Ainda pouco estive com uma amiga que me perguntou, que fotos eram aquelas de pessoas bebendo, conversando e tocando. Disse que era de uma reunião entre amigos na qual me diverti bastante e dei muita risada.
Ela me interpelou e disse enfaticamente: Isso é importante!! Isso o que, se divertir?? Rir, principalmente.
Ela transa uma idéia de Yoga, que trabalha com o riso, essa linha é de um indiano que não sei pronunciar o nome quanto menos escrever.
Fico imaginando essa coisa do riso, e o vejo como coisa séria, sendo o homem único animal que ri o riso também tem sua construção histórica. Por exemplo, para Platão o riso soava como falsidade, ironia, e afastava o homem do mundo supra sensível e da essência do belo e da perfeição platônica. O riso já tomou várias conotações durante a história e hoje apesar de todo avanço e emancipação moral e critica rimos muito pouco, se bem que já se riu menos no passado.
Se tomarmos a idade média existe certos conceitos sobre o riso que perduram até hoje, como por exemplo o fato de que Jesus possivelmente nunca tenha rido em vida, pelo menos não há registros bíblicos. Isso se explica por que o riso teria um tom profano, por que traria contigo o escárnio o qual não seria de bom tom Jesus estar ligado, pois o humor não combina com o sagrado. Já que parte da ação do humor é justamente a de contestar alguma situação.
Lembro-me de um livro lindo e tão complexo quanto, que li quando jovem, que trata justamente do riso na idade média, chama-se O Nome da Rosa, infinitamente superior ao filme. Umberto Eco, que é um semiólogo, escreveu um livro que fala sobre uma efeméride na idade média, que é uma série de assassinatos num mosteiro, escrito como se fosse um livro medieval, com uma sintaxe lógica que lembra muito a lógica Formal ou de Aristóteles.
O que não é pra menos, pois toda matriz de pensamento medieval era organizada pela igreja católica, que um dos seus grandes filósofos que hoje é santo, o São Tomaz de Aquino, foi quem reabilitou toda filosofia de Aristóteles para dar legitimidade a base epistemológica e todo pensamento medieval. Por tanto Eco utilizou da lógica formal aristotélica para escrever seu livro que trata de uma efeméride medieval. A lógica Formal pressupõem a criação do silogismo de dedução que se dá do geral para o particular, e o silogismo de indução que é a do particular para o geral, a mesma lógica que ainda é usada em certos casos na nossa ciência moderna.
Mas não é só isso, Aristóteles teria também escrito um livro em que, diferentemente de Platão, advoga o caráter benéfico do riso, próprio de espíritos livres e com aura artística. O que a idade média não poderia conceber, já que pela igreja temos que estar sempre contritos e nos penitenciando neste vale de lágrimas para alcançar o paraíso, e o riso não só depõem contra isso como nos faz perder o medo do inferno. Por tanto este livro de Aristóteles teria que ser extirpado da base filosófica que serviu à matriz aristotélica-tomista da idade média.
E não é que Eco magistralmente em O Nome da Rosa, escreveu uma ficção em que os Monges dentro de um mosteiro morriam tentando descobrir a onde estava, dentro de uma biblioteca infinita, o livro escrito por Aristóteles sobre o Riso.
Na historia da filosofia não há consenso de que este livro realmente tenha existido, hipótese mais provável é que o livro tenha se queimado em dos incêndios da biblioteca de Alexandria. Ou que a igreja tenha dado um sumiço nele.
Mas para se utilizar de uma máxima corrente na ciência moderna e que é pura lógica Formal aristotélica: “A ausência de evidência não se traduz necessariamente em evidência de ausência” . Ou seja, o fato de não ter sido encontrado não quer dizer que o livro não tenha existido ou que ainda exista, talvez deva estar em alguma biblioteca infinita de um mosteiro guardada por um monge cego chamado Jorge. Referência a Borges é pouca.



















