cristãos como está na encíclica social e ética se dá em todos períodos da vida, desde sua concepção até a velhice que, seguindo o curso normal da vida, precede a morte natural. Desta forma, quando parte da Igreja, eu digo parte, porque se pegarmos o site oficial da CNBB ela não assume uma postura anti-Dilma, até porque quem estudar a fundo a fundação do PT sabe que ele nasceu dentro das CEB´s católicas .
A vida deve ser vista em sua totalidade e não apenas no embrião presente no útero materno, pois quando deixamos crianças soltas na rua feitas bicho, na escola sem aprender direito (como acontece nas escolas paulistas), na cracolândia em pleno centro de São Paulo, nos hospitais onde idosos são desrespeitados passando meses esperando um especialista, e em tantas outras situações, também estamos abortando e isto deveria ser aprofundado nas discussões que a sociedade tem colocado.
É importante desta forma levantar questões positivas e negativas em ambos governo: PSDB e PT e fazermos comparações de índices relacionados principalmente as classes menos abastadas para sabermos realmente quem menos preocupa com vida e aí chegarmos à conclusão, isto é, a continuidade ou rompimento do atual governo.
Hemerson
domingo, setembro 26, 2010
Para ler um poema
segunda-feira, setembro 20, 2010

A origem é um filme intrigante, protagonizado por Leonardo de Caprio (Dom Cobb) é um espião clandestino especialista em roubar segredos do subconsciente, enquanto dormem Cobb controla o seu sonho e então entra no sonho da sua vítima e a manipula, e por tal habilidade é procurado e perseguido pelo mundo da espionagem onde se encontra envolvido numa trama com produção típica de cinema americano, e para se safar, Cobb teria que cumprir um crime quase perfeito planejado junto a uma equipe de espiões. Ao invés de roubar pensamentos teria que implanta-los, mas somente Cobb era capaz de capitanear esse grupo através de sonhos compartilhados.
Apesar de ficção, o filme apresenta especulações no campo, psicanalítico e fenomenológico, Cobb possui fixação em entrar no sonho, pois tem um caso de amor com a sua mulher que até então havia se suicidado.
Ellen Page interpretada por Ariadne é parceira de Cobb e responsável por arquitetar os sonhos; em uma das cenas, submerso, e no controle do sonho partilhado, Cobb e Ariadne caminham pela cidade criando imagens surreais e percebem que as pessoas que ali transitam estão em simetria com os seus sonhos.
O roteiro apesar de complexo, envolve- te numa trama metafórica dos sonhos dentro de outro sonho, formando três estágios de sonhos, carregado de carga emocional, a dinâmica interativa da perseguição insere o espectador dentro do pesadelo. O longa do diretor, produtor e roteirista Cristhoper Nolan, deixa sua marca de cinema pós moderno, abordando de modo ensaístico, o perene em meio a hiper produção Hollywoodiana, e como se não bastasse, Nolan termina com um desfecho enigmático.
Fabiano Baldi
A ORIGEM
Título original: Inception
Duração:148 minutos (2 horas e 28 minutos)
Gênero: Ação / Ficção Científica
Direção: Christopher Nolan
Ano: 2010
País de origem: EUA / REINO UNIDO
domingo, setembro 19, 2010
Luciano e o Youtube
(clique no Título)
quinta-feira, setembro 16, 2010
Toy Store
Só tinham mesmo olhos para ela, a manequim da franquia, Fissurada por olhares dos passantes em frente a vitrine, por balas, consumos compulsivos, pedras, álcool, caratê boliviano e cocaína.Tinha a face de talco, lívida, estática como uma plumagem congelada no seu coração de alvenaria.
Até que um dia saiu da butique e atravessou a avenida. Levou as crianças da seção de brinquedos para praia, abriu o guarda sol, o Cem Anos de Solidão e, pensou em fundear na baía para negociar com os armadores sonhos, eternidades e as crianças que trazia; as suas crianças da areia e a minha, as da água, do além mar, do vento, as crianças ultramarinas, as do amor, as do além dor, as crianças anestesiadas da tabacaria.
Que tomam alcalóides, sorvem barbitúricos e solfejam a alegria. Brincam ao abrigo do sol, com seus castelos, e refratam nos olhos de areia o calor e a luz da pira, refletida nas baixelas seu lume, o polido, opaco lustre da prataria, da loja de departamentos que jaz sem os seus dois manequins que romperam a paralisia.
Na hora do acontecimento, eu mesmo nem percebi, só me dei pelo ocorrido quando os vi, com seus corpos nus e estáticos na praia, em estágio avançado de decomposição pela maresia!
Dizem que o crime foi por motivo torpe. Por um consumidor que havia comido demais na praça de alimentação e ao chegar na loja, percebeu que o manequim, jamais serviria.
domingo, setembro 12, 2010
quinta-feira, setembro 02, 2010
Pós Leitura II
Com a evolução técnica dos mídias eletrônicos, muitos se apressaram em vaticinar o fim de vários outros suportes que os prescendiam. Assim como, quando surgiu o cinema vaticinaram o fim do rádio, quando surgiu a televisão vaticinaram o fim do cinema e etc.. O rádio está mais vivo do nunca! Talvez por ele (o rádio) ser um meio de comunicação que McLuhan conceituou de quente, enquanto a TV de meio frio.
O livro digital, seguindo a lógica de McLuhan, é frio e o livro convencional é quente. Concordo com SM, não creio no fim do velho livro, a sua materialidade será o ponto chave nessa relação entre este dois suportes.
O livro digital, ou e-book, é bom por uma questão utilitária. É bom por exemplo para quem precisa ler uns 3, 4 ou5 livros de uma vez, pra quem está defendendo uma tese, uma pesquisa etc.. Não dá pra você andar pra cima e pra baixo com uma caralhada de livro debaixo do braço.
Tirando o utilitarismo da leitura, será a materialidade do livro convencional que contará! A técnica é portadora de significado, a própria técnica que estrutura o suporte sintático já é portadora de sentido, um sentido que prescede e é independente do conteúdo que este suporte pode veicular.
No caso do livro convencional a sua materialidade veicula um sentido que independe de seu conteúdo. É aí que, o que o Gurdura disse em seu comentário me fez total sentido! A história do Bruno Munari, que criava livros para crianças que ainda nem eram alfabetizadas, confeccionando só o objeto livro, em suas mais variadas formas, sem nenhum conteúdo escrito! Isso é a prova cabal que a própria materialidade do livro já é portadora de significado, independente do que nele esteja escrito! O material e a técnica com que Bruno Munari confeccionava seus livros já tenciona um sentido, que hora pode ser lúdico ou estético, mas sobretudo, um sentido específico, do imaginário que a técnica que constitui tal materialidade pode suscitar.
Mas que sacada desse Bruno Munari! Vejo também pelo meu filho, que se relaciona com esse objeto sem mesmo saber ler.
É, acho que McLuhan tinha mesmo razão, “O meio é a mensagem”.
terça-feira, agosto 31, 2010
Pós-leitura

Tenho gastado um pouco de energia sentado tomando cerveja e em um dos meus devaneios foi pensar porque temos uma crise no consumo da leitura, principalmente dos clássicos na escola. Se retomarmos o período da Idade Média veremos que eram poucas pessoas que tinham acesso à leitura e mesmo pessoas que conhecemos que narraram algumas coisas, o escriba era o meio para transmitir sua idéia. Assim, a escrita era para uma classe limitada. Com a reprodução das obras e não precisando mais dos manuscritos dos escribas o homem pode tomar contato maior com a leitura e sem dúvida com seu poder transformador e alienante, não que ela o seja, mais o que possa significar como meio a ser usado para alienação.
É sabido que o primeiro grande livro de reprodução em massa é a bíblia que traz melhorias quando criaram além dos capítulos , os versículos para que se permitissem que em qualquer edição poderia ser lido por qualquer pessoa. Veja que isso é traz em si uma inovação.
Tem-se uma coisa que as classes mais abastadas tinham e que a população em geral desejava com ardor era conhecer a leitura, pois ela desvendava (tirava o véu) de tudo aquilo que muitos falaram e realmente não estava escrito. Talvez esse era o grande medo do catolicismo medieval em relação da população tomar contato com a leitura.
Com a modernidade e a preocupação de ter um homem mais “culto” nos moldes da exigência da mão-de-obra a educação passa ser algo fundamental e as cidades, principalmente as maiores, vão permitindo que a população tome contato com a leitura e o conhecimento em geral.
O que ocorre é que há pessoas que estão muitos à frente e irão através do conhecimento acumulado criar novos meios de conhecer que irão além da leitura e serão muito mais atraentes do que ela: a imagem e a palavra acoplada a ela: o cinema. Mais saltarei do cinema para ir direto a televisão, essa sim será superará e trará um novo paradigma que remove do homem a busca que era seu maior sonho, a leitura, para receber o conhecimento enlatado para seu paladar de vontades de conhecer.
Quem foi criança um dia sabe do que estou falando. O imaginário da criança em vez de ter como personagem a figura do herói do livresco passa a tê-lo nos heróis dos desenhos americanos que tornaram nossas referências infantis.
Alguns falaram: “e o rádio?” Este também foi importante, inclusive substituiu o leitor da família que fazia as mulheres chorar, pelo locutor de voz poderosa, narrador de novelas e jogos futebolísticos, mas a tv, sem dúvida, mudou o paradigma de maneira mais poderosa.
Mais se alguns ainda mantinha o contato forte com o livro, virá a devastação com a Internet e sua maneira de tratar as noticias e informações e suas interações. Ela permitirá unir leitura, rádio, telefone, tv e o que há por vir.
Creio que a leitura como conhecemos através dos livros com cheiro de pó da estante está com seus dias contados e caberá em um Ipad principalmente para novas gerações. E as obras clássicas terão seu número de leitura reduzido a resumos e a números de pessoas restritas que o lerão por inteiro. O homem moderno é apressado a comer e consumir fast food até mesmo nas informações.
As pessoas continuaram a ler? Creio que sim, mais lerão o mundo de uma maneira mais ampla com imagens em 3D, com poesias narradas com flores passando por trás das imagens, com contos narrados por atores, com audiobooks em Ipod´s.
segunda-feira, agosto 23, 2010
Lula ,Lula.....
O estado é um monstro frio e insensível que tem como caracteristica tratar o ser humano como número e quando destes nasce um que vem lhe tirar o sono o tratam com desdem pois afinal para que serve tal escória.
Poderam dizer-me : o garoto é pau mandado,mais e daí?
Hemerson
quarta-feira, agosto 18, 2010
A morte lhe pedirá passagem

Tenho vivido como se um câncer tivesse atingido minha alma. Não que o tenha, mas para que a partir disso pare de preocupar com coisas vãs. Recentemente um amigo disse-me que em plena manhã de uma segunda-feira que ficará por demais chateado, pois tinha lavado seu carro e uma chuva torrencial tirou-lhe o trabalho do dia. Passado alguns dias esta mesma pessoa saindo em urgência para atender a irmã da namorada entrou debaixo de um caminhão e ficou inválido. Recente ele esteve próximo a mim e me cumprimentou, neste meio tempo foi à mesa de outras pessoas e cumprimentou-me novamente ao retornar como se não o tivesse feito há poucos segundos. O menino está como criança sendo cuidado pelos pais e a chuva do final de semana não faz diferença alguma agora.
Uma das máximas da filosofia existencial de Heidegger, termo que ele não gostava muito, era que o homem é um ser para a morte. De todos os projetos que miramos para o nosso futuro a morte é aquela que pode anular todos desejos futuros. Este filósofo era ateu, entretanto na teologia cristã tal idéia é trazida também quando Cristo diz que o homem não deveria preocupar com o dia de amanhã porque dele não temos certeza alguma e desta forma acabamos por demais gastando uma energia desnecessária.
Ora, então não devemos ter projetos para o futuro? É certo que sim, mais com passos no presente e sem pretensões tão malucas como nos é cobrado por nós e pelo que os outros esperam de nós.
Recordo-me quando éramos crianças e parecia que os dias nos eram mais longos, pois aproveitávamos ao máximo esse tempo. Não preocupávamos com paredes riscadas, com mesas sujas, com o que íamos comer, vestir entre outras coisas. Bastava-nos o básico e alegria de viver o momento presente. Talvez daí nos vem o saudosismo infantil na vida adulta que gastamos o tempo presente preocupado com algo que ainda não nos pertence: o futuro.
Desta forma, tanto a idéia de Heidegger, bem como a idéia cristã de não podermos controlar o futuro só nos faz sentido realmente a valorização do presente que neste momento que vos falo e depois é também um passado que não retorna mais.
O que é a vida humana se não um constante devir, um movimento sem pressa, que nos leva ao nada, sem sentido, que somente nós podemos dar sentido a ele.
Hemerson
Galáxia de Gutenberg

Muitos, como eu, poderiam atribuir o fato a qualidade literária da obra. Marcelo Nova e Raul Seixas que tinham razão: “ o best seller do momento é um livro agourento”. E pensar que entre o século V a. c. até o século XV o “livro” era algo de acesso restrito, produto de escribas e copistas, praticamente uma obra de arte.
Em a Galáxia de Gutenberg, McLuhan disseca o salto qualitativo que o mundo ocidental deu com os tipos móveis e sua representação para a era moderna. Foi aí que começou a primeira produção em série, a primeira linha de montagem, uma linha de montagem da representação material do som, do fonema, através da letra impressa, que tirou o mundo da oralidade e o tornou muito mais visual.
A própria formação do Estado Nacional está ligada a experiência da língua na forma impressa, a palavra impressa possibilitou a uniformização de conceitos da modernidade como o de cidadão, de política, da educação que se orientou aos homens de letras e estes puderam levar a cabo um projeto político-nacional para construção do Estado Moderno.
Por mais que tenha havido a democratização do conteúdo escrito e a difusão do conhecimento a leitura não se emancipou na mesma proporção, o ato de ler, no senso comum, parece se redundar numa ação canhestra ou massificada. A evidência da conquista do conteúdo se traduziu na ausência da conquista de emancipação e autônima estética.
Não haveria escritores de Best Sellers e nem seus leitores sem a tipografia, a linha de montagem é quem deu a dimensão de escala para que fossem os mais vendidos e depois abandonados nos metrôs, ou esquecidos propositadamente em algum balcão de padaria.
As editoras européias não estão aceitando mais a devolução dos encalhes, elas pedem as livrarias que rasguem a capa e os catálogos e os enviem de volta, o resto do livro podem mandar para reciclagem, como se deletasse uma biblioteca inteira de um e-book. E, segundo renomados pesquisadores do Instituto Raul Seixas, o e-book é a anti-matéria da Galáxia de Gutenberg!
segunda-feira, agosto 16, 2010
Vamos celebrar nossa saudade...

Hoje já passei dos trinta
E de vez em quando me dá saudade da “Legião”
Do “Tempo Perdido” a “Perfeição”
Saudade da oitava série
Do colégio
Da turma, do violão
Prenhes de filosofia e amores vãos...
Saudade dela que nunca quis saber
Da poesia
Que eu escrevia
Na contracapa do coração
Na contramão do tempo
Que nos levou a juventude
Os amores
Os amigos
E que deixou saudade de tudo isso
Saudade da “Legião”...
"...Qual foi a semente
Que você plantou?
Tudo acontece ao mesmo tempo
Nem eu mesmo sei direito
O que está acontecendo
E daí, de hoje em diante
Todo dia vai ser
O dia mais importante..."
(Renato Russo / Eu era um lobisomem juvenil)
(Crédito / Imagem: legiaourbana.com.br)
quinta-feira, agosto 12, 2010
terça-feira, agosto 10, 2010
Hoje
Uma abelha ferrou minha cabeça. Mas talvez fosse uma vespa, não tenho certeza.Esqueci meu cão no mercado.Comprei meias femininas na Marisa. Na dúvida entre uma sapatilha meia e uma meia sapatilha, levei as duas.Dei umas moedas para um sanfoneiro cego.Fiquei devendo vinte centavos na banca de jornal.Todos os ipês da cidade estão floridos; este, em frente a minha casa, não.O escriturário não reconheceu a minha assinatura.A impressora cuspiu uma folha impressa inútil, e morreu.Pelas tantas, dirigindo na estrada, tive uma alucinação. Achando que estava em um local, dei-me conta que estava em outro completamente diferente. Por alguns minutos não sabia se estava indo ou voltando, se já havia ultrapassado meu destino. Isso me provocou terror e a nítida sensação que tinha atravessado um portal espaço-tempo, um "buraco de minhoca" e sido carregado para outro lugar num átimo, sem perceber nada. Assim como se acorda de repente em um local estranho, não sabia como tinha parado ali, mesmo sendo o condutor do veículo.Hoje não foi um dia, foi um enigma.







