terça-feira, setembro 30, 2008

Plug-in Espacial

O meu lugar é onde não estou, já dizia Pessoa, que assim como muitos outros romancistas, contistas , poetas, críticos e estudiosos se debruçaram sobre a questão do espaço e sua relação com a construção simbólica e o significado humano.

Na semana passada em um bar, um amigo (que também escreve neste blog, ou que pelo menos acho que escrevia) disse me algo sobre uma história de mapas, estudos geopoliticos ou coisa assim, referente a um escrito do Borges. Não me lembro muito bem como foi, gostaria até que esse meu amigo elucidasse a história. Mas me lembro muito bem do conto do Borges.

A história é mais ou menos a seguinte: tratava-se de sujeito que era cartógrafo e estava sempre a desenvolver novas técnicas cartográficas onde se esmerava na precisão de sua representação. Um dos seus feitos foi ter conseguido fazer um mapa numa escala 1:1, natural, em que cada ponto de seu mapa encontrava-se exatamente igual ao do espaço real. O problema é que se tratava do mapa de um país!

O mapa por definição, trata-se de uma semiotização do espaço, os seus símbolos e signos estão todos organizados dentro de uma sintaxe que pressupõe a representação dos objetos geográficos, como também seu posicionamento no espaço, alguns valores de grandeza e substância. Porém, o mapa corresponde a realidade, mas não deixa de ser apenas uma representação da mesma, ele não é a atual realidade vivida dos objetos geográficos, ele é um instantâneo de uma informação geográfica que pode até não corresponder a atualidade.

O afã do cartógrafo de Borges era a criação do mapa que fosse a própria realidade, que pudesse nos fluxos e fixos geográficos, ser uma realidade latente do espaço geográfico, não só pelo o tamanho que pressupõe ser uma cópia da realidade, pois o mapa não é uma foto e nem um modelo físico tridimensional do território (que está relacionado aos conceitos de fixo geográficos) . Mas sim modelos abstratos de situação, universo de relações, complexos de significações, conhecimentos, fluxos de mercadorias e informações (conceitos dos fluxos), ranhuras que a técnica provocou, jogos de hipóteses, ou até mesmos a combinação de todas variáveis promovendo uma paisagem hibrida em que o leitor do mapa se visse imerso nela. Criando uma realidade virtual.

O mapa de Borges é a inferência da cognicibilidade humana numa realidade ainda latente, quando a imaginamos estar em potencia e não em ato, mas hoje sabemos que mesmo com a impossibilidade de se abrir um mapa no tamanho de um país, podemos inferir na virtualidade espacial rompendo a sua latência. Basta um plug-in, ou ler Jorge Luis Borges em História Universal da Infâmia & Outras Histórias, onde, para o realismo fantástico, potência é ato.

domingo, setembro 28, 2008

O vento e o mar














O vento repousando o mar
e a onda ao ver avança na paisagem
e o medo de sentir é a desculpa do omitir
mas o vento leva a vida assim, no amar em mim
O sono bate e se espreguiça
num tempo de vontades
e eu corro em sua direção
sem sequer nos levantar
Ai, ai, quanto amor do mar
Laiá, beijo o sal que habita em ti
Não sei se isso é humano ou não
Só sei que o amar é meu

segunda-feira, setembro 15, 2008

Universo em Desencanto

Há alguns dias dava uma aula sobre a construção de um relógio equatorial e ao traçar os meridianos celeste para sua construção reparei que cada vez vemos menos as estrelas, astros e o cosmo em geral, pelo menos não como os gregos. Hoje os observamos objetivamente pelos telescópios espaciais, pelas sondas e não mais pela sua representatividade mitológica, pela suas alegorias.

A plena luz da modernidade pressupôs o esvaziamento de seu sentido mítico, por considerá-lo vulgar e sem a precisão à que se destinava a navegação, esquecendo que viver, assim como as alegorias, não é como navegar... Preciso.

A clara organização de nossas sociedades, desde a substituição da iluminação a gás pela sua eletrificação no final do século XIX(vide Mauá O Empresário do Império, quem trouxe a iluminação elétrica urbana no Rio de Janeiro). Já trouxe consigo uma mudança nela própria, fazendo com que a técnica suscitasse outros imaginários, que não aqueles suscitados pela observação de uma noite estrelada. A técnica provoca as sensações diante da velocidade, da idéia que se tem de realidade como pelo seu imaginário.

A razão desde o ideal da ilustração nos legou a luz, e seus excesso da cegueira branca em um “Ensaio sobre a Cegueira”. E a instrumentalização da razão pressupôs o controle do tempo através da técnica, vivemos um dia iluminado 24 horas. Iluminado para o trabalho e consumo a exaustão, a pressa induzida, ao constrangimento à aceleração, da superficialidade iluminando, sobretudo, a escalada da insignificância, a pseudo autonomia e à fuga da aleatoriedade da natureza e controle da realidade humana.

O imaginário suscitado pela modernidade tardia nos apresenta como uma inflação das possibilidades de significados, porém distantes, por uma saturação de sentidos, por uma abundancia que está sempre à mão e perpetuamente inacessível, pela intuição da presença de um significante e da falta de acesso ao seu significado plasmado no eterno presente.

Essa abundancia resulta em apatia e hiperatividade - ambos os sintomas de excessos - de frustração, de possibilidade de consumir efetivamente o que o que quer que seja. Esse tempo patológico é preenchido por esportes radicais, obesidade mórbida, anorexia, bulimia, terrorismos e guerras contemporâneos.

Há os que pensam largar tudo e mudar de emprego, mudar o emprego da vida!

sábado, setembro 13, 2008

Sôr,dexeuinobanher

Dexeufalákadona.

É assim, mais um dia.

Boa tarde a todos.

Aqueles olhos perdidos procurando sei lá o que. Alguns eu sei que são de fome, outros de deseperança.

Sorbebeaguar, A maiara pede!

nem pus o pé na sala, recebo bombardeio de perguntas, e devaneios.

Alaóelesor. Grita o Gerson.

Porra nem chamada faço.

ai surto.

meia dúzias para diretoria.

iniciou então minha aula.

agora sim.

Boa tarde à todos. Iremos trabalhar...

Obs: Sorte minha que isso não acontece todos os dias, às vezes é ao contrário eles nem falam.

quarta-feira, setembro 10, 2008

"Queremos Saber Quando Vamos Ter Raio Laser Mais Barato"

Quando bati o olho o sujeito já estava lá no portão, parado, olhando para mim e já de cara me chamara de senhor, o que deveria ser a praxe de sua abordagem, pois o identifiquei logo de prima, e pensei: puta que pariu, é o Osama.

E não sei por que nesta hora me bateu um desentranhado arrependimento de certas atitudes que tomamos na vida, e outras mais que gente faz questão de esquecer e acaba passando pela nossa cabeça em segundos.

É.. o Osama anda cada vez mais característico, ultimamente tem apresentado um blend de personalidade sui generis, tem mesclado Bin Laden com Antônio Conselheiro, e não é só no mesclado não, é na farinha e também na pedra. Perguntou o meu nome e ao final de minha resposta olhou-me fixamente nos olhos e disse:

- É hoje! Sim, é hoje! E eu vou lhe explicar o porquê!!

O Osama por causa de seu blend com o Conselheiro às vezes puxava o sotaque nordestino, e foi assim que ele emendou sua pregação messiânica:

- Olhe aqui seu menino, e preste bem atenção porque comigo o cabra não sai sem saber do ocorrido! E não faça essa cara de desentendido que você sabe muito bem o que eu to querendo dizer. Pois então, vai me enganar que a vossa senhoria não sabia que nessa linha, que é a corda bamba dessa vida, é uma infinidade de pontos, perfilados certinho, um atrazinho do outro. Bom, digo isso sem o medo de te colocar em choque, mas isso já está matematicamente mais que comprovado. A linha é um conjunto de pontos, e o senhor vai me discurpá, mas de nada que vossa senhoria faça ou diga vai mudar essa terrível realidade.

E outra coisa, ta vendo essa movimento alternado aqui? Sobe e desce, sobe e desce. Tem esse também que vai e vem, viu só? Ele é harmônico!

O Osama sempre foi um cara inteligente, chegou a se formar com Gurdura na ETEP, mas do jeito que ele falava comigo eu não sabia se era para segui-lo pra Canudos, inaugurar uma sucursal da Al Qaeda aqui em Santana, ou montar uma bomba atômica. Daí eu disse à ele:

Nossa Osama, mas que porra é essa velho?

É.. eu sabia que você iria me perguntar! E não é que estou aqui justamente pra lhe dizer! Para acabar com toda as suas dúvidas, incluindo aquelas que você sempre teve e que ainda poderá ter.

Espera aí ô Osama também não bem assim! Eu acho que você está me confundindo hein?

Não, não estou não. Eu sei bem quem é vossa senhoria e é por isso que estou aqui. Que é justamente de lhe dar a oportunidade de acabar com todas suas dúvidas adquirindo esse formidável “iô-iô Fever”, que tem a linha e realiza todos esses movimentos que acabei de lhe explicar e que é uma febre entre a criançada, juntamente com esse sete volumes da enciclopédia científica Tecnarama, cujo ultimo numero foi lançado em 1976 é uma raridade pode olhar!

- Porra Osama, já disse que não tenho grana meu!

- De boa, então empresta cincão aí e ta morta a parada!

terça-feira, setembro 09, 2008

fraternidade e adjacências

Ninguém quer te ver feliz
Todo mundo quer que você quebre o nariz
Ninguém quer te ver contente
Todo mundo quer que você quebre os dentes

Ninguém quer te ver com alegria,
Pra muita gente isso é a morte
"Vocês viram a mulher do Onofre?"

Ninguém quer te ver com grana
Tapinha nas costas, você cai com a cara na lama
Ninguém quer te ver com paz
Beijou na frente e vomitou por trás

A gente faz o que é infantil
Vai pra puta que o pariu
Vai pra puta que o pariu

Não se meta na vida dos outros
Você é um espírito de porco
A sua cabeça é oca
A sua memória é pouca

A gente escuta o nosso coração
A gente escuta o nosso coração
A gente escuta o nosso coração
A gente escuta o nosso - o amor é importante! - coração

Karnak - Mediocritas

sexta-feira, setembro 05, 2008

Cobra cega




Tenho um problema em mãos: uma cobra cascavel com catarata, o cristalino dela esta todo opaco. Ela é grande, gorda e linda, mas não consegue se alimentar sozinha.
Ela vive numa caixa há quase um ano, uma caixa com papelão no fundo e um pote de água. Quando eu a tiro da caixa com o gancho ela se debate, não consegue me atacar nem se equilibrar. Coloco o rato na frente dela e ela tenta dar o bote, mas ataca o ar. Eu entro na quarentena e todas as outras cascavéis tocam o guizo compulsivamente numa tentativa de me amedrontar e ela fica lá, com seus olhos de vidro tentando olhar pelo vidro.
Acho que vou ter que sacrifica-la, mas cada dia que passa me apego mais a ela.
Ontem tentei novamente alimentá-la naturalmente. Deixei um ratinho dentro da caixa dela durante a noite. Hoje de manhã o rato estava dormindo enrolado nela, se aquecendo. Quando fui tirar o rato de dentro da caixa passei a mão na cascavel, um carinho, ela não ficou nervosa, mas ficou com medo, tentou fugir, batendo a cara no fundo da caixa.
Gostaria de tirar ela da caixa e colocar ela no viveiro antes de sacrificá-la, para ela sentir as pedras no dorso antes de ir.

quinta-feira, setembro 04, 2008

Transcedência

Ontem
Num momento de angústia
Dei um mergulho no profundo nada
E vi a face oculta de Deus
Ele me olhou
Não perguntou-me nada
Sobre meus pecados
Me abraçou e beijou e disse:
Amor

Hemerson

quarta-feira, setembro 03, 2008

Conversando com a lua


Ontem passeando pela nuvens
Mandei um beijo pra Lua
Ele me piscou os olhos
Declarando-me amor

Disse-me,
" Há muito que não sou paquerada "
E respondi,
"Há muito que não viajo ao céu"
E a copiar Paulinho disse-lhe,
Me perdoe a pressa
É a alma de nossos negócios
E ela chorou

Hemerson

domingo, agosto 31, 2008

Piraquara Cinematográfica Apresenta:



Maria Eugênia

Ô Maria Eugênia. Que negócio é esse? Fala sério, é brincadeira hein!

No início até achei que fosse implicação minha, mas não era! Eu sei que na hora não dava pra você falar, mas eu preciso dizer que ... Você não era assim Maria Eugênia!! ! Você mudou muito de uns tempos pra cá!

Sim, claro, a ultima vez que você deu uma dessa já faz muito tempo, acho que você deveria ter uns dezesseis, era no começo. Só que hoje em dia eu não vejo mais motivo para tanto. Você exagerou desta vez. Eu já havia lhe explicado, e me lembro muito bem que lhe ensinei direitinho.

Maria Eugênia.... olha pra mim, estou falando com você Maria Eugênia!!

Não Maria Eugênia, eu não tenho obrigação e nem preciso avisar nada para você, já é de praxe esse tipo de procedimento, e de outro modo a essa altura do campeonato você já deveria saber das tratativas e de todo sentimento em jogo.

A vida realmente é real e de viés, tudo pode estar por um triz e é preciso estarmos atentos, as vezes não dá pra fugir e temos que encarar as adiversidades. Eu mesmo não entendi aquele tropel, aquela fuga desembestada, aquela correria da sala pro banheiro, derrubando tudo que se via pela frente até chegar ao lavabo!

As coisas mudam o que é muito natural, mas dessa maneira, para mim foi radical demais! Não sei se é por que estou ficando velho e não ando acompanhando as mudanças que essa mocidade vem trazendo!

Mas o fato é o que me deixou baratinado, sem ação sobre essa sua mania feia que você pegou agora hein? De todas, essa foi a que menos entendi! De uns tempos pra cá você deu de cuspir M-a-r-i-a E-u-g-ê-n-i-a!!

Como assim?!?! Meu deus do céu!! Agora você cospe Maria Eugênia?!?! Eu devo estar ficando maluco mesmo!

Mas que coisa feia Maria Eugênia, que patifaria!!

Bom. Agora chega de brincadeira Maria Eugênia, acabou, agora vai.

ps. Este é um estudo de caso de Coronel e Nelinho 10

quarta-feira, agosto 20, 2008

O Sal da Terra

O que posso perceber do alto dos meus 33 anos, e até mesmo anteriormente, do que já li sobre a história econômica do Brasil de estudiosos como Celso Furtado e Caio Prado Júnior, é que o meu país com todos seus problemas que ainda tem (digo isso sob apena do ufanismo) nunca esteve numa posição tão claramente boa para toda sua população como agora.
Os programas sociais de distribuição de renda em nosso país nunca tiveram uma abrgencia tão massiva como agora, programas como bolsa família, escola, ( o que muitos chamarão de populismo) deu cabo de promover uma distribuição de renda no Brasil tirando um cem número de famílias abaixo da linha de pobreza, e até dinamizando economias locais, como no interior do nordeste.
Um outro fato inconteste é o crescimento econômico sustentável, com políticas de pleno emprego atingindo níveis jamais vistos, sempre ancorado em fundamentos macro-econômicos realmente sólidos, tais como recordes seguidos de superávit na balança comercial, superávit primário, reserva cambiais robustas que fizeram com que o risco país caísse e os investimentos estrangeiros aumentassem ainda mais. O que fez com que o argumento de muitos oposicionistas caísse por terra, ao dizerem que essa bonança pela qual o país passa era reflexo de um momento econômico mundial, esqueceram que a economia global está preste a uma crise capitaneada pelos os EUA desde quando estourou aproximadamente há ano a crise dos sub primes, afetando vários países do mundo, e o temor era que a crise chegasse ao Brasil o que não se confirmou graças solidez de seus fundamentos macro econômicos.
Agora o que está provocando uma verdadeira epilepsia no tucanato de Plantão e fazendo o Mario Covas revirar dentro do caixão, é a descoberta de uma mega reserva de petróleo em camadas muito profundas do assoalho marinho chamada de camada do pré-sal. Para se ter uma idéia um dos maiores campos de petróleo do Brasil tem em torno de 8 bilhões de barris de petróleo o que não é pouco, e o que faz e Petrobras ser o que é. A camada do pré-sal tem uma estimativa de 50 a 70 bilhões de barris de petróleo o que é muito mesmo e com uma diferença, é o chamado petróleo fino, o de melhor qualidade.
O pré-sal vai mudar a dimensão da economia brasileira e também dará outro contorno geopolítico para a América do sul, uma vez que não será somente a Venezuela uma grande produtora de petróleo, mas também o Brasil.
O governo Lula está para mudar o modelo de exploração para o pré-sal, não será baseado só em royalties, mas adotará o modelo da Noruega em que parte do petróleo ficará no país e não cobrará só imposto da exploradora, de maneira que o país desenvolva ainda mais sua tecnologia de refino e produção de derivados de petróleo e não seja um mero exportador da commodity, como é caso da Nigéria.
O pré-sal movimentará uma infra-estrutura enorme, neste ultimo domingo tive a noticia da instalação do maior estaleiro do hemisfério sul localizado em Recife, para o pré-sal está programada a compra de 70 navios que deverão custar em média US$ 150 milhões a 200 mi cada um; 28 navios-sonda, de US$ 800 milhões a US$ 1 bi; mais 140 barcos de apoio: US$ 50 mi. No total, serão mais de US$ 40 bi de investimentos em produtos que serão adquiridos pela Petrobrás.Por trás deles, terá que se investir em estaleiros, em fábricas de turbinas, fábricas de grandes motores para navios etc..
O mais importante disso tudo é para onde o governo pensa em destinar todo dinheiro do pré-sal, segundo o que sinaliza a atual administração, o dinheiro irá primeiramente para educação e em segundo lugar para a ciência e tecnologia, o que tornará o país ainda mais competitivo no seu parque industrial e tecnológico, e no âmbito da educação colocará o país em pé de igualdade em investimentos com países como a Coréia do Sul.
E pensar que setores do PSDB já quiseram privatizar a Petrobras, se o PSDB quiser bater (como já está tentando) no pré-sal assim como o fez nos programas sociais do governo taxando-os de populista para classe média na ultima eleição, o que resultou em um revide nas urnas quando Lula ganhou o segundo mandato, pode tomar outro revide se bater no pré-sal e Lula fazer seu sucessor. Parte da direita ainda não sabe se bate ou assopra.

terça-feira, agosto 19, 2008

Ibidem


Eu dava uma olhada e cuspia.

Todo mundo olhou.

Vísceras, que ignorância, hein?

Foda-se, tava tudo coberto mesmo.

E a piscadela do sujeito, não conta?

Foi sim, filhadaputice, mesmo!!!

Sentei o dedo

Nunca ouviu falar: “Terra alheia, irmão pisa no chão devagar”.

E os dentes???, conservá-los é bom.

Desde o começo, eu avisei.

Toma um troço no copo, e sai com o cão tinhoso no corpo.

Né sim não.

Se adianta, muleque.

Sapeco mermo o cotonete nesse cara aí.

Pai Oxum Falou:

Tranca Rua é o caralho.

quarta-feira, agosto 06, 2008

Cosmogonia

Vejo Pascal na berlinda espiando o alto dos séculos, e Vênus nos ajudar a aprumar o mastro da racionalidade no Pacífico mar da tranqüilidade, onde ciência deixou deus numa depressão lunar e o humano coração daqui pousar em sua pele ávida, lívida como se já tivesse havido vida em tom âmbar.

Nem Euclides e Newton viram os insondáveis atalhos do universo de Hubble, a gravidade que deforma os espaços curvos, a anti-gravidade, a anti-matéria num tropel quântico no firmamento trazendo-nos um principio de incerteza como alento.

Bang! E fez-se o espaço-tempo, a nossa carne, e tudo mais que se abisma na constante cosmológica um segundo-luz de sua precipitação!

E como dizia Haroldo de Campos: Nasceu um crisantempo no espaço curvo.




sexta-feira, agosto 01, 2008

Amenidades

Conversas sobre amenidades,


um ponto de ônibus, um casal, um encontro,


velhos amigos, reencontro


um passeio pelos passeios, calçamento


o mirante, a sombra das montanhas amenas


e no desfecho, um beijo apenas... ou seja,




amenidades

segunda-feira, julho 28, 2008

Mais um, menos um e o relógio

Onde trançarei minhas pernas a não ser nas suas.
E quando o meu silêncio chegar para ouvir sua voz,
Dentro do seu desespero, do seu engano.
Trarei flores para lembrar do nosso belo amor,
Ou mesmo para enterrá-lo num futuro próximo.

quarta-feira, julho 23, 2008

BOSSANOSSA



Motivado por tanta bossa me coloco a disposição das palavras,
E quantos 50 anos me foram necessários pra descobrir aos meus 24 parvos anos
O significado de tanta poesia, de tanta melodia, de tanta cadência e de tanta tristeza...
E quantos segundos me valeram pra notar em ti as curvas dos passeios de Copacabana
Que em teus seios, o Corcovado se fez palpável relevo,
Que no azul do mar me arrefeço e no verde tenso de teus olhos que reconheço.
Oh luminosidade ímpar que tem o dia em tua pele amarela com gotas de Sol, que sabor intransigente de sal carrega em teus pêlos dourados do dia, suor...
Tanta divindade só pode ser inspirada pelos braços abertos do Redentor, ou será só meu amor, que já beato de ti tornou-se cego fanático, proprietário dessa dor.
Por ti pequena é que agradeço, meus dias são outros, depois de tanta bossa.
Obrigado João Gilberto por essa dama de seis cordas,
Obrigado Vinícius por essa poesia, pela pluralidade,
por tanta literacia.Obrigado ao Tom dessa melodia. É muita bossa.






segunda-feira, julho 21, 2008

A fé e a morte

Há algumas biografias que constam que alguns ateus no final de suas vidas ansiavam por acreditar em algo que aliviasse suas vidas. Bem, talvez isso seja um mito contato principalmente por alguns religiosos que colocam tais posições para atormentar aos fracos, mas vamos considerar as vias de fato.

Será que as pessoas que possuem fé em outra vida não acabando tendo uma vida mais tranqüila do que aqueles que não acreditam? Vejamos.

Imaginem as pessoas que acreditam piamente em outra vida a ponto de acreditar que a morte é uma simples passagem de uma vida a outra. Mesmo depois de milhões de anos, com milhares de religiões, acreditam na relação pessoal com Deus, que ele possue os ouvidos abertos para lhes ouvirem em qualquer momento, em qualquer lugar, em qualquer hora: onipresente, onisciente e os todos entes metafísicos que os teóricos religiosos falam por aí.

A fé então não é burra, ela é alimento para não enlouquecer o homem em sua velhice, pois enquanto ele está em sua juventude a morte pode vir repentinamente, por uma doença inesperada, mas não está no plano de seus pensamentos. Já na velhice ela parece querer bater a porta com freqüência e nesta hora parece que a fé é o sustentáculo para aliviar a dor do fim. Na esperança daquilo que não foi registrado em cartório.

Assim, o ateísmo é um ato de coragem, pois ele enfrenta a nulidade do ser previamente, pois sabe que a vida é uma só.

Hemerson

Etcétera


E a comida? Veio de moto! As flores pelo telefone, aquelas mesmas, que não murcharão ante o acaso de fatos sem narrativa postos no mundo numa profusão de simultaneidade. Como de um banqueiro que foi preso agora, de um ataque especulativo internacional neste exato momento, da cura de alguma doença a poucas horas, de uma ação terrorista ao vivo, de um tufão na Ásia nesta tarde, de reféns libertados, de ameaças de guerras, da ação a distancia, da colaboração de cada um realizando ações triviais, em repetições exaustivas, que quando se vê em nada têm de aterrador porém imprescindíveis para levar a cabo as atrocidades cotidianas que parecem não fazer sentido. Pois os movimentos são elementares, mas os resultados estão na proporção Giga ou Tera para a veiculação que difunde idéias de realidade e verdade.

O que outrora fora marcado por imagens de máquinas, agora, tem a marca indelével das máquinas de imagens. Em que se sucedem flash que a memória não retém, apenas deixa passar criando um universo imagético em que a comida sempre está quente e as flores não murcham, já que não há tempo para tanto. O Futurismo que parecia uma elucubração estética do início do século passado vaticinou na contemporaneidade a maquina, a velocidade e a violência. O Presente perpétuo, um porvir de tantas realidades e futuro, telégrafo, 14 Bis, Concorde, e o cone de Mach em que nossa dimensão simbólica passará quando passar o trem Bala por aqui.

Quando passar o cigano de Macondo trazendo suas novidades para os nossos Cem Anos de Solidão, para esse lugar sem onde, e essa história sem quando, onde a multidão é hostil, o privado é claustrofóbico e a ágorafobia mora no público, onde vento é de poupa, e julgam haver alguma lanterna na proa, onde o moto é perpétuo e as crianças hiperativas, onde o imperativo é a motricidade tresloucada dos ansiosos, onde a sintaxe é a pressa quando o signo é a velocidade. Etc..

quinta-feira, julho 17, 2008

Keynes X Smith

Nas ultimas semanas sofrendo reflexo ainda de eventos do começo deste ano, a economia estadunidense sinalizou combalidamente com uma crise no mercado imobiliário. O que andou tirando o sono de muitos investidores norte americanos e de outras partes do mundo, que tinham depositado esperanças duradoras no boom do mercado de títulos imobiliário estadunidense.
Começaram dizendo que a culpa é dos “subprimes”. Aqueles que não têm condições declaráveis de arcar com a divida e mesmo assim as contraem. Isso por que o mercado de credito imobiliário dos EUA, passava por uma grande onda de liquidez, ou em outras palavras, sobrava dinhiero pra empréstimos. E como os subprimes pagam as maiores taxas de juros justamente por não terem condições declaráveis de pagamento da divida, isso encheu os olhos dos credores que disponibilizaram cada vez mais dinheiro para terem maior retorno com a taxa de juro paga pelos subprimes, criando títulos da divida que poderiam ser comercializados endossados no mercado de credito doméstico e internacional. Mas quando os subprimes amedrontados por uma crise do petróleo deixam de pagar uma hipoteca, aí roda todo mundo, dentro e fora dos EUA.
O que mais me intrigou neste caso é que o governo dos EUA correu solicitamente a socorrer os bancos norte americanos comprando boa parte dos títulos que os subprimes não pagaram.
Mas que coisa linda não? A Meca do liberalismo econômico de onde saiu a cartilha do neoliberalismo Latino Americano, que se convencionou a chamar até pelo nome de “Consenso de Washington”. Cartilha esta que empurrou goela a baixo de países como o Brasil o receituário neoliberal, de um Estado mínimo, com cada vez menos intervenção na economia, colocando as privatizações como a panacéia dos problemas econômicos latino americanos. Evocando a mão invisível do mercado, reabilitando o liberalismo de Adam Smith para o capital global com a roupagem de “neo”.
Fazendo todos crer que a racionalidade técnica da economia de mercado segue leis naturais, como as da física, dotando o mercado de uma natureza auto-gestora e que portanto, não necessitaria de nenhum órgão que o regulasse ou que interviesse.
Hoje os EUA viram que não é bem assim, pelo menos não como eles queriam nos fazer acreditar. As leis naturais do mercado não corrigem todas as suas distorções. E aqueles que enalteciam essas leis são os mesmos que enxovalhavam o Keynisianismo, as idéias de Keynes que era justamente de um Estado que tivesse uma intervenção maior na economia, o Welfare State o Estado do Bem estar social.
E o irônico é que toda vez que o liberalismo entra em crise quem o socorre é o Keynisianismo, foi assim em 1929, e está sendo assim agora que o Estado dos EUA está socorrendo o mercado comprando os títulos subprime.


quarta-feira, julho 09, 2008

A merda do cão

Hoje estive passeando com meu cão. Ele tem uma simpatia imensa por mim e eu por ele. Qual seria o motivo dele ter esse amor incondicional por mim e ter o hábito de deixar-me de consciência pesada quando não o levo para fazer o seu coco diário.
Ele tem seus momentos de ódio quando não chego a tempo para levá-lo para suas necessidades e assim caga na escada , próximo a porta para mostrar sua indignação . Chamo-lhe , faço cheirar suas fezes, um cascudinho de leve e digo " aqui nunca mais ".
Talvez você acha cruel caro leitor, mas ele não guarda rancor e sabe porque levou o cascudinho e sabe fazer aquela cara sartreniana que comove o mundo e me leva a pensar na existência, aliás, será que o maldito pensa nisso.
O danado corre da morte, aliás, tenho o hábito de caminhar sem coleira com ele, para ele dar um role. Legal, tudo bem, quando porém vê uma cadela, sai que nem doido e não obedece, a razão foi para o beleleu. Numas dessas levou uma carrada , que o jogou para escanteio . Deste dia em diante ele não atravessa mais a rua, só pega cadela que está à frente ou atrás.
Desculpe os devaneios. Será que o bicho pensa, ou não atravessar mais a rua é só um ato behavorista do desgraçado. Será que pensa na morte . Eu penso e tenho calafrios , não é viadagem não meu amigo, prometeram um céu pra mim, e pensar que ele não existe é foda. Fiquei a pensar nisso por que a Baleia do Graciliano Ramos foi para o céu e eu tenho dificuldade de entender isso.