terça-feira, junho 09, 2009

A POESIA INFINITA DOS POLENS


Réginaldo Poeta Gomes lança novo livro

Voltei para casa fecundo após o evento de lançamento do mais novo livro do nosso ilustre amigo Réginaldo Poeta Gomes, “O Encontro Mágico do Pólen”; a ponto de dar uma volta pelo dicionário e saborear o significado da palavra pólen e constatar que se trata de “espécie de fina poeira que esvoaça das anteras das plantas floríferas, e cuja função é fecundar os óvulos, representando, assim, o elemento masculino da sexualidade vegetal...” (Dic. Aurélio).
Descobri também que neste esvoaçar, o processo de polinização se dá de forma indiscriminada, ou seja, acontece também entre espécies de flores distintas, afastadas uma das outras, “sem se conhecerem”, pois o fenômeno acontece pelo vento, pela água ou pelos insetos que carregam esta ilustre poeira ao visitar outras flores em busca de néctar, ou por qualquer outro motivo que o pouco conhecimento que tenho das ciências naturais não foi capaz de me esclarecer.
O contato com o livro, com o poeta paraibano, corintiano (graças a Deus) e apaixonado pela vida, realmente se confunde com este fenômeno tão sutil, mágico e transformador que é a reprodução das flores via pólen. A obra de Réginaldo nos afeta de investigações acuradas sobre um cotidiano mágico em pequenos detalhes, carregadas de inspiração ímpar, porém generosa ao extremo, porque se revela como um presente para quem lê, dado de coração e feito com amor sem excluir ninguém. Legítimo intuito do autor.
A poesia de Réginaldo nos invade de tal maneira que, se paramos a leitura, talvez tenhamos interrompido um verdadeiro orgasmo; e tudo parece que ficou pela metade, mal feito, por dizer, indefinido. Como se o tempo perdesse a identidade, ou como qualquer coisa que possa ser contrária à vontade de suas palavras: nos tornar seres humanos melhores em tudo, conscientes do valor inestimável da vida.
Também pudera! Nosso poeta / patrimônio tem a Lua só para ele; privilégio que faz com que seus olhos nunca percam de vista o lirismo intrínseco e luminoso daquela que compartilha do mesmo brilho que lhe é ofertado e refletido, para ouvir a materialização sonora da sua verve literária, para ser sua musa, sua cúmplice, sua mulher e razão de sua vida, responsável pelos bilhões de polens que espalha por onde anda, em quem conversa, sem poupar-nos de sua oferenda infinda.
Como havia dito, voltei assim para casa. Com a certeza de que viver vale a pena, de que a poesia pode ser o remédio para a alma, para restaurar um “sorriso quebrado”, para recolher e colar os cacos da vida depois de uma paixão espatifada; ou para simplesmente observar a avenida agitada, aquelas pessoas apressadas que não se dão conta de que precisam de polens, os mesmos que numa simbiose perfeita se misturam e se originam da poesia deste ser humano lindo, deste menino iluminado: nosso Réginaldo Poeta Gomes!

Nilson Ares

quarta-feira, maio 20, 2009

Beijamante


Atear fogo às estrelas com tal coragem de criança não era comumente uma tarefa trivial, somente depois de contumaz bebedeira, de Maria costumeira e o som divinal de quando passeias as vestes inteiras sobre a face escura da lua em labareda. E quando mais tarde afinal, dorme transparente opaca estrela, bóia paralisada no açude glacial de um sono sem sonhos. Que a água lhe seja calma, como oposto predicado do mundo tumultuado que vagueia pelos logradouros anseios do coração.

quinta-feira, maio 07, 2009

Parabéns Campeão

CLIQUE SOBRE A FOTO E VEJA OS COMENTÁRIOS DA FESTA CORINTIANA QUE OS JORNAIS NÃO PUBLICARAM.




HOMENAGEM AOS COLABORADORES DESSE BLOG QUE SÃO TORCEDORES DESSE TIME

terça-feira, maio 05, 2009

Siameses ou Xifópagos?



A todo o momento preciso
Milímetros, centímetros de você.
A sina, a saga, o sonho
Tão perto irreal.

Modesto, esquisito.

A direção da vida
Num roteiro complexo
Nada definido.

Seus músculos contraem
A natureza risonha
O surto, o gemido, a abstinência.

Não quero tão precisa.
Mas que eu possa tocá-la
Ou dividi-la numa partícula invisível que caiba
Dentro do meu peito

quarta-feira, abril 29, 2009

segunda-feira, abril 20, 2009

Unicidade e outros bichos




Olá meu nome é Ontologia do tempo e espaço, vulgo tecnomorfologia.
Nasci há tempos, mas só fui registrado na dec.de 90 do séc. XX.
Vivo em vários lugares, sou ubíquo.
Atualmente estou mais sedentário, mesmo assim às vezes percorro 1200 milissegundos por minuto, através das infovias da vida.
Minha infância foi muito diferente dos meus amigos, não joguei bolinha, nem soltei pipa, em compensação, criei e crio muitos ambientes para jogos.
O que vejo é que sem mim, hoje a sociedade mal se reconhece.
Sou bem informado, e informo milhares de pessoas, pois comigo as pessoas assumem seu lado mais sincero, perverso, ou fantasioso.
Faço parte de Ong’s, associações filantrópicas, corporações de ajuda a mutilados de guerras e até ajudo na exploração sexual de crianças indefesas.
Vendo rim, rádio, tratamento dentário, AZT, Franco Ruandês, casa na praia, música barroca, vagina de silicone, entradas no céu, bala de leite Kids, foto no carneirinho colorido, Tora, chinelo, carro usado, cotas de investimento imobiliário, armas da forças armadas Russa (pós-guerra fria), diapasão para piano, bala de gengibre, e afins.
Além disso, previno terremotos, enchentes, secas e pandemias.
Sofro sempre ameaças e auditorias, e sempre estou fazendo ameaças e auditorias.
Sou muito inteligente tenho quantos GB você inserir, chamados de memória, embora memória não seja inteligência, tenho uma capacidade enorme de armazenamento de informações.
Estão trabalhando com meu lado emocional.
Andam dizendo que vou até chorar.
Eu só quero saber por quem.

Abraços


quinta-feira, abril 16, 2009

Renascer

Estranho, nascer de novo
Me custa caro este renascimento
Resignificar os dias
Se tua ausência não tem cabimento

Tua partida deixou um vazio no peito
E da fotografia você ainda sorri
Como sempre, sem jeito
Parece eterno em seu momento

Não sabia que seria assim
Sentir tua falta
E ter que renascer para a vida
Pois não há outro jeito

Continuar a vida
Com a saudade estourando no peito
À mercê do tempo
E renascer...
E nascer...
Vivendo

Para meu tio José Francisco (Muita Saudade)

segunda-feira, abril 06, 2009

O eterno romântico

Entendo que mediante o tempo presente que não é mais do que instante entre o passado e o futuro o romântico tentar alcançar o infinito. Ele é cada vez mais raro , mas ainda existe entre nós. A vida rotineira lhe angustia constantemente e ele só pode sentir-se bem quando está no ápice da emoção.
O capitalismo moderno é o ladrão do romantismo, pois retira a vivacidade da vida que tem data marcada, hora marcada, dia marcado e nos coloca como devemos nos divertir. Esta vida para o romântico é um suplício , pois ele precisa de uma vida mais elevada, mais dionísica e menos cartesiana.
Um dias desses li num jornal que colocaram um famoso músico francês que costuma lotar em suas apresentações pelas suas habilidades musicais para tocar num metro de Paris numa manhã . Chegaram-lhe a presentear com moedas , entretanto, não perceberam quem era. Tal fato nos revela o quanto estamos caducamente racionalizados em nossas ações .
O romantismo não está morto, pois sempre remeto a lembrar de algumas figuras que quebram paradigmas dentro da construção cartesiana que presenciamos no cotidiano e sinto orgulho que tais personagens fazem parte da minha vida e muitos que me conhecem sabem dos quais estou falando.

Hemerson

segunda-feira, março 30, 2009

O tempo presente

Se tomarmos o exemplo de Heráclito sobre a questão do movimento, onde ele diz que ao banharmos em um rio quando dele saímos nos não somos mais os mesmos assim como o rio, podemos perceber que a vida é um fluxo constante, onde o presente é passado e o futuro a possibilidade do presente.
Discutir a questão do tempo é fundamental pois incide que a própria linguagem que fundamenta o tempo é uma questão puramente casual, haja vista, que afirmar " Eu sou " só tem validade metafísica, pois na realidade o Eu sou , enquanto matéria, é parte de um passado, assim como eu serei está no futuro.
É impossível captar o tempo presente pois todo ato que assumo ,pelos menos parcialmente ,já é passado e se assim o é , é lembrança do que passou.
Para Kant tais conceitos abstratos, tempo e espaço, existe a priori na mente humana, que ele chamava de razão, não existe fora de nós e serve para organizarmos o conhecimento. Mas o animal, por exemplo o cachorro, também faz idéia do tempo, afinal ele sabe o tempo exato para atravessar uma rua, pular ou não de uma sacada de uma casa. Entretanto, somente o homem pode vivenciar o passado e o futuro no instante " presente ".
Mas por que ele vivência o passado que não lhe cabe mais e o futuro que ainda será, ambos causadores de saudosismos e angústia, penso que porque estão dentro do instante do pensamento do ser donde não pode escapar.

Hemerson

sexta-feira, março 27, 2009

PRUZOTRO




Um dia desse após uma reunião de Pais, uma feroz mãe com seu corpo armado e seu rosto raivoso, se aproximou de mim e perguntou se eu era o Professor Tal.
- Pois não. Respondi a ela.
Direta ao assunto, mostrando seus dentes amarelados e seu olhar vingativo, perguntou se eu acreditava em Deus ou se era Ateu.
Deixei passar a pergunta, olhei no fundo dos seus olhos, mantive silêncio por um tempo, (que gerou uma impaciência pela mesma), e respondi que sim, e que Deus é bom.
Logo em seguida ela perguntou porque então eu estava levando meus alunos a não acreditar em Deus. Fiquei surpreso por tal afirmativa, até porque sou cristão e nunca neguei tal fato.
Como? Perguntei eu a ela.
É isso sim, e não adianta negar, a minha filha falou que o Senhor disse para a sala que como é possível acreditar numa coisa que não vemos.
Ah sim! Respondi a mãe. Que de fato levei meus alunos a questionarem, (esta ação me faz muito feliz quanto tenho êxito em tal proposta) e que a aula em questão era sobre igreja medieval X racionalismo, ou seja, sobre fé e ciência.
Para evita milongas resolvi então dar um golpe, e convidei a Sra Mãe a assistir minha aula, pois aleguei que ela estava fora de contexto. (quebrei a Dona).

Educadamente me despedi, e ainda me desculpei se a sua filha se sentiu constrangida com tal abordagem.
E me veio um pensamento à cabeça:

Ora, dizem que Deus é onipresente.
Não o vejo.
E tem uma coisa que é ubíqua e concreta, e que além de estar em todos os lugares, assume diversas formas e diversas maneiras de ser usadas e ninguém questiona o poder desse negócio, pois precisa dele.
É o contrário?
O espinhudo?
O mal?
O cão tinhoso?

É pior que ele.

Quem ganha?

Deus X Dinheiro?


abraços


domingo, março 22, 2009

A vida como ela é

São cinco horas da manhã
O relógio aponta que a vida comum começa
Transeuntes pelas ruas
Começam sua jornada
Nada de novo
O domingo já se foi
A feira, a igreja , o futebol , a televisão
Tudo começa com o sonho do futuro
Resumido ao sonho que não acontece
A rotina não permitirá saber o por que da dor
do tédio, náusea, crise existencial
Não fazem parte deste povo
Somente o leite, o pão , a carne e famigerada cachaça
Realmente tem despertado discussão ultimante
O que importa meu amigo
Sei lá
Só eu e você sabemos o que importa


Tito

quarta-feira, março 18, 2009

Palimpsesto


Eu vou ser.


Serei antes o ato,
A existência em potência.


Quando eu for,
estarei ainda tentando ser.


O ser e o espaço


A existência

terça-feira, março 17, 2009

The Show Must Go On

Não tivesse eu, esta manhã, feito o exercício rotineiro dos sentidos, daqueles que buscam o ideal ascético do perfeito e do belo e que expõem o paradoxo da imaginação e da coisa imaginada. Ou tivesse eu, nessa ascese, parado com as cobiças libidinais, de beber e fumar e girado as vísceras no fractal caleidoscópio de deus, que tudo vê. Tivesse eu, podido manter seu foco em mim esse tempo todo, cuidando de outras coisas ao mesmo tempo. Tivesse eu, em tecnicolor na sua infinita ocular, mostrado o nada que emerge das figuras, como um fundo que se torna a imagem, e de novo, a inocular em outros fundos outras imagens. Tivesse eu, o dom de evocar tal profusão do nada. Ou mesmo, a possibilidade de vê-la, como um conto universal, que narrasse desde os primeiros grunhidos dos falantes, das suas imagens na pedra, de suas imagens de pedra e sua adoração por elas, sempre a invocar os mesmos grunhidos na língua dos anjos. Estivesse eu, neste laboratório fonoaudiológico feito cobaia do espírito santo. Tivesse eu, no alpendre de casa, um Instituto de Pesos e Medidas para saber que todos os espíritos, desde os mais santos, são como uma mala ou uma cadeira. Tivesse, mesmo assim amiúde, o espetáculo não cessaria em minha mente.

segunda-feira, março 16, 2009


Minha alma sedenta não suporta a teoria heliocêntrica
Eu quero ver o pôr do sol
Lá no banhado
Ouvindo Altamiro Carrilho

Minha alma quase chegando aos quarenta não tem suportado o mundo
Eu quero um livro empoeirado
Daqueles que deixam cheiro na mão
Ao qual lemos deixa saudade
do primeiro amor

De fato já fomos sonhadores
E ainda somos eternos insatisfeitos
No fundo não satisfazemos com nada
E vivemos a procurar o raio do infinito

A razão cartesiana oprime tem hora
Fato que somente pode ser aliviado
Pelo som de Pixinguinha
Ou do Baden , como agora

Hemerson

quinta-feira, março 12, 2009

Coração Valente



Uma cabeçada, os tapas no peito e a caminhada até a massa tricolor elitizada(sem povão, claro!). Assim Washington vem e se encontra com aquilo que é mais apaixonante: a torcida São-Paulina, do Maior do Mundo! Já vi vários gols do Coração Valente, inclusive contra nós, mas incomparavéis em emoção aos que só aqui no Melhor do Mundo ele ira fazer. Aliás , isto graças ao verdadeiro espírito de treino no Paulistinha e de competição na empolgante e espetacular Taça Libertadores, maior torneio de clubes do nosso continente o que incomoda a sempre ausente, suja e mau-comportada torcida do Cúrintía.
Mas deixando os galinhas-pretas de lado, parabéns ao "Washingol" que realiza um sonho de todo jogador, brilhar no Maior do Mundo. Por isso , o saudoso Juca Chaves ainda canta " Torcer para o São Paulo é uma grande moleza".

domingo, março 08, 2009

Parabéns Ronaldo



Uma cabeçada, um salto , um pulo até o bando de louco. Assim Ronaldo vem e se encontra com aquilo que é mais apaixonante: a torcida corinthiana.
Veja todos os gols do Ronaldo, muitos belos em relação a este , mas incomparável a emoção que só este time e torcida pode proporcionar, aliás , isto graças ao verdadeiro e maior clássico do futebol paulista coisa que incomoda a engomadinha e bem comporta torcida São Paulina.

Mas deixando os Bambis de lado, parabéns ao fenômeno que realiza um sonho de todo jogador, brilhar no time mais lindo e apaixonante do Brasil.
Por isso , o saudoso Toquinho já cantava " Ser corinthiano é ir além da vitória , vitória , vitória".

Hemerson

sexta-feira, março 06, 2009

Delicatessen...ou Para Além da Luz


Os objetos cortantes juntaram-se aos perfurantes, desde meu ultimo conto, assumiram a minha dicção, essa arte de ditar a ação; e se amotinaram. Renderam o cara do açougue quando o solicitava a carne moída, e gaguejei mesmo sabendo que era moída. Tais objetos, hoje, partiram para a pilhagem dos sujeitos, saqueiam os sujeitos e os levam sabe lá deus para onde. Sua justificativa é de que a definição e a constituição dos sujeitos se dá através deles, dos objetos, assim como o açougueiro que não o seria nada sem a carne, aí então este objeto, no caos a carne, solapou a definição de tal profissional, da sua qualidade de ser moída, e me deixou perplexo frente ao vidro daquela geladeira olhando as outras carnes penduradas, gotejando o sangue, que outrora fora cortada pela faca, depois tudo de novo, faca, sangue, geladeira, mesa, dinheiro, carne... escutando uma voz lá no fundo: senhor, posso ajudar? E quase no mesmo tempo a geladeira grita: não dê ouvidos a esse açougueiro inútil! Sujeito vil!

Não pude comandar palavra, os objetos assaltaram minha dicção e neutralizaram minha ação, me senti uma figura abjeta, e vi que seria mais sujeito quanto mais objeto fosse, tanto quanto a faca, a geladeira...quando voltei os olhos novamente para carne e todas as variadas secções promovidas nela pela faca reparei a infinita coleção de elementos organizados numa permutação infinita de classificação que ordenara a minha realidade objetivada até aquele momento de comprar a carne moída.

Dentre os objetos colecionados por mim, eu fui o primeiro, e que até hoje me coleciono nessa permutação infinita de classificação da minha subjetividade. E o que seria a subjetividade se não a substancia, essa singularíssima coisa? A geladeira, a faca e eu não somos objeto e sujeito a priori em si, somos sim, a priori, um fenômeno.

quinta-feira, fevereiro 26, 2009

Por um doce qualquer


Olhávamos tudo aquilo

Grande ilusão

Sonhávamos...

Besteiras

Alimentávamos...

natimortos

O apito enferrujou

As crianças já invadiram o alambrado

Pisoteando todas as flores

E ninguém observou

O obsoleto goleiro


quarta-feira, fevereiro 18, 2009

Só a Antropofagia nos Une


Esta metafórica frase do título acima proferida por um baluarte do modernismo brasileiro, neste mês, trasladou da metáfora para seu sentido literal.
Chegou-me a noticia, com o deley natural de quem não assiste muita televisão, que membros de uma etnia indígena, os culinas, no interior da Amazônia mataram com aproximadamente 80 facadas um jovem e, ao que os indícios levam crer, comeram algumas partes de seu corpo.
O fato vem gerando controvérsias, para Funai, já não existe a prática de antropofagia no Brasil contemporâneo. Outros sustentam que o ritual antropofágico tenha se incubado na memória das etnias, nos mitos e valores guerreiros e que agora tenha sido posto em prática, o que parece inverossímil. Mas o fato é que as populações ameríndias, o que não é privilégio só do Brasil, fizeram deste ritual uma prática contumaz. Tomamos os exemplos como os do Bispo Sardinha e de Hans Staden.
Dessa maneira, se caso sendo um ritual de antropofagia adaptado a nossa contemporaneidade, até onde iriam os limites do relativismo cultural para julgar esse homicídio dentro da especificidade da etnia em questão, levando-se em conta seu contexto cultural e antropológico? Como já houve casos de infanticídios, em que índios matavam seus filhos ao nascerem com problemas congênitos, por julgarem que nenhum índio pode depender de outro para viver.
Porém, por outro lado, se se tratar de um homicídio qualificado, com vilipendio de cadáver, como enquadrar tal etnia no código penal? Ao que parece, mais uma vez Oswald de Andrade tem razão. Já que agora, tal ato antropofágico polariza o código moderno da sociedade contemporânea brasileira com o contexto de etnias que remontam a pré-modernidade de nossa organização. A população ameríndia que para esse mesmo código durante muito tempo se constituiu como uma forma imperfeita de humanidade revela-se num tribalismo que avilta a morada da alma do cristão.
Mas essa celeuma é mais uma ação que se aproveita de fato bizarro para enquadra a população indígena em seu estereotipo de selvagens. Já posso ver tais selvagens à frente do juiz, com uma parede ao fundo e um crucifixo pendurado dando legitimidade à sentença.







domingo, fevereiro 15, 2009

Véspera de Jogo




Ola meus caros e feliz ano novo(sim, só agora ou se preferirem depois do carnaval!).


Estou lendo essas chatas colunas colunas no começo do ano e só me interesso mais por elas pelo apimentado debate nos posts de comentários, principalmente pela indiferença do Piqui ao modo e ao que os outros escrevem, mas isso é outro assunto...

Em véspera de um primeiro São Paulo e Corinthians no ano todos que saboream o futebol se munem de informações e argumentos para o antes, o durante e principalmente o depois. Talvez por isso e não pela estréia ou não de Ronaldo ou se o Ceni vai jogar o futebol ainda é fantastico para nós mesmo de uma forma peculiar.

Fico enojado quando ligo a TV pela manhã e vejo aqueles estádios lindos no estrangeiro com aquelas placas de publicidade de marcas "vultosas" e 22 brancos europeus jogando "Porra Nenhuma", afinal os estrangeiros, socialmente escurraçados no exterior(principalmente latinos ou de cor)são que valorizam tanto aquele espetaculo.

Acho que devemos sim valorizar nosso futebol tupiniquim discutindo sobre isso nos bares, frequentando os estádios, vendo jogos na casa dos colegas, vestindo o uniforme do time e não simplesmente excluindo isso do nosso dia a dia como alguns fazem dizendo que não se acrescenta nada ao seu auto-ego.

Literatura, Música, Cinema e Futebol tem o mesmo poder auto-denominante, folclórico, lirico e cultural em qualquer discussão. Com certeza todos sabem que todas andam juntas mas não a tratam como tal.

Talvez essa discriminação dos que se julgam e que se acham mais intelectuais e indiferente a ele não só empobrecem e minimizam o esporte mais querido do povo, como também a todos os outros elementos que o acompanham na estrutura cultural da sociedade.

Que a segunda-feira seja terrivél para os corinthianos....ou os são-paulinos.

terça-feira, fevereiro 10, 2009

Por que o professor concursado torna-se lesma e a provinha classificatória


É fato que o professor concursado tem os seus méritos, afinal ficou à frente de muitos num concurso muito bem elaborado com questões bem interessantes.Estas provas são feitas por especialistas de cada área que propõe perguntas bastante inteligente.
Mas o que acontece quando este indivíduo faz depois de concursado, em geral fica parado no tempo a justificar sua desatualização pelo fato dos baixos salários e que os alunos são umas pragas e governo é um tremendo de um filho da puta.
Há verdades nas afirmações acima , mas não na totalidade, principalmente no que tange o salário e o governo.
Há muitos professores de condições econômicas menos abastada que demonstram maior domínio do conteúdo e interesse em não despejar sua insatisfação no alunado ao contrário de alguns que parecem que pararam no tempo. Usam o livro de 10 anos atrás , aqueles que vem com a resposta para que ele não corra o risco de cometer erros.Passam filmes sem conteúdo para que as aulas passem tranquilas e serenas e coloca seus queridos filhos nas escolas particulares, afinal, o estado é uma merda , isto mesmo tal como o trabalho que ele faz. Mas a culpa é do governo.
Reivindicarmos salários, denunciarmos o descaso governamental , explicarmos aos pais e alunos nossa indignação são fatos justos. Mas venhamos e convenhamos grudar no estado como uma lesma e ficar enganando a criançada e a juventude que muito precisa do auxílio de alguém que poderia mostrar uma luz no final do túnel, isto é coisa de sacana que presta um deserviço para que seja mantida a merda que aí está.
Em suma , não quero aqui defender o estado que pouco investe na educação, mas que tem um povo que não sabe para que veio, isso tem.

Provinha classifatória:

"O que há de se esperar de alguém que tanto tempo leciona, que como o vinho tornou-se melhor, mas não ocorreu tornou-se vinagre".

O governo cometeu um grande erro nesta provinha: dia da semana, conteúdo duvidoso, professor aplicando avaliação para professor.
O sindicato pede concurso,justo também, mas o que acontece é que muitas disciplinas tem 8,6,2,1 aulas pingadas e por isso sempre se fez necessário o ACT. Mas o que mais assusta na APEOESP é defender somente o tempo de serviço e nem colocar uma melhor prova. Por quê? para defender professores que aí estão e agora foi revelado pelo estado que muitos zeraram a prova naquilo que foi baseado no ano que passou, coitado da molecada.
Numa empresa a preocupação da qualidade é dela e do sindicato a reivindicação e manutenção dos direitos, mas no caso da APEOESP que é o sindicato da educação, não é somente pelos direitos dos professores, mas também pela qualidade do ensino .
Nesta prova houve um grande medo de velhos professores ACT´s ficarem sem aula por causa da provinha e não somente pela questão legal .


Hemerson

terça-feira, fevereiro 03, 2009

A questão da qualidade textual

Meu professor da faculdade , o saudoso Marcos, conhecedor de quase tudo, foi alvo de uma pergunta comum aos intelectuais da literatura " Professor, os livros do Paulo Coelho realmente não prestam?". Qual seria a resposta mais esperada , "péssimo". Com muita propriedade naquilo que fala, disse que a questão não está no que se conta, mais como se conta, a história nem é o principal fator. A mim, pareceu a melhor resposta que ouvi até hoje e remete sempre ao livro Noites Brancas de Dostoievski, ou ainda a poesia o Bicho de Manuel Bandeira que apesar da singeleza presente , causa realmente espanto.

Hemerson

sábado, janeiro 31, 2009

Fantasmagorias

Borges perguntou a um estudante de letras norte americano se já lera Arabian Nights (As Mil e Uma Noites), e este respondeu que não fizera o curso de árabe, e Borges respondeu que também não, disse que lera no curso de Noites. Era isso que estava lendo quando Fantasmão disse que A República de Platão era o bicho! Vire e mexe neguinho da Pólis já queria ver a parada. Certa vez chegou a expulsar os artistas, por julgar que estes representavam de maneira caricata o ideal do belo, do supra-sensível. Criando imagens e delas o simulacro, copiando mundo das idéias. Inverossímil, ma no troppo. O afã da representação acabou inaugurando outras realidades, hiper realidades suportadas por uma sintaxe binária aparentemente muito simples: zero e um. Esses dois signos suportam hoje uma profusão de sentidos e significados que a representação platônica só postulou no mundo das idéias, no supra-sensível, no mundo fora da caverna. A virtualidade não é uma sombra da realidade no fundo da caverna, é outra realidade, ainda latente. A sua extensão está em potência e não em ato, mas, o fato, é que essas duas condições (ato e potência) andam se coincidindo no tempo-espaço. Lembrou-me de outro conto de Borges que conta a história de um colégio de cartógrafos, que se esmeravam em construir um mapa que fosse do tamanho do império, em que cada ponto do mapa coincidia com as localidades e os objetos geográficos ali representados. Mas Borges sabia, que o mapa naturalmente se tornaria obsoleto. Pois há noticias, que existem ruínas desse mapa habitadas por animais e mendigos. Já que consideraram tal representação mais aconchegante e perfeito do que o espaço da realidade ordinária. Pelo menos foi o que imaginei, quando agora vemos que o esmero da representação é ser mais perfeita do que a coisa representada, do excesso de significação frente ao significante, da técnica portadora de sentido e do meio abarcando a totalidade da mensagem. É o que torna imperativa a obsolescência programada da realidade e suas eternas atualizações. Isto não estava no mundo sensível de Platão, e acho que nem no supra-sensível.

segunda-feira, janeiro 26, 2009

O tempo e as reflexões da vida

As pausas são necessárias para que as reflexões aconteçam. O ócio tem sido um grande negócio para mim, afinal negar o ócio pode impossibilitar de pensar. Os gregos na antiguidade(antigüidade) falavam da necessidade do ócio para que pudessem ter a possibilidade da reflexão. O fato é que o que escrevemos tem muito da transpiração da carcaça cerebral, mesmo essas singelas palavras.
O grande filósofo Wittgenstein escreveu uma grande obra chamada Tractatus Logico-Philosophicus, considerada sua grande obra. Depois deste livro foi ser jardineiro e mais tarde professor primário e traria depois de 20 anos a revisão da obra citada. Assim levou muitos anos para que ele reconsiderasse tal obra que ele mesmo escreveu.
A vida é um ir e vir que não podemos negar , é um banhar num rio e não sermos mais os mesmos , parafraseando nosso grande filósofo Heráclito. Assim quando fulano nos chega e diz " Como você está mudado, na verdade é reflexo das frações de segundo de um tempo que não pára .

Hemerson


sábado, janeiro 17, 2009

Ativando Comunapiraquara 2009


Mês de férias para os professores (grande percentual da comuna) e para a maioria das pessoas, seguindo as tendências do mercado. Segue um link para ver se começamos uma boa discussão em 2009.

Mês do ócio para todos, ao que parece. Comprem...comprem tudo e comprem muito...
e quem era contra o Lula... chupa que é de uva! Assim diria a adolescencia brasileira.



ps: com a reforma ortográfica, as acentuações do texto não são muito catolicas.

Maria, simplesmente e Nelinho 10

domingo, janeiro 04, 2009

Telefonema ao Sr. da Guerra



- Mr. President, again from him, Mr. Olmert calling, I can say those same things we said before.
- No, now we can throw all the shit into the fan, that nigger will charge it for towards and on. Give the phone.
- Hello, mr. Olmert, it`s George, how`s it going to?
- Mr. Bush, all alternatives were chosen to finish this situation in a peaceful chance, now we can not wait anymore. Could you please give us your final word about Hamas in Gaza? Can I discharge my weapons against them? As soon as possible we`ll going to buy and finance more and powerful weapons to keep our business, even without you and your fellas at the top of the world.
- Ahhhh, it`s Ok, from my side you can go ahead and destroy Gaza and all the unhapinesses palestinians.....fuck off all the whole agreements and political criteria, I`ll not be here to solve any claim from the world....It will be a nice begginning to the who is named as them...Barack Obama
- Mr. Bush, one more thing, could please check it out when FED is able to pay us that money we gave you in November...

S. Farias

ps: sendo os comunas aqui letrados em diversas línguas, espero que não tenham dificuldades em ler e também me corrigir se necessário.

quarta-feira, dezembro 24, 2008

Ponte

Alçada em concreto e plumas dos passantes sobre espumas navegantes de detergentes e fósforo verde, como o das telas dos PC´s antigos. Lembro das coisas que precipitam no sentido cerrado de sua gravidade, como o não sentido dos que se jogaram dela. Cacos da Anima de vidro, do choque com suas espumas e que agora agarram em suas colunas, erodindo as cabeceiras, expondo as estruturas de concreto vivo que se movimenta em todo sentido que lhe é atribuído. Mesmo os falsos, os falaciosos, e dos sofistas que com seus silogismos quase perfeitos, lhe atribuíram uma direção comum, mas com sentido contrário. Como se fosse o sentido da anti-gravidade, da anti-matéria que catadores de todo tipo vinham até suas margens negociar, traficantes de bibelôs, Vendedores de guarda chuva, filósofos, que ao se jogarem sentiram seus corpos caírem para alto. E dentre outros usos havia também o de traslado. Já que passaram a utilizá-la até para se atravessar de uma Margem a outra, pra depois outra, e mais outra Margem até chegar ao feto da razão, a um principio de entendimento, lá no fundo do leito de um lodo galvânico do sentido, fruto da eletrólise das nascentes imaginantes.

quinta-feira, dezembro 18, 2008

Sociedade de Risco

As ultimas efemérides meteorológicas me fizeram lembrar de Ulrich Beck, Sociólogo alemão que desenvolveu o conceito de Sociedade de Risco. Que está relacionada contraditoriamente a modernidade, isso porque segundo Beck, os riscos estão relacionados à arquétipos modernos que foram criados justamente para emancipar o homem, que são: o racionalismo, a técnica e a ciência. Estes estão a serviço do homem justamente para libertá-lo das limitações e adversidades do mundo natural.

Mas é bom que se diga que a técnica e ciência não são neutras, ambas têm uma destinação humana, mas estão inseridas num contexto político e histórico. Segundo Milton Santos a técnica é uma maneira de tornar o espaço empírico, a inferência do homem em seu maio natural se dá através da técnica, e esta, empresta uma dimensão temporal ao espaço propiciando a história, que assim como o espaço e a técnica, se organiza de maneira desigual e combinada. Aí o problema do risco dos eventos meteorológicos.

Os eventos meteorológicos castigaram regiões do país, começando por Santa Catarina e agora o estado de Minas Gerais. Bom pelo menos essa é a notícia que se veicula pela mídia, que também tenta relacionar esse tipo de evento com a questão da mudança climática global. Porém enquanto os meios de comunicação tentam culpar a chuva pelo grande problema instalado e os ricos relacionados á ele, não se falou em nenhum momento do que realmente está por traz disso tudo na análise de riscos. Que é a questão do parcelamento, uso e ocupação do solo. Esse riscos podem ser analisados com anos de antecedência, já prováveis riscos relativos a questão meteorológica, com alguns dias.

A especulação imobiliária, a negligência do poder público empurrou ou deixo instalar grandes assentamentos humanos em área de risco, ocupando várzeas, encostas e impermeabilizando o solo. Não precisa ser engenheiro ou especialista em hidrologia urbana pra ver que com esse tipo de política voltada a habitação e zoneamento urbano, a nossa sociedade atual estaria assumindo riscos cada vez mais desproporcionais a capacidade de gestão dos mesmos.

Crescimento da mancha urbana, impermeabilização e declividade acentuada (típico Vale do Itajaí, Congonhas do Campo, e Cataguases), fazem com que aumente consideravelmente a energia cinética da água da chuva, ou no jargão especialista, escoamento superficial pluvial. O problema que o que determina a energia cinética é a gravidade, e essa têm uma função exponencial, a sua aceleração é representada ao quadrado: 9,8m/s2 , de maneira que o risco que se apresenta tem um comportamento de progressão geométrica, em outras palavras, chegará cada vez mais água em menos tempo à uma macro drenagem ou calha principal. E o assentamento humano local verá um alagamento cada vez maior em sua extensão e em menos tempo.

Não adiantará nada todo investimento no programa espacial brasileiro (que já é pouco), desenvolvimento de satélites, super computadores para previsão de tempo e clima, todos para contornar a aleatoriedade e a diminuição da exposição ao risco de nossa sociedade, enquanto parte deste risco encontrar-se no progresso de cidades baseado na racionalidade técnica do capital e no desenvolvimento desigual e combinado do espaço urbano no Brasil.

quinta-feira, dezembro 11, 2008

Fenômeno no Corinthians


Após o término do campeonato brasileiro era de se esperar que a mídia mirasse seus olhos no campeão São Paulo, mas a notícia da contração de Ronaldo pelo corinthians veio como uma banho de água fria ao campeão brasileiro. Provado está que a volta do corinthians dá brilho ao campeonato.
Precisamos analisar que é possível que o gorducho não faça nada, apenas talvez realizar um sonho de infância da maioria dos garotos brasileiros: ver seu nome gritado por essa fanática torcida.
A verdade é que o timão comprou um produto caro, com ações especulativas altas, muito maior do que ele realmente vale jogando. Somente nas primeiras horas do anuncio o corinthians já tinha vendido centenas de camisas , mostrando o peso que Ronaldo tem.
Como a distância entre o amor e o ódio é o fio de uma navalha, caso o gorducho não dê o resultado esperado, apesar de torcer muito para que dê, ele terá ganhado muito dinheiro , mas não terá o amor que essa nação alvinegra tem a grandes jogadores como : Marcelinho Carioca, Ronaldo goleiro,Sócrates , Neto e tantos outros.
Mais voltando a questão da mídia, entendo agora porque somos os torcedores mais odiados, principalmente pelos São Paulinos, que após ganhar um título vê toda mídia com olhos voltados para o time do Parque São Jorge, que estava estampado em vários jornais mundiais dizendo que Ronaldo está de volta em um time de grande tradição no Brasil. Se pense que estou mentindo pegue a edição de Terça-feira do Lance e verá.

Hemerson

quarta-feira, dezembro 10, 2008


Com a mente seca e a cabeça ébria


Acabado, mas sem saber acabar


Morreu esperando viver


e viveu esperando morrer.


Tristan Corbière


Ao Charles, com os sentimentos de todos os comunas.

terça-feira, dezembro 02, 2008

A ÉTICA, A POLÍTICA E O DESENVOLVIMENTO HUMANO

Diante da política neoliberal que orienta o comportamento social em consonância com a lógica do mercado, buscando o tempo todo valorizar nas pessoas, características utilitárias classificando o ser humano pelo seu mérito produtivo em detrimento da sua plenitude humana; podemos observar que esse quadro retarda o desenvolvimento psicológico em algumas etapas da vida do homem.
O desenvolvimento psicológico e social de um indivíduo sofre intensas variações quando ele está diretamente ligado a um mundo repleto de diferenças sociais, políticas, econômicas e religiosas. E conseqüentemente, a marginalidade explicíta choca a humanidade com seus crimes bárbaros. A realidade mencionada fere profundamente as fases de crescimento do ser humano no caminho de se tornar um adulto transformador de seu meio; mas diante de tal contexto, por ter seu desenvolvimento psicológico abalado, como num "efeito dominó", as crianças e os adolescentes dão continuidade ao legado (negativo) deixado por seus pais.
Os adultos são responsáveis pelo bem-estar físico e psicológico de seus filhos, mas como proporcionar tais necessidades se o responsável por elas é atingido diretamente pela pobreza? Este fator muda a rotina de muitas crianças e adolescentes que infelizmente são obrigados a pular certas etapas para se tornarem prematuramente adultos que trabalham pelo sustento da família. São crianças que não têm tempo para brincar ou estudar; e compartilham com seus pais a condição de vítimas, imposta pela classe dominante.
A lógica capitalista embute a necessidade de se ganhar dinheiro como sinônimo de inclusão social, de exercer a cidadania por intermédio do consumo. Esta capacidade de consumir é o que leva uma fatia abastada da sociedade a colocar seus filhos nas escolas, diversificando suas atividades entre a educação formal e a não-formal, como sinônimo de proteção contra a marginalidade e os perigos do cotidiano. Será que esse invólucro que dura da infância à adolescência substitui momentos ou mesmo instantes de uma relação afetiva diária?
Enfim, aqueles que estão minimamente preocupados com o desenvolvimento social, cultural e psicológico dos indivíduos, sabem que a construção de uma base concreta da sociedade depende do desempenho social de cada membro dentro de seu contexto específico. Considerando também como fatores de transformação, o desenvolvimento físico na fase de adolescência ligados ao comportamento rebelde, ao desejo de independência, etc; características do processo natural da vida que tendem a desaparecer à medida que se atinge a maturidade.
Portanto, duas questões cruciais devem ser levadas em consideração: o poder que o indivíduo tem de buscar a transformação do seu próprio meio; e o respeito pelas fases naturais do seu desenvolvimento físico (e do outro), amparados por uma ética que reflita e questione sobre esta realidade neoliberal.

Nilson Ares, José Alencar, Flaviane Oliveira, Talita Sampaio

segunda-feira, dezembro 01, 2008

A vida, o Universo e tudo mais – um ensaio sobre o Bill Gates e a ABNT Mundial


Não vou aqui explicar a natureza dos códigos binários, ou da ABNT, pois acredito que todos os comunas já tenham isso claro, no entanto peço que atentem para a arquitetura dos fatos e como eles direcionam para algo em comum.
Aparelhos de Fax, códigos binários, The Matrix, DVDs, Micro Computadores, MP3 Players, Notebooks, Satélites Orbitais, Memórias Temporárias, Palmtops, Tecnologia 3G, Playstation e até Celulares. E o que o Bill Gates tem a ver com isso? Tudo!
Impérios virtuais como o do Google só se tornaram possíveis depois que um cidadão chamado Bill Gates desenvolveu uma linguagem de software universal, uma espécie de código reconhecido por um cem números de aparelhos eletrônicos que ao decodificar essas cifras apresentam textos, imagens e plataformas 3D, por exemplo. Portar um DVD piratinha daqueles da praça do Sapo parece tão corriqueiro, mas graças a esse cara é que isso se tornou possível.
Muitos devem contestar essa idéia, pois acreditam que cada empresa tenha criado uma base de dados diferente para fazer a leitura de suas informações. Por exemplo, a Apple que como o Mac Toch não conseguia acessar o conteúdo dos softwares da Microsoft, pois a base dos dados de leitura eram diferentes, no entanto a idéia, ou melhor, o formato da base de dados, ou em grossos modos, como a coisa ia funcionar é obra do Sr. Gates. Em suma os fatos apresentados levam a crer que ele é o responsável pela padronização das leituras eletrônicas.
Assim sendo podemos comparar esses dados com a natureza da ABNT, que regula as normas técnicas de publicações científicas no Brasil. Essa associação cria uma linguagem universal para as publicações, papers, artigos, dissertações, etc.; caso esses documentos não sigam essas regras, são impedidos de serem publicados, ou seja, não podem ser decodificados. E é claro que as normas técnicas canadenses, italianas ou paraguaias não são exatamente as mesmas vigentes no Brasil, contudo elas seguem um padrão mundial de publicação
Logo, numa comparação direta, conclui-se que o Sr. Bill Gates é o criador da ABNT do mundo, pois toda linguagem eletrônica tem de estar de acordo com a base de dados de códigos binários criado por ele.
Isso representa no mínimo dos mínimos uma forma de controle, chamada por muitos por monopólio virtual. Eu prefiro acreditar é na chegada da besta apocalíptica.
Quando checamos nas escrituras sagradas cristãs os relatos sobre a besta (o six six six, the number of the beast) verifica-se incrível combinação com o império Bill Gates. Ele promoveu essas decodificações tornando-se pai da informatização mundial que oprime classes sócias menos favorecidas e enaltece os ricos. Logo esse cara não é de Deus e se ele não é de Deus, só pode ser a tal da Besta.
Aí outra parada deve ser discutida. A profecia Maia para 2012. Segundo o grupo que habitou a península de Iucatã, seus cálculos matemáticos avançadíssimos para a ocasião apontam para a idéia de que o fim do mundo estaria próximo. Em 2012 e mundo sucumbiria após um enorme impacto de um asteróide. A população mundial seria dizimada e tal. O que chama atenção é que muitos caras já romancearam essas estórias nos estúdios de Hollywood, e sempre se pode notar uma característica pertinente: quem disponibiliza alguém pra tentar salvar a humanidade são os EUA, com um outro detalhe: o presidente estadunidense invariavelmente é negro. E quem é o primeiro presidente negro eleito nos EUA? O Sr. Obama, que ainda será presidente em 2012.
Sei que pode parecer mais uma teoria da conspiração, mas só vou ficar tranqüilo no réveillon de 2013 ou de 2016, pois reza outra lenda que a conta do nascimento de Jesus está atrasada em 4 anos, o que nos daria um período maior, ou seja, até 2016. Até lá não sei o destino dos EUA, mas a probabilidade de reeleição nesses países é muito grande e o Obama pode ser presidente ainda.
O melhor mesmo é esperar, por que num planeta onde rola anúncio de invasão alienígena, tsunami descontrolada, enchente em Sta. Catarina, furacão no Brasil e presidente negro nos EUA tudo pode acontecer. Tipo o mundo da Lua do Lucas Silva e Silva, lembra? Ps.: Depois não quero ver ninguém me chamando de Nostradamus à toa!


sexta-feira, novembro 28, 2008

Arena das Morfinas


A propriedade da palavra

Não é minha nem sua

Só me pertence quando levo meus órgãos a emiti-
la

Depois disso ela entra dentro do sistema de signos e códigos

Que a transforma em coisas, cheiros, dinheiros, objetos...

E que extraem das estantes sociais

Significados que às vezes não servem para nada.

segunda-feira, novembro 24, 2008

Ensaio sobre a cegueira


Há muito o que dizer sobre está maravilhosa obra de José Saramago, entretanto, ponho-me somente a falar dos nomes dos personagens. Ora , fato é que os personagens não tem nomes , eles são simplesmente a mulher do médico, o garoto estrábico, a prostituta de óculos escuros, o médico, o ladrão e por aí vai.
O nome nos referência , mas quando a cegueira é tamanha , a tal ponto de todos estarem cegos o nome em si parece não fazer tanta diferença assim.
Em muitas culturas o nome revela o caráter da pessoa , suas características, como ocorre na cultura crista quando Jesus fala a Pedro: " Tu és pedra, e sobre ti edificarei minha Igreja". Veja que Pedro era o mais tosco dos discípulos , munido de uma "ignorância", a ponto de remover a orelha da pessoa que tocou o mestre no monte das Oliveiras. Casos parecidos veremos na cultura grega com o Deus cronos , o virtuoso Deus do tempo , donde advém a palavra cronômetro. Do povo negro temos a palavra baderna associada a mulher chamada Maria Baderna, foi uma revolucionária na época e por não aceitar a escravidão os senhores a chamavam de baderneira. O que não falta é exemplos.
Saramago nos engana profundamente pois seus personagens são a escória e o imprevisível e apesar de não ter nomes , representam características de coragem, ódio, traição, amor e sentimentos que os seres humanos carregam consigo.


Hemerson

sábado, novembro 22, 2008

Espaço Futebol: Muito além da vitória e da desorganização



Na coluna passada usei de uma piada popular com o Corinthians para homenagea-lo pela conquista da segundona. O texto teve talvez o maior numero de comentarios no blog desde sua fundação.

Alguns vibraram e outros rejeitaram a conquista. Os que vibraram são apaixonados que comemoram até "2 ou 1", desde que eles sejam vencedores. Os outros são torcedores mais intelectualizados com o futebol, seu time e seus bastidores, vendo que pelo seu tamanho e dimensão ele devia estar muito acima de conquistas assim. Nessa epopéia corintiana, concordo com esses.
E olhem que me coloco a vontade para falar de Corinthians em alto nivel. Juca Kfouri, Chico Lang e Sócrates se classificariam melhor mas Toquinho jamais...nem deve saber escalar o time de cabeça.

Quando escolhi meu time adorava ver o Silas jogar. Me maravilhava em ver como o Careca marcava gols, admirava ver a explosão e vontade do Muller no ataque e lamentava não ver , pelo menos lúcido, o Falcão com a camisa do time.
Em seguida veio Zetti(em baixo da trave não vi arqueiro melhor), Raí, Pintado, Leonardo até a instituição Rogério Ceni.

Mas me lembro também e muito bem quando descobri a grandeza do Corinthians. Não foi em 90 como muitos chutam , mas sim em 1988 em uma final contra o Guarani em Campinas onde Viola fez o gol do titulo em uma prorrogação contra um time muito melhor jogando em sua casa.
Jogavam Ronaldo, Edson Boaro, Biro-Biro, Éverton..jogadores que pouco fizeram em qualquer outro lugar mas que la encorporarm uma sujestiva raça e vontade. Os verdadeiros "inimigos"dos times adversários em uma linguagem futebolistica claro;;
Isso se manteve até a conquista do Brasileirão de 1990, mas o qual mais via o lançamento de um futuro esquadrão São-Paulino do "seu Telê", do que um campeão merecidamente.

Após isso cada clube dentro de sua grandeza escolheu seu caminho.

O São Paulo desistiu de contratações milionarias, formou ótimas divisões de base, profissionais liberais de diversas areas na gestão do clube, parcerias convenientes, marketing altamente ativo, salários em dia e conquistou todos os titulos mais importantes que disputou com destaque para 3 titulos mundiais e 3 titulos sul-americanos.

Ja o Corinthians usou do jeitinho Brasileiro para enfiar a corda no seu próprio pescoço. Terceirizou sua base, colocou ladrões e corruptos na sua direção, perdeu dinheiro, dignidade, prestigio e o pior de tudo, diminuiu maçiçamente seu crescimento popular nesses anos.
Conquistas aconteceram(um paulistinha aqui outro ali), porém mascaradas por seguir a contra-mão de toda linhagem correta de administração. Fez parcerias com criminosos mundiais que usaram o clube como uma bela maquina Brastemp colocando medalhões do futebol mundial no time por alguns meses, venceu um campeonato arranjado e esses enchiam seus bolsos em contas russas enquanto o clube agonizava...mas ai todos se foram, o rombo ficou e o time caiu!
Hoje, apesar da falta de profissionalismo reinar ainda, algumas pessoas que realmente amam o clube estão tentando limpar sua marca e aumentar novamente seus limites. Dentro de sua realidade o titulo da série B com um modesto e bom time(time= quando 11 jogadores independente de nome ou prestigio desempenham um bom futebol coletivamente)foi merecido e deus queira que não haja futuramente um plano para o bi.
Muitos dizem que o hoje o São Paulo é um modelo de administração empresarial para justificar suas conquistas e minimizar a paixão de seu torcedor. Mas montando um bom time , com um competente treinador(que sera 3 vezes seguida campeão Brasileiro), nada mais do que jogar para vencer sera a obrigação deles se seus direitos estiverem em dia. Será o primeiro tricampeonato do São Paulo em sua história. E esses atletas estarão nela.
Domingo que vem , ao levantar a taça Rogério Ceni escutara do torcedor são-paulino nas arquibancadas o coro "É Cam-peão" e não o inédito "O-bri-gação".


PS: Santistas!!! vocês com essa familia de turcos colocando dinheiro la e sacando anos depois com juros de cartão de crédito;;se preparem;;serão os proximos a assistir jogos terça e sabádo logo, logo..

terça-feira, novembro 18, 2008

A saga de Maria Gorete ou... Todo mundo espera alguma coisa do sábado à noite.

Estávamos eu e meu grande amigo Zamah (ou Zamá) a rondar a cidade, numa noite fresca e devidamente enluarada de sábado; nosso desejo era o de parar em algum bar, pedir uma cerveja bem gelada e, - como rapazes solteiros, bonitos e gentes de bem que somos -, observar a beleza de nosso mulherio joseense, e bater papo, jogar conversa fora.
Estacionamos quase em frente ao Bar Pimenta e depois de caminhar por toda a extensão da rua, que inclusive abriga outros estabelecimentos para bebericagem, vimos que a paisagem local até que era bela, mas repleta de ninfas com seus namoradinhos ou coleguinhas espinhudos e surfistinhas precoces de gel no cabelo, munidos de carrões do papai ou da mamãe com “putz- putz” ou reggae ligados no dez.
A praia ali definitivamente não era a nossa! A idade pesou. Nos sentimos meio “Gaspar”; aquele personagem surfista quarentão que Nuno Leal Maia interpretou na novela global Top Model, de 1990, com cenas nostálgicas relembrando o passado ao som de “Stairway to heaven” do Led Zeppelin.
Então, pegamos o carro e demos seqüência ao tour passando em frente outros bares como Original, O Funil, O Botequim até finalmente ir parar no Rapsódia´s, o qual estava tão perto quando saímos de casa, em Santana, zona norte.
Lá o ar estava bom. E a casa cheia. Cheia de caboclas na faixa dos trinta e quarenta; algumas lindas, outras bonitas e outras já na série C do campeonato, beirando o ostracismo, prestes a parar de competir.
Loiras, morenas e branquinhas; magras, formosas e gostosas mesmo, fizeram a gente se sentir em casa enchendo o rosto de sorrisos: agora sim, estava tudo nos conformes.
Entre uma e outra cerveja falávamos de tudo um pouco, ao mesmo tempo em que comentávamos a beleza feminina presente, bem colorida e variada. Coisa tão boa é observar as mulheres.
Ficamos do lado de fora do bar, filmando as fêmeas feito lobos do alto da colina em busca de ovelhinhas suculentas, enviando pelo ar doses cavalares de testosterona, de sugestão, de disposição em ver alguma paradinha (tamo no jogo!, como diz o sábio e agora magro Charles de Lima, vulgo Pelote).
Estava tudo muito bom, muito bem... E lá pelas tantas horas da madrugada fresca, eis que surge então, da parte baixa da Rui Barbosa, ali mais ou menos à altura do Cine Santana, cambaleantemente ébria, falando com o nada, tateando o ar, desviando do poste, ajeitando as alcinhas marotas de sua blusinha justa, delineando uma barriguinha de uns 20 anos de cervejinhas acumuladas: uma mulher mirando a reta tentando acender um cigarro parecendo enxergar dois, quase queimando a mão, tropeçando em si mesma... Na capa do batman, como diz Eduardo Macumba.
Vi tudo isso de soslaio,- bem pelo cantinho dos olhos-, e ainda tive tempo para pedir a deus que ela não se enroscasse em nossa mesa, mas ela foi se aproximando, chegando perto, mais perto, bem perto, pertinho agora, até que: - Aí bonitão, dá licença que eu vou pedir uma gelada para a gente, pode? Demorei a responder, virei para o meu amigo e ele disse baixinho, deixa né, fazer o que...
Fazer o que! Aquela senhora chapada vinha de um forró dali de Santana mesmo, daqueles tipo “rancho da goiabada”, junto a faraós, índios, piratas, pais-de-santos, balconistas, engraxates e frentistas, em busca de ser amada; mas a noite parecia ter sido em vão.
Disse que morava próximo à COOP, e que iria tomar uma e depois partiria a pé. E eu completei, “é pertinho, tá uma noite gostosa’. Mas ela não gostou muito não, e me repreendeu alegando uma falta de cavalheirismo absurda, “ora moço, pensei que iria me oferecer uma carona, você não tem carro não? Esses homens de hoje... A coroa suspirou com um bafo de cachaça barata e de cigarro “estoura peito”.
E ali ficou embaçando nossa ilustre “convidada”. Pediu meu telefone, e lógico que eu não dei. Disse para ela que a vida é a arte do encontro, e ela indagou: de quem? do encontro? Ah tá...?!!
Até que depois de algum tempo infinito, o celular dela toca e ela passa algumas coordenadas para um rapaz que chegou dez minutos depois, de moto. Era aparentemente bem mais jovem que ela o aventureiro. Diria sobre o rapaz, nosso Coronel: destemido, peito de remador, um legítimo brabo.
E para fechar com chave de ouro, aquela dama da noite quase caiu da garupa ao subir na moto, quase precisou de ajuda; mesmo assim não perdeu a pose. E com umas das sandálias que calçava agora arrebentada pelo pequeno enrosco, se despediu da gente toda sorridente, sumindo pela madrugada, dando continuidade à sua saga particular. A saga de Maria Gorete, 47 anos, desquitada, desempregada e facílima. “Vai com deus!” Disse o meu amigo, “vai com deus, coitada”.

Nilson Ares

segunda-feira, novembro 17, 2008

Conversa pra boi dormir

A bienal de São Paulo é conhecida como um dos maiores e mais importantes eventos de arte comtemporânea do mundo. Sua primeira edição foi em 1951, numa tentativa de empresários da indústria emergente de modernizar a cidade e desenvolver a sua atividade cultural. Desde então, a bienal trouxe artistas e trabalhos de artes que apresentavam novos problemas e propostas para a arte, em âmbito internacional. E a despeito de algumas curadorias duvidosas, as exposições sempre aconteceram e sempre promoveram debates interessantes sobre as questões artísticas.
Quem sempre visita a Bienal de São Paulo, sabe que é impossível ver todos os trabalhos exibidos em uma edição. Algumas exposições anteriores eram realmente impressionantes, por seu tamanho e ousadia: geralmente há tantos artistas que participam, e tantas coisas interessantes a considerar igualmente, que para a maioria das pessoas é inevitável uma maior ou menor expectativa a cada nova edição.
Visitar a atual edição da Bienal de São Paulo, de número 28, entretanto, é uma experiência muito desapontadora. Parece que, pela primeira vez, a bienal não aconteceu.
O debate sobre “o que fazer” com esta 28ª edição iniciou no ano passado, momento em que ninguém sequer possuía interesse em assumir a sua curadoria. Com a Instituição da Bienal passando por uma grave crise, ninguém queria ter seu nome ligado com a presidência da fundação, acusada de corrupção. A última edição da Bienal teve problemas com pagamentos e financiamento do material gráfico, além da suspeita de que o nome de artistas renomados estava sendo usados para facilitar desvios de dinheiro.
No início deste ano, Ivo Mesquita e Ana Paula Cohen decidiram assumir a curadoria da atual edição. A despeito de todo debate entorno da crise da instituição, eles decidiram manter a sua primeira proposta de apresentar um andar inteiro do prédio da bienal totalmente vazio, como uma metáfora do “momento vazio” que a instituição estava passando.
Exatamente como eles projetaram, quando se entra no prédio, o que se vê é o vácuo. O primeiro piso contém nada mais que alguns vídeos documentando performances realizadas em edições passadas. O segundo pisso é o “andar vazio”. Quando se está nele, pensa-se com pesar em todos os trabalhos e obras que poderiam estar ali, afinal não é a arte e o trabalho artístico, bem como a sua importância, que está em crise. Estes continuma acontecendo por todo lado. E no último piso, alguns trabalhos aqui e acolá- e a maioria deles são igualmente referentes a edições passadas, nada de novo. O trabalho mais visitado é um escorregador em forma de tobogã de Carsten Höller, que tem um postura um tanto crítica ao que as exposições de arte se tornaram; porém parece um brinquedo no meio de um vácuo deprimente. Em vez de denunciar a situação real da instituição, o " andar vazio” da curadoria parece escondê-la. O discurso sobre o vazio metafórico e o anúncio que esta edição seria um intenso e novo momento para a bienal não passou de conversa fiada. Está claro que não houve tempo para preparar uma bineal de verdade, e não haver bienal seria um grande problema para a instituição. Os trabalhos exibidos têm suas importâncias, mas não constróem nem sugerem nada que se pareça com uma retrospectiva de exibições anteriores, como indicado pela curadoria. Mais parecem escolhidos ao acaso, ou ao sabor da conveniência. Não há um pensamento sobre a importância histórica do evento para o país e para o mundo, não há questionamentos e propostas para a crise. Há apenas a aparência de uma denúncia que não existe. E para a maioria das pessoas, fica o sentimento que tem alguma coisa errada ali, mas enquanto escorregamos no belo tobogã metálico em direção ao chão, vamos deixando isso pra lá.


Luciana Bertarelli
Marcio Elias

sexta-feira, novembro 14, 2008

A Cidade

Ruas sem fim, artérias.
Avenidas sem fim, asfalto, imensidão.
Céu cinza.
Almas insignificantes.
Luzes somem no horizonte
E a cidade não termina.
Prédios, casas, viadutos.
O tempo gastou a paisagem
E tudo ficou consumido pela noite.
Almas cansadas.
A cidade nos devora
E impõe seus caprichos.
Rainha tirana, alma sombria, ser cruel.
Nós estamos em você,
No teu sangue escuro,
Nas artérias obstruídas,
Nos desvãos do seu corpo.
Às vezes você aparece despida
Sem maquiagem, nua.
Apenas seus olhos parecem vestidos
De tristeza, de dor e nuvens escuras.
Eu tentei evitá-los,
Mas somos um amor proscrito
Inevitável, seres entrelaçados
Vontade de fugir, necessidade de possuir
Impulsos tiranos, alma afogada
Um corpo boiando no córrego sujo.
Água, detritos industriais, lixos
Beijos tóxicos,
Libertação asfixiante
E outras saudades.


Jorge Pessotto

quinta-feira, novembro 13, 2008

A Sequidão da Palavra


A economia da palavra, dos adjetivos, dos arranjos semânticos, a sua contenção, as sentenças lancinantes e a precisão dos períodos fizeram com que eu relesse Vidas Secas em duas noites dessa semana.

Mas do que uma aula de regionalismo e critica social de Graciliano me impressionou a análise feita da descoberta da linguagem. Um dos personagens, Fabiano, sofre de um déficit de vocabulário e uma dificuldade da língua corrente que o impossibilita de tomar uma série de iniciativas em sua vida.

Em uma das passagens do livro este personagem é preso por não conseguir argumentar com o policial sobre uma dada situação, em outra, mesmo sabendo que está sendo explorado pelo patrão também sente uma dificuldade em resolver o problema por não conseguir articular de maneira eficaz sua argumentação com o dono da fazenda.

É através desta contenção que Graciliano soube carregar semanticamente cada parágrafo deste livro com a sequidão do sertão, é possível ver a caatinga, as árvores retorcidas na língua travada dos personagens, os galhos ressequidos de uma vegetação decidual que perderam a capacidade de argumentação junto com suas folhas. Forma da escrita de Graciliano assume o conteúdo do livro.

E esse fato me pôs a pensar, de onde brotou e vicejou tanta sequidão, de onde veio tão poucas palavras pobres? Tomando por parte o próprio materialismo de Bakhtin, a pobreza destas palavras brota da própria pobreza material. A organização material determina contraditoriamente a formação do signo lingüístico.

O suporte do signo é necessariamente material para Bakhtin, como toda articulação material é histórica e dialética, o signo também assume essa forma, e por conseqüência também carrega consigo a desigualdade social e a luta de classes. Sempre apresentando um sentido de polifonia ( várias vozes dentro do mesmo discurso) num desenvolvimento desigual e combinado entre a base material, o signo e apropriação da linguagem. A expropriação material se traduz na exclusão da posse das palavras.

Em alguns momentos do livro parece que os personagens não sabiam se as coisas tinham nomes ou se esses nomes eram uma criação humana ou divina, viviam presos num circuito em que a materialidade do signo não permitia a ultrapassagem pela imaginação.

Não sei se foi isso que Graciliano pensou, mas foi isso que vi.

Receita para Matar um Homem


Tomam-se umas dezenas de quilos de carne, ossos e sangue, segundo os padrões adequados. Dispõem-se harmoniosamente em cabeça, tronco e membros, recheiam-se de vísceras e de uma rede de veias e nervos, tendo o cuidado de evitar erros de fabrico que dêem pretexto ao aparecimento de fenómenos teratológicos. A cor da pele não tem importância nenhuma.

Ao produto deste trabalho melindroso dá-se o nome de homem. Serve-se quente ou frio, conforme a latitude, a estação do ano, a idade e o temperamento. Quando se pretende lançar protótipos no mercado, infundem-se-lhes algumas qualidades que os vão distinguir do comum: coragem, inteligência, sensibilidade, carácter, amor da justiça, bondade activa, respeito pelo próximo e pelo distante. Os produtos de segunda escolha terão, em maior ou menos grau, um ou outro destes atributos positivos, a par dos opostos, em geral predominantes. Manda a modéstia não considerar viáveis os produtos integralmente positivos ou negativos. De qualquer modo, sabe-se que também nestes casos a cor da pele não tem importância nenhuma.

O homem, entretanto classificado por um rótulo pessoal que o distinguirá dos seus parceiros, saídos como ele da linha de montagem, é posto a viver num edifício a que se dá, por sua vez, o nome de Sociedade. Ocupará um dos andares desse edifício, mas raramente lhe será consentido subir a escada. Descer é permitido e por vezes facilitado. Nos andares do edifício há muitas moradas, designadas umas vezes por camadas sociais, outras vezes por profissões. A circulação faz-se por canais chamados hábito, costume e preconceito. É perigoso andar contra a corrente dos canais, embora certos homens o façam durante toda a sua vida. Esses homens, em cuja massa carnal estão fundidas as qualidades que roçam a perfeição, ou que por essas qualidades optaram deliberadamente, não se distinguem pela cor da pele. Há-os brancos e negros, amarelos e pardos. São poucos os acobreados por se tratar de uma série quase extinta.

O destino final do homem é, como se sabe desde o princípio do mundo, a morte. A morte, no seu momento preciso, é igual para todos. Não o que a precede imediatamente. Pode-se morrer com simplicidade, como quem adormece; pode-se morrer entre as tenazes de uma dessas doenças de que eufemisticamente se diz que “não perdoam”; pode-se morrer sob a tortura, num campo de concentração; pode-se morrer volatilizado no interior de um sol atómico; pode-se morrer ao volante de um Jaguar ou atropelado por ele; pode-se morrer de fome ou de indigestão; pode-se morrer também de um tiro de espingarda, ao fim da tarde, quando ainda hà luz de dia e não se acredita que a morte esteja perto. Mas a cor da pele não tem importância nenhuma.

Martin Luther King era um homem como qualquer de nós. Tinha as virtudes que sabemos, certamente alguns defeitos que não lhe diminuíam as virtudes. Tinha um trabalho a fazer – e fazia-o. Lutava contra as correntes do costume, do hábito e do preconceito, mergulhado nelas até ao pescoço. Até que veio o tiro de espingarda lembrar aos distraídos que nós somos que a cor da pele tem muita importância.

(José Saramago)

domingo, novembro 09, 2008

Campeão


Um torcedor com a camisa do Corinthians voltava para São Paulo em uma longa viagem de carro vindo de Criciúma onde assistiu ao jogo que deu o titulo da segundona a seu time.
No meio do caminho um pneu furou. Calmamente ele estacionou o carro no acostamento, tirou o macaco e se preparava para colocar o estépe quando parou ao seu lado um outro carro do qual saiu um forte rapaz, também com a camisa do timão atirando uma pedra no vidro do passageiro do carro. O rapaz assustado levantou com o pneu na mão e gritou:
-Pô mano, qualé????
E o mano respondeu:
-Calma ai maluco..tu ja ta levando as rodas, então dexa que o toca-cd é meu!!!

Homenagem do Mainardi a todos corintianos pelo titulo conquistado ontem.

quinta-feira, novembro 06, 2008

Martin, Lewis e Barak

"Eu tenho um sonho de que meus quatro filhinhos, um dia, viverão numa nação onde não serão julgados pela cor de sua pele e sim pelo conteúdo de seu caráter.

Martin Luther King.

Em nosso pequeno mundo da fórmula um as coisas caminharam rápido. Não muito, afinal demorou cinqüenta e poucos anos para que um negro fosse campeão mundial, Mas comparado a outras situações, Lewis chegou ano passado e quase ganhou o campeonato mundial. Este ano foi com justiça o campeão. Porém a cor de sua pele nada tem com isto.

Sua capacidade, seu talento ou sua sorte para quem queira, são coisas que independem de cor, raça, credo ou opção sexual. Irrelevante.

Não há vantagem em ser desta ou daquela etnia. Não sei por que o espanto: “O primeiro negro a vencer na F1”!Por ser um esporte caro? Elitista? Não existem negros ricos ou na elite?Por acaso ficaremos estupefatos da mesma forma quanto um japonês for campeão? E quando for uma mulher?

Já no grande mundo real as coisas são muito mais lentas. Dois séculos até que um afro descendente chegasse à presidência dos EUA. Muita injustiça e muita violência rolaram por baixo da ponte norte americana até que um filho negro da terra alcançasse o posto de maior importância na hierarquia daquele País.

Aqui sim a cor da pele faz e fez a diferença no desenrolar da história. Aqui não bastava a capacidade de Obama. Não era suficiente seu talento ou o conteúdo de seu caráter.

Era necessário vencer a resistência histórica de um povo a cor de sua pele. Venceu. E pregando paz e entendimento entre os diferentes povos do mundo.

E se este século teve seu inicio com o fatídico 11 de Setembro, então, povos do mundo, aproveitai esta inédita e provavelmente única chance de, como nos nossos “Windows”, usar um ponto de restauração. Reiniciar nosso século a partir de algo bom...

Parece que o(s) dia(s) que M.L.K. sonhava finalmente chegou!!!
Colaboracão de Ron Groo

segunda-feira, novembro 03, 2008

O Troféu do Oscar


“A casa do Oscar era o sonho da família. Havia o terreno para os lados do Iguatemi, havia o ante-projeto presente do próprio, havia a promessa de que um belo dia iríamos morar na casa do Oscar. Cresci cheio de impaciência porque meu pai, embora fosse dono do Museu do Ipiranga, nunca juntava dinheiro para construir a casa do Oscar.

Mais tarde, num aperto, em vez de vender o museu com os cacarecos dentro, papai vendeu o terreno no Iguatemi. Deste modo, a casa do Oscar antes de existir foi demolida, ou ficou intacta, suspensa no ar como a casa do beco de Manuel Bandeira. Senti-me traído, tornei-me um rebelde, insultei meu pai, ergui o braço contra a minha mãe e saí batendo a porta da nossa casa velha e normanda: ‘Só volto pra casa quando for a casa do Oscar!’


Pois bem, internaram-me num ginásio em Cataguases, projeto do Oscar. Vivi uns seis meses naquele casarão do Oscar, achei pouco. Decidi a ser o Oscar eu mesmo, regressei a São Paulo, estudei geometria descritiva, passei no vestibular e fui o pior aluno da classe. Mas ao professor de topografia que me reprovou no exame oral, respondi calado: ‘Lá em casa tem um canudo com a casa do Oscar...’


Depois larguei a arquitetura e virei aprendiz de Tom Jobim. Quando minha música sai boa, penso que parece música de Tom Jobim. Música de Tom, na minha cabeça, é casa do Oscar.”

texto de Chico Buarque de Holanda

Oscar Niemeyer, não cobrou nada para desenhar o troféu do vencedor do Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1. A peça foi elaborada em "plástico verde", um polietileno feito a partir do etanol da cana de açúcar, ou seja, é renovável, reciclável e não polui.

Felipe Massa, piloto brasileiro da Ferrari, por 500 metros ou 20 segundos ou único 1 ponto não pode reconquistar o Campeonato Mundial de Fórmula 1 para o Brasil depois de 17 anos, mas levou para casa o "Troféu do Oscar".